Grupo Corre (RJ) estreia BOCA no Sesc Consolação e leva o passinho ao teatro a partir da voz de quem construiu essa cultura

Foto - Divulgação

Espetáculo reúne onze artistas e transforma essa vertente do funk em linguagem cênica ao combinar dança, performance e experiências vividas nas periferias do Rio de Janeiro

O Grupo Corre, integrado por artistas referências da cena do passinho foda carioca, estreia o espetáculo BOCA no Teatro Anchieta, no Sesc Consolação. Criada e dirigida por Celly IDD, uma das principais representantes femininas dessa cultura, a montagem transforma o funk e o passinho em linguagem cênica para falar de corpo, território, memória e sobrevivência.

"BOCA surge das nossas pesquisas, das vivências de cria e das trocas dentro do grupo. A peça nasce da vontade de organizar essas experiências em uma linguagem cênica e nomear essa fome de existir, falar e dançar", afirma Celly IDD. "Tudo o que está em cena nasceu das nossas vivências. Transformamos em espetáculo aquilo que já faz parte da nossa forma de existir, das conversas, dos bailes, das alegrias e também das violências em nosso cotidiano”, completa.

O espetáculo marca um movimento importante: a história do passinho é narrada por artistas que ajudaram a construir essa cultura. Formado em 2021, o Grupo Corre reúne dançarinos com a ideia de ampliar seus espaços de atuação e afirmar essa linguagem para além das batalhas, festivais e intervenções urbanas.

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A montagem traz uma visão abrasileirada do corpo e da boca como princípio criador a partir da ideia de “come o que precisa, cospe o que quiser e não responde à espera de ninguém, nem devolve o mundo limpo”. A obra dialoga diretamente com a cena do funk carioca, especialmente com o Passinho Foda, estilo de dança e movimento urbano originário dos bailes funks das favelas cariocas no início dos anos 2000.

Em BOCA, as referências conversam com as culturas afro, vogue e hip hop, mas mantêm sua origem na diversidade do passinho ao unir frevo, capoeira e samba. Em cena, cada um dos onze intérpretes carrega no corpo sua trajetória, sua relação com a favela e sua identidade em constante transformação. “Trazemos para o palco aquilo que faz parte da nossa vivência. Tem o baile, a forma como o DJ se comunica, as brincadeiras, o bar, mas também o minuto de silêncio, porque tudo isso faz parte da cultura do funk", afirma a diretora.

A criação dialoga com um texto-base de referência conceitual e pesquisa do diretor artístico e pesquisador de movimento Léo Garcia, que traz o conceito de Èṣù Onã Ebo como ponto de partida. A partir dessa ideia, a dramaturgia combina urgência, repetição e excesso não como desordem, mas como princípio organizador da cena. O funk aparece como prática de mundos: indisciplinada, rítmica, coletiva, acima da moral e da ilusão do bem e do mal. O funk, assim como Èsú, é a boca que tudo come.

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Durante aproximadamente uma hora, o espetáculo percorre diferentes atmosferas que fazem parte da memória coletiva dos integrantes do Grupo Corre e também do movimento funk: a celebração, o humor, a convivência entre amigos, as batalhas de dança e a comunicação entre DJ e público são apresentados ao público e também há momentos de tensão e violência. "O espetáculo fala das nossas alegrias, mas também daquilo que nossos corpos vivem no dia a dia. Tudo nasce das nossas próprias vivências", resume Celly.

A montagem aposta na identificação e no impacto direto do corpo em cena, despertando sensações e questionamentos que seguem para além do espetáculo. “A gente quer provocar o público a sentir e se reconhecer no movimento. O espetáculo convida cada pessoa a sair do automático e olhar para si com mais liberdade e presença. BOCA apresenta o caos como lugar de criação, onde tudo pode ser reorganizado. O que fica é aquilo que cada um escolhe absorver, transformar e devolver a partir da própria vivência”, afirma a diretora.

O projeto tem produção e gestão da Quafá Produções, produtora com mais de 15 anos de atuação no mercado das artes da cena em âmbito nacional e internacional, com foco em produções ligadas às culturas urbanas, periféricas e populares.

Sinopse

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Em cena, onze artistas do Grupo Corre transformam o passinho foda carioca em linguagem teatral para compartilhar histórias de corpo, território, memória e sobrevivência. Entre a celebração dos bailes, as batalhas de dança, o humor e as marcas da violência cotidiana, BOCA constrói uma experiência cênica inspirada nas vivências de quem ajudou a criar essa cultura. Ao combinar dança, performance e a potência do funk, o espetáculo convida o público a mergulhar em um universo onde o movimento é afirmação de existência, resistência e criação.

Confira no vídeo abaixo trechos do espetáculo:


Ficha técnica
BOCA
Direção - Celly IDD
Assistente de Direção - DG Fabulloso
Intérpretes-Criadores - Celly IDD, DG Fabulloso, André Oliveira DB,Iza IDD, Khafifa IDD, Laranjinha Ritimado, May IDD, Neguebites MR, Destemida IDD e Peterson Sidy
Intérpretes - Celly IDD, DG Fabulloso, André Oliveira DB,Iza IDD, Khafifa IDD, Laranjinha Ritimado, Neguebites MR, Destemida IDD, Peterson Sidy e VN Rodrigues
DJ - DJ Fellyp Km2
Trilha Sonora e Produção Musical - Danger e Celly IDD
Consultoria Dramatúrgica - Nyandra Fernandes
Iluminadora e Operação de Luz - Tainã Miranda
Figurinista - CESANNE
Assistente de Figurino - KIAH
Coordenação de Produção - Rafael Fernandes
Produção Local - Carmen Mawu
Programação Visual - Leony Fabulloso
Técnico e Operação de Som - Rafael Matede
Cenotécnico - Renato Simões
Assessoria de Imprensa - Canal Aberto Comunicação
Gestão - Quafá Produções
Agradecimentos - EstudeOFunk, Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro e Leo Garcia

Serviço
BOCA
Data - 04 e 05 de julho
Horários - sábado, às 20h e domingo, às 18h
Duração - 50 minutos
Local - Sesc Consolação - Teatro Anchieta
Endereço - Rua Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque - São Paulo
Lotação - 280 lugares
Ingressos - R$ 60,00 (inteira), R$ 30,00 (meia) e R$ 18,00 (Credencial Plena) 
Venda de ingressos nas bilheterias do Sesc SP, online aqui e no App Credencial Sesc SP
Classificação - 14 anos
Mais informações 11 3234-3000

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