De Beethoven ao beatbox - Álbum inédito do Projeto Merlin reinventa os clássicos para o século XXI

Foto - Rodrigo Lopes

Em Metamorfoses, o Projeto Merlin propõe um novo olhar sobre a música clássica, aproximando tradição, tecnologia e imaginação em um trabalho inédito na cena brasileira

Há algo de profundamente fascinante quando uma obra atravessa séculos e continua encontrando novas formas de existir. É justamente nesse território entre memória e invenção que nasce Metamorfoses, novo álbum do Projeto Merlin, que chega às plataformas digitais propondo uma experiência rara: ouvir a música clássica como se ela estivesse sendo criada agora.

Idealizado pelo músico, compositor e arranjador Marcelo Marcos Merlin, o trabalho apresenta releituras de grandes temas da tradição erudita sob uma perspectiva contemporânea, rompendo fronteiras entre gêneros, épocas e linguagens. A faixa de trabalho, Clair de Lune, talvez seja o melhor cartão de visitas para essa proposta artística: um encontro surpreendente entre um dos temas mais reconhecidos da história da música e uma arquitetura sonora construída com elementos eletrônicos, timbres modernos e arranjos inovadores.

Foto - Rodrigo Lopes

Com mais de três décadas de trajetória musical, Marcelo Marcos Merlin desenvolve em "Metamorfoses" uma pesquisa estética que dialoga tanto com a sofisticação da música de concerto quanto com a potência comunicativa da música popular contemporânea. Influenciado por artistas como Jean-Michel Jarre, Yanni, César Camargo Mariano e Ivan Lins, ele cria uma linguagem própria, capaz de aproximar universos que tradicionalmente caminharam separados.

O resultado é um álbum que desafia classificações. Piano, sintetizadores, violino, harpa, metais, percussões e até elementos como beatbox convivem em arranjos que transitam pelo pop, eletrônico, dance, romântico e latino, sem perder de vista a essência das composições originais.

Além de revisitar clássicos, o Projeto Merlin propõe uma reflexão sobre permanência e transformação. O próprio título do álbum sintetiza essa ideia: as obras permanecem reconhecíveis, mas ganham novas cores, novos ritmos e novas possibilidades de escuta. É uma espécie de arqueologia do futuro, onde o repertório clássico deixa de ser peça de museu para voltar a pulsar no presente.

Foto - Rodrigo Lopes

Em um cenário musical cada vez mais aberto a cruzamentos estéticos, Metamorfoses surge como uma contribuição original para a música clássica contemporânea brasileira. O álbum não busca substituir a tradição, mas expandi-la, demonstrando que Beethoven, Mozart e tantos outros compositores continuam vivos quando encontram intérpretes dispostos a imaginar novos caminhos.

O lançamento marca também um momento importante na trajetória do Projeto Merlin, que vem consolidando uma identidade artística baseada na fusão entre excelência musical, experimentação sonora e experiências imersivas. Uma proposta que transforma concertos em jornadas sensoriais e que agora ganha registro definitivo nas plataformas digitais. Porque, afinal, algumas músicas atravessam o tempo. Outras reinventam o próprio tempo. Metamorfoses pertence a essa segunda categoria.

Confira no vídeo abaixo trechos do espetáculo Projeto Merlin in Concert:

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