Pão de Queijo - Consumo nacional supera 25 mil toneladas mensais e impulsiona busca por versões mais saudáveis

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Especialista explica como escolher versões mais equilibradas e quais ingredientes observar nos rótulos

No Dia Nacional do Pão de Queijo, comemorado hoje dia 17 de agosto, um dos quitutes mais emblemáticos do Brasil vive um momento de forte expansão e transformação. Movido por novos dados de consumo e pela exigência de um público cada vez mais atento ao que coloca no prato, o alimento passa por uma reinvenção no mercado nacional que une praticidade, bem-estar e sabor.

De acordo com um levantamento feito ano passado pela consultoria ECD Food Service, publicado pelo portal Giro S/A, aponta que o estado de São Paulo lidera o consumo nacional de pão de queijo com expressivas 10211 toneladas por mês. O ranking segue com o Rio de Janeiro em segundo lugar (5920) e o Rio Grande do Sul na terceira posição (4854), enquanto Minas Gerais, berço histórico da iguaria, figura em quarto lugar, com um consumo diário e constante de 4364 toneladas mensais.

A nutróloga e professora da Afya Itajubá, Dra Vanessa Cambraia, explica que o pão de queijo é um clássico afetivo e saboroso, mas entender sua composição ajuda a incluí-lo na rotina alimentar sem exageros.

“Não existe uma quantidade ou frequência padrão estabelecida para o consumo de pão de queijo. A inclusão desse alimento no plano alimentar depende inteiramente do contexto individual de cada pessoa. O pão de queijo tradicional é rico em amido refinado (polvilho) e em gorduras saturadas (óleo, manteiga e queijo curado), além de apresentar baixo teor de fibras e digestão rápida. Isso pode favorecer picos de glicose e proporcionar menor tempo de saciedade”.

Dados divulgados pela empresa Bakels Brasil, subsidiária do grupo suíço Bakels, mostram que o brasileiro está focado na qualidade dos ingredientes, na transparência dos rótulos e na busca por opções saudáveis, fatores que se tornaram o segundo motivo mais decisivo de compra na panificação, atrás apenas do preço. A pesquisa aponta que 43% dos consumidores consideram ingredientes saudáveis determinantes na decisão de compra, e 36% priorizam opções 100% naturais em panificados doces.

Para a nutróloga da Afya, a melhor opção continua sendo o pão de queijo caseiro. Ela comenta que em casa, é possível escolher queijos de boa qualidade, controlar a quantidade de sal e não adicionar conservantes e realçadores de sabor. Quando não for possível o preparo em casa, a segunda escolha seria o pão de queijo congelado artesanal ou com uma lista de ingredientes mais limpos. Nesse caso, a orientação é ler o rótulo e verificar se o produto não contém gordura vegetal nem aditivos artificiais.

“Os primeiros ingredientes para serem observados devem ser alimentos de verdade, como polvilho, leite, ovos e queijo. Evite produtos com gordura vegetal hidrogenada ou aromatizantes artificiais de queijo. Prefira aqueles feitos com óleo de girassol, manteiga ou azeite, em vez de gordura vegetal ou interesterificada. A escolha do queijo também importa, opções tradicionais, como meia cura, minas padrão e parmesão, dão sabor natural e reduzem a necessidade de aditivos. Na tabela nutricional, compare as marcas e priorize as com menos sódio, idealmente abaixo de 200-250 mg por porção de 50 gramas”, complementa.

Qual escolher no mercado?

Atualmente, o mercado oferece versões funcionais que aprimoram o perfil nutricional da receita tradicional. A médica destaca três opções para manter a dieta:
  1. Pães de queijo funcionais - versões enriquecidas com sementes (chia, linhaça), tubérculos (batata-doce, mandioquinha) ou grãos integrais, que aumentam a quantidade de fibras.
  2. Versões proteicas / whey - preparadas com acréscimo de claras ou proteína isolada, melhorando a relação entre proteína e carboidrato.
  3. Versões plant-based / sem queijo - à base de azeite, polvilho e vegetais (como inhame ou abóbora), indicadas para intolerantes à lactose ou veganos e, geralmente, com menor teor de gordura saturada.
“Dessa forma, as versões funcionais do pão de queijo representam alternativas que preservam a proposta da receita tradicional, ao mesmo tempo em que incorporam ingredientes que contribuem para um perfil nutricional mais equilibrado, atendendo a diferentes necessidades e preferências alimentares”, conclui a especialista.

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