Ser criança num ambiente em que é proibido proibir: quais as dores e delícias de viver, dentro de casa, o caos das revoluções artísticas e comportamentais da contracultura? Nem Tudo é Paz e Amor, novo longa de Betão Aguiar, mergulha em memórias, dinâmicas familiares e na herança cultural do Brasil dos anos 1970 a partir de relatos íntimos de nomes como Moreno Veloso, Nara Gil, Marília Aguiar, Sarah Sheeva, Beto Lee e Anelis Assumpção.
O documentário, que integrou a seleção do festival In-Edit Brasil 2026 com quatro sessões esgotadas, chega ao circuito comercial em 27 de agosto, com distribuição exclusiva da Pandora Filmes.
![]() |
| Moreno Veloso. Foto - Fábio Burtin |
Filho da escritora e produtora Marília Aguiar e de Paulinho Boca de Cantor, pilar fundamental do grupo Novos Baianos, Betão revisita episódios extraordinários e também os traumas que marcaram a infância dele e de seus entrevistados naquele contexto de liberdade, psicodelia e efervescência artística.
“Nossos pais ousaram sonhar um mundo diferente e romper padrões - mas percebi que certos vazios pediam respostas”, conta o diretor, em sua segunda incursão no cinema de longa-metragem depois de Samba de Santo - Resistência Afro-Baiana (2020).
![]() |
| Nara Gil. Foto - Bruno Graziano |
“Nasci e cresci em um universo profundamente musical, em contato direto com alguns dos maiores nomes da música produzida no Brasil. Ter sido criado em uma família alternativa, de forte vocação hippie nos anos 1970, atravessou minha existência em múltiplas esferas e foi determinante para quem sou e para a visão de mundo que construí. O filme é uma conversa aberta que ajuda a contar uma história que é nossa - e de muitas pessoas nascidas e criadas nesse período e sob essas condições”, completa.
A ideia original de Nem Tudo é Paz e Amor é de Jasmin Pinho, sua amiga de adolescência, falecida em 2020. O filme foi realizado com recursos provenientes da Ancine via FSA e BRDE e Betão também assina a produção executiva do longa, ao lado de Minom Pinho, em uma parceria Casa Redonda e Zapipa Produções.
Sobre o diretor
![]() |
| Paulinho Boca de Cantor e Betão Aguiar. Foto - Bruno Graziano |
Betão Aguiar é músico profissional desde os 11 anos. Ao longo de sua trajetória, trabalhou com importantes nomes da música brasileira, como Arnaldo Antunes, Caetano Veloso, Marisa Monte, Gilberto Gil e Carlinhos Brown, tendo sido indicado ao Grammy por duas vezes como produtor musical. No audiovisual, dirigiu curtas-metragens e séries documentais, como Brasil Folclore: O Povo Brasileiro em Festa (2016), Dona Cadu (2018) e Chegança, no Jardim das Belas Flores (2020), além de assinar a trilha sonora do filme Ó Paí, Ó (2007). Em 2020, lançou Samba de Santo - Resistência Afro-Baiana, seu primeiro longa-metragem, integrante da premiada pesquisa Mestres Navegantes.
Sinopse
![]() |
| Beto Lee. Foto - Fábio Burtin |
Enquanto Tropicália, Novos Baianos e a contracultura dos anos 1970 reinventavam o DNA cultural do Brasil sob o peso da ditadura militar, seus filhos observavam, pelo buraco da fechadura, a beleza, as rupturas e a psicodelia daquela liberdade sem fim. O filme evoca o espírito da época, reverencia o Cinema de Invenção e faz da música e da ironia antídotos contra a mera nostalgia histórica. Fica a pergunta: quanta coragem é necessária para atravessar os traumas e as maravilhas de crescer no caos das revoluções artísticas e comportamentais da contracultura?
Assista ao trailer:
Ficha técnica
Nem Tudo é Paz e Amor
Brasil | 2025 | Documentário | 86 min.
Direção - Betão Aguiar
Ideia Original - Jasmin Pinho
Entrevistados - Marília Aguiar, Helena Ignez, Paulinho Boca de Cantor, Moreno Veloso, Nara Gil, Ciça Moraes, Sarah Sheeva, Beto Lee, Anelis Assumpção, Maria Meneghini, Minom Pinho e Areia Duarte
Produção - Casa Redonda e Zapipa Produções





0 Comentários