Língua, peça dirigida por Vinicius Arneiro e idealizada por ele em parceria com Filipe Codeço, acompanha uma festa de aniversário surpresa de uma mãe para o filho surdo. Criada em português e em Libras, ela discute os limites da convivência entre diferentes formas de perceber o mundo.
Após passar pelos palcos do Rio de Janeiro com sucesso e de fazer apresentações na MITsp - Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, em 2025, o espetáculo faz sua primeira temporada paulista no Teatro Anchieta do Sesc Consolação. São 15 sessões entre os dias 05 e 28 de junho. Nos dias 13 e 19 não ocorrem sessões, por conta dos jogos do Brasil na Copa.
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| Foto - Renato Mangolin |
Com texto de Pedro Emanuel e Vinicius Arneiro, o trabalho foi vencedor do Prêmio Shell - edição carioca - na categoria dramaturgia em 2025. O elenco é formado por Erika Rettl, Filipe Codeço, Jhonatas Narciso, Luize Mendes Dias e Ricardo Boaretto. Ricardo, o protagonista, é um ator surdo e dos quatro atores ouvintes, três são sinalizantes fluentes na língua brasileira de sinais (Libras).
Na trama, uma mãe prepara uma festa de aniversário para seu filho surdo que cresceu rodeado de pessoas ouvintes. O encontro, que reúne um pequeno grupo de amigos do rapaz, revela afetos, mas também dilemas e a diferença cultural entre eles. O tema, aparentemente simples, se desdobra em uma investigação sobre linguagem, tradução e afeto.
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| Foto - Renato Mangolin |
Durante a celebração, os personagens estão apenas tentando conversar normalmente. O público ouvinte acompanha a narrativa a partir do olhar de Félix, personagem que não domina Libras e depende da mediação dos outros para compreender as conversas. "A peça fala justamente desse descompasso entre sentir algo e conseguir expressar. Percebi que a peça não era apenas sobre Libras e português. Ela começou a tocar numa questão mais profunda: a dificuldade humana de comunicação”, afirma Arneiro.
A criação nasceu do desejo de construir uma ficção em que espectadores surdos pudessem se reconhecer emocionalmente em cena, e não apenas acessar uma obra por meio do recurso da acessibilidade, ou seja, de uma tradução.
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| Foto - Renato Mangolin |
“Nosso trabalho promove a inclusão no sentido mais pleno da palavra, porque promovemos a equidade linguística. Não usamos intérpretes de Libras em cena, porque o espetáculo é encenado em duas línguas. Ouvintes e não ouvintes conseguem prestar o mesmo nível de atenção nas cenas: não precisam escolher entre olhar para o intérprete ou para a ação. Ou seja, o envolvimento emocional é muito maior”, coloca o diretor.
Ao mesmo tempo, Língua não tem a surdez como seu tema principal. Aos poucos, a festa revela camadas mais profundas da relação entre mãe e filho, marcada por afeto, superproteção e atitudes capacitistas muitas vezes involuntárias. “A peça também olha para essas relações atravessadas por dependência emocional e pelo desejo de proteção”, comenta.
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| Foto - Renato Mangolin |
A trilha sonora marcada é por frequências graves, pensadas também a partir da experiência vibracional da música para pessoas surdas; o cenário de Julia Deccache fez uma proposta realista, remetendo a uma casa. Da mesma maneira, o figurino assinado por Julia Vicente contribui para conferir veracidade àqueles personagens.
Mesmo assim, a peça está no limite entre o ordinário e o extraordinário. “Por acontecer em uma festa, um momento em que as pessoas estão mais soltas e consumindo álcool, estamos sempre na iminência de que algo fora do comum vai acontecer”, acrescenta Arneiro.
Sinopse
Uma mãe prepara uma festa de aniversário para seu filho, um taxista surdo que cresceu rodeado de pessoas ouvintes. O encontro, que reúne um pequeno grupo de amigos do rapaz, revela não só afetos, dilemas e a diferença cultural entre eles. Além disso, convida-nos a perceber como lidamos com a distância entre aquilo que se sente e a tentativa de dizê-lo.
Confira no vídeo abaixo cenas do espetáculo:
Ficha técnica
Língua
Direção - Vinicius Arneiro
Dramaturgia - Pedro Emanuel e Vinicius Arneiro
Elenco - Erika Rettl, Filipe Codeço, Jhonatas Narciso, Luize Mendes Dias, Caju Ribeiro (Stand-in) e Ricardo Boaretto
Direção de Produção - Juracy de Oliveira
Intérprete Libras/Português e Transcriação - Lorraine Mayer
Interlocução Dramatúrgica - Catharine Moreira
Interlocução Gestual - Laura Samy
Diretora Assistente - Dominique Arantes
Cenário - Julia Deccache
Direção Musical - Felipe Storino
Iluminação - Daniela Sanchez
Figurino - Julia Vicente
Arte Gráfica - Pedro Colombo
Produção Executiva - Lindsay Castro Lima e Mariana Mantovani | Híbrida Arte e Cultura
Assistente de Produção - Laura Lapadula
VJ - Dominique Arantes
Operação de Luz - Felipe Antello e Matheus Espessoto
Operação de Som - Stephanye Correa e Lays Somogyi
Cenotecnia - Djavan Costa
Assistência de Cenotecnia - Giovanna Guadanholi
Assessoria de Imprensa - Canal Aberto Comunicação
Fotografia - Renato Mangolin
Idealização - Filipe Codeço e Vinicius Arneiro
Serviço
Língua
Temporada - de 05 a 28 de junho
Horários - quinta a sábado, às 20h e domingo, às 18h
Duração - 70 minutos
Sessões em horários diferenciados - dias 12 e 26 de junho - sextas-feiras
Horário - 15h
Não ocorrem sessões nos dias 13 e 19 de junho (jogos do Brasil na Copa)
Local - Sesc Consolação - Teatro Anchieta
Endereço - Rua Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque - São Paulo
Capacidade - 280 lugares
Ingressos - R$ 60,00 (inteira), R$ 30,00 (meia) e R$ 18,00 (Credencial Plena)
Classificação - 16 anos
Mais informações 11 3234-3000
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