Festival de Inverno de Campos do Jordão chega à 56ª edição com mais de 80 concertos gratuitos


Orquestra do Festival sob regência de Josep Caballé Domenech na 55ª edição do Festival. Foto - Íris Zanetti

Com direção artística de Roberto Minczuk, evento acontece de 04 de julho a 02 de agosto em seis palcos de Campos do Jordão e também na capital paulista, em três espaços da Sala São Paulo

Criado em 1970 e reconhecido como o mais tradicional evento de música clássica da América Latina, o Festival de Inverno de Campos do Jordão chega à sua 56ª edição em 2026. A programação artística acontece de 04 de julho a 02 de agosto, em seis palcos em Campos do Jordão e em três na capital paulista. O Festival de Inverno Campos do Jordão é uma realização do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, da Fundação Osesp, do Ministério da Cultura e do Governo Federal, via Lei Federal de Incentivo à Cultura - Lei Rouanet.

Serão mais de 80 apresentações, todas elas com entrada gratuita. Na cidade da Serra da Mantiqueira, o Festival acontece no Auditório Claudio Santoro, no Parque Capivari, na Capela São Pedro Apóstolo - localizada no Palácio Boa Vista -, no Espaço Cultural Dr. Além, e em dois novos palcos, a Concha Acústica do Museu Felícia Leirner - vizinha do Auditório -, e o CARDE Museu, aberto ao público em 2024. Esse acréscimo amplia o acesso dos eventos à população local e também aos milhares de turistas que visitam a cidade durante o inverno.

A capital paulista também terá um calendário de performances diverso na Sala São Paulo. Elas acontecem na Sala de Concertos, na Estação Motiva Cultural - espaço inaugurado em 2025 - e na Sala Eleazar de Carvalho, situada no primeiro andar da Sala São Paulo e aberta ao público a partir desta edição do Festival.

“O Festival de Inverno de Campos do Jordão é um símbolo da vitalidade cultural do nosso Estado. Ao reunir grandes artistas, promover novas gerações por meio de bolsas de estudo e formar plateias com acesso gratuito, o evento reafirma nosso compromisso com uma cultura viva, plural e acessível. É uma celebração da excelência artística aliada à política pública que transforma”, destaca Marília Marton, secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.

"Quando assumi a direção artística, a pergunta era: o que poderia trazer mais conteúdo e mais brilho a um festival que já é o maior da América Latina? A resposta foi trabalhar com profundidade. Nesta edição, o público poderá mergulhar no universo de Brahms, com as quatro sinfonias, obras orquestrais e mais de 30 peças de música de câmara, além de acompanhar uma produção completa de A Flauta Mágica, de Mozart, no Auditório Claudio Santoro", afirma Roberto Minczuk, diretor artístico do Festival de Inverno de Campos do Jordão.

Enquanto a programação artística reúne alguns dos principais intérpretes e conjuntos do estado de São Paulo e do país, a formação de novos talentos continua sendo o coração do Festival. Considerado a espinha dorsal do evento, o Módulo Pedagógico oferece nesta edição 259 bolsas de estudo a jovens músicos brasileiros, especialmente, e estrangeiros.

Ao longo de todo o mês, os bolsistas participarão de uma intensa programação de aulas, ensaios, masterclasses e apresentações, em contato direto com professores convidados do Brasil e do exterior. Além da formação artística, o Festival proporciona uma experiência profissional completa, permitindo que os alunos integrem grupos artísticos e participem de concertos em Campos do Jordão e São Paulo.

Uma das novidades desta edição é a Academia de Ópera, iniciativa voltada à formação de cantores e instrumentistas em repertório lírico. A atividade dialoga diretamente com a montagem de A Flauta Mágica, de Mozart, apresentada pela Orquestra do Festival, o Coro Acadêmico da Osesp e solistas sob direção musical de Roberto Minczuk e direção cênica de Pablo Maritano. Ela acontecerá nos dias 04, 05, 08, 09, 11 e 12 de julho no Auditório Claudio Santoro, em Campos do Jordão.

