Museu da Inconfidência recebe a exposição Devagar com o andor que o santo é de barro

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Individual de 
David Almeida, reúne pinturas, objetos-oratórios e ex-votos de um acervo local de Ouro Preto, articulando barroco mineiro, crença popular e determinadas formas do imaginário brasileiro

No dia 06 de junho, David Almeida inaugura sua nova exposição individual, Devagar com o andor que o santo é de barro, no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto (MG). A mostra parte de uma investigação do artista sobre a formação da pintura no Brasil e toma o barroco mineiro, o catolicismo popular e episódios históricos de Vila Rica como ponto de partida para pensar os modos pelos quais imagens são apropriadas, transformadas e reinventadas no país.

Desenvolvida a partir de viagens recentes por Minas Gerais, a exposição reúne pinturas inéditas em escala ampliada, objetos escultóricos produzidos pelo artista e ex-votos de um acervo local, colocando em relação diferentes temporalidades e modos de construção da imagem. Sem recorrer à ilustração ou à reconstituição histórica, a mostra aproxima pintura, crença e imaginário popular como dimensões de uma mesma experiência cultural.

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No centro da exposição está um painel de aproximadamente 60 m² que ocupa o forro do espaço expositivo. Construída como uma colagem de imagens, a obra reúne referências históricas, religiosidades não hegemônicas e elementos da paisagem mineira, articulando episódios da história de Ouro Preto às paisagens ermas que atravessavam Vigília, exposição realizada pelo artista em 2024.

A composição reúne personagens e acontecimentos da memória popular e política da cidade em aproximações livres e fabulares: Felipe dos Santos surge ascendendo aos céus em referência a São Elias; Chico Rei aparece sobre sua mina, evocando as tradições do congado. Já a disputa entre paulistas e forasteiros na Guerra dos Emboabas ganha uma releitura inspirada nas pinturas de Francisco de Goya. Mais do que ilustrar acontecimentos históricos, o trabalho aproxima tempos, crenças e narrativas para pensar as imagens como formas instáveis de transmissão cultural.

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Os ex-votos, esculturas e pinturas produzidas como agradecimento por promessas alcançadas, surgem na exposição não apenas como referência temática, mas também como interesse formal do artista. Considerados algumas das primeiras manifestações pictóricas do Brasil, são produções que instauram uma relação distinta daquela da tradição europeia: menos ligada à autoria e à representação do poder, e mais próxima de uma prática popular em que a imagem opera como testemunho, documento e mediação do sagrado. Uma chave para pensar a pintura brasileira como linguagem, cuja autoridade é confirmada pela função; imagens que existem para testemunhar algo vivido, prestar contas do sensível e validar experiências de fé.

“A pintura no Brasil nasce de um desejo importado, mas reinventado por outras crenças, geografias e formas de ver. O que me interessa é justamente esse desvio: quando uma imagem chega aqui e deixa de pertencer ao seu lugar de origem para ganhar outra vida. Os ex-votos me interessam porque são uma origem popular da imagem no Brasil - pinturas feitas não como afirmação autoral, mas como prestação de contas do sensível, uma mediação entre crença, experiência e aquilo que não se consegue explicar”, afirma o artista.

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Junto das pinturas e dos ex-votos, a mostra apresenta uma nova série de objetos escultóricos descritos pelo artista como oratórios. Os trabalhos, construídos a partir de fragmentos encontrados em antiquários, caçambas e viagens, preservam vestígios de suas funções originais ao mesmo tempo em que deslocam seus significados.

Entre caixas, prensas, madeiras e pequenas estruturas arquitetônicas, os oratórios transitam entre memória, invenção e espiritualidade popular. “Esses objetos mantêm a memória do que foram, mas já não servem à mesma função. Me interessa esse lugar de suspensão, entre aquilo que ainda carrega uma crença e aquilo que já virou outra coisa”, diz David Almeida.

Serviço
David Almeida: Devagar com o andor que o santo é de barro
Período - de 06 de junho a 16 de agosto
Visitação - terça a quinta, das 10h às 18h, sexta e sábado, das 10h às 20h e domingo, das 10h às 18h
Local - MIN - Museu da Inconfidência
Endereço - Praça Tiradentes, 139 - Centro Histórico - Ouro Preto (MG)
Entrada gratuita

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