"O Brasil possui muitos talentos no canto lírico, mas ainda oferece poucas oportunidades para que esses artistas desenvolvam plenamente seu potencial. A ópera exige experiência de palco, atuação, domínio musical e convivência com profissionais experientes. A criação da Academia de Ópera nasce justamente desse desejo de oferecer aos jovens cantores uma formação prática e intensiva dentro de um ambiente artístico de excelência”, comenta o diretor do Festival.

Destaques da Programação

Orquestra toca no Parque Capivari durante o 55º Festival de Inverno de Campos do Jordão. Foto - Lucca Mezzacappa

Entre os destaques da Programação Artística em Campos do Jordão está o concerto de abertura ao ar livre da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), sob regência de seu diretor musical e regente titular, Thierry Fischer, no Parque Capivari, dia 04 de julho. Ainda na noite de abertura, o Núcleo de Ópera do Festival apresenta A Flauta Mágica, de Mozart, com direção musical de Roberto Minczuk, no Auditório Claudio Santoro.

A agenda sinfônica reúne algumas das principais orquestras e corpos artísticos do país, entre elas a Sinfônica de Guarulhos, Orquestra Jovem do Estado de São Paulo (Ojesp); a Orquestra Experimental de Repertório (OER); a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas; a Orquestra Filarmônica Catarinense; a Orquestra do Theatro São Pedro; a Camerata Antiqua de Curitiba; e a Orquestra Sinfônica da USP (Osusp). A Orquestra do Festival, formada pelos bolsistas selecionados desta edição, fará um ciclo completo das Sinfonias de Brahms, um dos mais amados compositores da música de concerto.

A programação também amplia o diálogo da música de concerto com outros gêneros musicais. No Parque Capivari, a Brasil Jazz Sinfônica, residente desta edição, se apresenta acompanhada de Fabiana Cozza, Mariana Aydar e Mônica Salmaso. O palco do Parque recebe também shows de Demônios da Garoa e do Roberta Sá Trio.

A agenda inclui, dentre outros, concertos do Coral Paulistano, da Orquestra Filarmônica de Violas, da Orquestra Municipal de Jundiaí, da Orquestra Joseense e da Orquestra da Fundação Lia Maria Aguiar, da Camerata de Cordas de Campos do Jordão e do Coro Jovem de Campos do Jordão - AME Campos, os três últimos formados por músicos da região.

Na música de câmara, o Festival recebe o Quarteto Camargo Guarnieri, o Heloísa Fernandes Quarteto, a soprano Camila Provenzale, os violinistas Rosnei Tuon e Cláudio Cruz, os violonistas Eduardo Isaac e Fabio Zanon, dentre muitos outros, com alguns deles integrando também o grupo de professores do Festival.

Uma das novidades desta edição são os concertos realizados à meia-noite no Espaço Cultural Dr. Além, em Abernéssia. A programação reúne o Hot Club Piracicaba Solistas e o violinista Ricardo Herz, ampliando o diálogo do Festival com o jazz, a música instrumental brasileira e outras sonoridades. A agenda artística completa pode ser acessada no site oficial do Festival (clique aqui).

Módulo Pedagógico

Música de Câmara na Capela do Palácio Boa Vista. Foto - Lucca Mezzacappa

O Festival receberá, ao todo, 259 bolsistas e mais de 50 professores convidados. Ao longo de quatro semanas de atividades, os alunos participarão de uma intensa programação de aulas, ensaios, masterclasses e apresentações, totalizando aproximadamente 1.200 horas de formação artística.

As atividades estão organizadas em cinco frentes:
  1. Academia de Ópera - voltada a solistas vocais e instrumentistas
  2. Música de Câmara
  3. Regência
  4. Violão
  5. Orquestra do Festival
Os bolsistas terão contato direto com músicos e professores brasileiros e estrangeiros, em uma proposta pedagógica que alia excelência artística, prática de palco e intercâmbio de experiências.

Uma das novidades desta edição é a Academia de Ópera, iniciativa dedicada à formação de cantores e instrumentistas em repertório lírico. A atividade dialoga diretamente com a montagem de A Flauta Mágica, de Mozart, apresentada pelo Núcleo de Ópera do Festival sob direção musical de Roberto Minczuk.

“O Festival proporciona uma verdadeira imersão musical. Durante um mês, os jovens músicos têm a oportunidade de estudar intensamente, tocar música de câmara, participar de ensaios e concertos e conviver diariamente com artistas e professores de excelência. Sou testemunha ocular e auditiva de várias gerações de músicos. Quando entrei no Festival como bolsista, em 1977, eu era o único aluno de oboé. Hoje, o nível da Orquestra do Festival é impressionante e mostra o quanto a formação musical evoluiu no Brasil. É muito encorajador ver jovens músicos preparados para integrar as principais orquestras do país e construir carreiras de destaque dentro e fora do Brasil”, afirma Arcadio Minczuk, coordenador pedagógico do Festival.

Os bolsistas participarão de apresentações em Campos do Jordão e São Paulo, integrando diferentes formações criadas especialmente para esta edição do Festival. A programação inclui concertos da Orquestra do Festival, além de apresentações ligadas às diversas frentes pedagógicas desenvolvidas ao longo do evento.

“Na música de câmara, todos são protagonistas. Você está exposto, sem um regente intermediário, e depende do gesto e da escuta do outro. Esse treino é fundamental: músicos que passam pela música de câmara se tornam melhores músicos de orquestra. Por isso dedicamos uma parte tão importante da programação a essa prática. Ela está no coração da formação que oferecemos no Festival”, completa Arcadio.

Os concertos da Orquestra do Festival na Sala São Paulo serão transmitidos ao vivo pelo canal oficial do Festival no YouTube (clique aqui), nos dias 24 de julho e 02 de agosto. “A Fundação Osesp realiza este grande Festival desde 2012, mas a ligação da Osesp com Campos do Jordão é muito anterior. Ao longo de décadas, milhares de músicos passaram por esse programa de formação, que segue sendo uma das iniciativas mais importantes para o desenvolvimento da música de concerto no Brasil”, afirma Marcelo Lopes, presidente e CEO da Fundação Osesp.

“Além da excelência artística e pedagógica, o Festival também desempenha um papel importante na difusão cultural e na economia criativa, levando ao público uma programação gratuita e de alta qualidade em Campos do Jordão e São Paulo. Ao longo de mais de cinco décadas, o evento vem contribuindo para enriquecer o cenário musical brasileiro e promover oportunidades de intercâmbio entre alunos, professores e artistas convidados”, conclui.

Prêmios e Bolsas

O Prêmio Eleazar de Carvalho contemplará o bolsista que mais se destacar nessa edição, concedendo uma bolsa de US$ 1.400 mil (um mil e quatrocentos dólares) mensais para estudar por um período de até nove meses em uma instituição estrangeira de sua escolha, além de ter cobertas as despesas de traslado entre o Brasil e o exterior. Mais bolsistas que se destacarem durante as atividades do Festival poderão ser contemplados com outros prêmios.

Acessibilidade

A programação do 56º Festival de Inverno de Campos do Jordão oferecerá 18 concertos em sua programação com recursos de acessibilidade: audiodescrição e interpretação em Libras. Nessas apresentações, é necessário confirmar presença até três dias antes do evento, pelo e-mail da Ver com Palavras aqui. A programação com acessibilidade será divulgada em breve no site do Festival.

Serviço
56º Festival de Inverno de Campos do Jordão
Período - 04 de julho a 02 de agosto de 2026
Ingressos gratuitos
Classificação - livre
Para mais informações sobre locais, horários e conferir a programação completa clique aqui

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