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| Foto - Caio Oviedo |
A sintonia do casal de atores Bianca Bin e Sérgio Guizé vai da vida pessoal ao palco e poderá ser conferida na estreia da peça Meu Deus!, no dia 24 de julho no Teatro das Artes, com temporada até 01 de novembro. A obra da dramaturga israelense Anat Gov tem adaptação de Jorge Schussheim, tradução de Eloísa Cantom, versão brasileira de Célia Regina Forte, direção de Elias Andreato, figurino de Fábio Namatame, iluminação de Wagner Pinto e cenário de Rebeca Oliveira.
Na trama, Deus (Sérgio Guizé), assolado pela depressão que o persegue nos últimos dois mil anos, decide fazer terapia e espera que a psicóloga Ana (Bianca Bin) o ajude. Um texto espirituoso, com diálogos ágeis e verdadeiros, mesmo que aparentemente improváveis. Plateias do mundo inteiro surpreendem-se, riem, compactuam, torcem e, finalmente, se emocionam com essa sessão de terapia.
Ana (Bianca Bin) é uma psicóloga que vive uma rotina marcada por tensões pessoais: ela é mãe solo de Paulo, um filho adulto com autismo, e lida diariamente com os desafios emocionais dessa relação. Certo dia, recebe um telefonema urgente e misterioso de alguém que insiste em se consultar com ela imediatamente. Esse paciente, que se identifica apenas como “D”, revela-se nada menos que Deus - o Criador (Sérgio Guizé). Ele está profundamente deprimido.
Sentindo-se responsável pela “criação” que, segundo Ele, fugiu ao controle, Deus admite pensar no suicídio, tomado pela desesperança diante da humanidade e de tudo aquilo que se tornou. Ana tem apenas uma sessão para ajudar Deus a ver sentido novamente, a encontrar forças para continuar enfrentando o mundo. A peça entrelaça humor, emoção e questionamentos teológicos e existenciais. A história, embora pareça fantasiosa, aproxima o espectador por meio do diálogo com temas universais: culpa, fé, responsabilidade, abandono, esperança.
Os ensaios e o diretor
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| Foto - Caio Oviedo |
A experiência e o talento do diretor Elias Andreato foi salientada pelos atores, que se sentiram à vontade para construir suas personagens. “A confiança em nos deixar livres, seguros e confortáveis para irmos em frente, sem ficar parando para marcar ou dar ênfase a alguns sentimentos, foi muito importante”, afirma Sérgio.
Guizé ressalta a troca como fator importante durante a etapa de ensaios. “Sob o olhar atento e a direção precisa do Elias, o processo ganhou muita sensibilidade. E dividir a cena com a Bianca é um privilégio absoluto; ela é uma atriz genial e a minha maior parceira na vida e na arte.” “Ter um grande diretor por trás faz toda a diferença. Elias pontua e extrai o melhor que a gente tem pra dar. Recebe e aproveita o que apresentamos. Sou muito fã desse cara”, fala Bianca.
Sobre a ótima interação de Bianca e Sérgio em cena, Andreato aponta: “independente do fato de vocês se amarem, o jogo na cena é muito difícil quando a química não rola. Eles são maravilhosos”. Bianca concorda que dar certo na relação amorosa não garante que o mesmo aconteça na interpretação. “Eu me divirto muito com ele, na vida e no palco. Nessa história também”.
Elias Andreato cita a importância de reconhecer o talento do outro e trabalhar para que ele floresça. “O prazer é mais relevante que o sucesso, acredita Elias, comentando que hoje o mundo vive em função do ego e o mais importante é a escolha que fazemos como artistas”.
Para Andreato, o humor ácido de Meu Deus exige dos atores um caminho verdadeiro, sem buscar a graça no jogo cênico. “A situação inusitada já é suficiente. Assim, poderemos equilibrar a comédia e a visão crítica que a autora desenhou em sua dramaturgia, tão bem escrita e inteligente, ao trazer Deus para a terapia em um quadro de depressão”.
Sobre sua direção, reflete como ele próprio aprendeu com esse olhar mais jovem sobre a dramaturgia de uma autora que fala sobre o momento político mundial, de uma transformação gritante. “Somos representantes de um gueto. A gente pode tocar alguém, divertir, levar à reflexão, fazer a comédia com alguma utilidade”.
Leveza e humor
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| Foto - Caio Oviedo |
O Deus de Sérgio Guizé é humanizado, deprimido e com um humor ácido. “Às vezes até meio agressivo. Ele está em crise, tentando digerir os rumos do mundo e as próprias escolhas que fez nos últimos dois mil anos. Sobre como usar a leveza e o humor do texto sem esvaziar a gravidade de um personagem que cogita o suicídio, Sérgio diz: “A inteligência do texto já nos dá esse equilíbrio. O humor aqui não serve para mascarar a tragédia, mas para torná-la suportável. A leveza é o que nos permite mergulhar em um tema tão denso sem perder o fôlego”.
Acostumado a papéis intensos e explosivos na TV e no cinema, o ator conta como fazer para humanizar um Deus frágil e deprimido sem cair na caricatura: “o desafio é encontrar o humor na dor e na verdade, sem ceder à tentação da piada fácil. O trunfo está em construir um personagem vulnerável com o qual o público consiga se identificar, e não apenas rir dele”.
Terapeuta brilhante, mãe solo, ateia, sobrevivente de um casamento falido e dos desafios de uma maternidade exaustiva - assim Bianca enxerga sua personagem. “Ela acredita profundamente na razão, na ciência e na escuta, até que surge o maior desafio de sua carreira: receber Deus como paciente em seu consultório.” A mistura de força e vulnerabilidade da Ana encanta a atriz. “É uma mulher que cuida de todos, mas que também carrega suas próprias feridas e questionamentos”.
Conhecida pelo público em geral pelas protagonistas dramáticas que tem interpretado nas novelas de TV, a atriz rompe com este estereótipo para viver uma mulher exausta, que representa a "resistência humana" e precisa encarar Deus no divã. “Para mim, a próxima personagem é sempre o maior desafio, justamente por representar o desconhecido. Existe sempre um mistério a ser desvendado, e isso é o que mais me instiga na profissão. A Ana me convida a mergulhar em questões humanas muito profundas, e isso é especialmente estimulante".
Ficha técnica
Meu Deus!
Direção - Elias Andreato
Texto - Anat Gov
Adaptação - Jorge Schussheim
Tradução - Eloísa Canton
Versão - Célia Regina Forte
Elenco - Bianca Bin (Ana), Sérgio Guizé (D) e Enzo Morente (Paulo)
Assistente de Direção - Zé Guilherme Bueno
Cenário - Rebeca Oliveira
Figurino - Fábio Namatame
Iluminação - Wagner Pinto
Música Original - Jonatan Harold
Designer Gráfico - Vicka Suarez
Fotos - Caio Oviedo
Assessoria de Imprensa - Fernanda Teixeira e Maurício Barreira | Arte Plural Comunicação
Produtoras - Selma Morente e Célia Forte
Patrocínio - Laboratório Cristália
Produção - Morente Forte Produções Teatrais
Realização - Ministério da Cultura | Governo do Brasil do lado do povo brasileiro
Serviço
Meu Deus!
Temporada - de 24 de julho a 01 de novembro
Horário - sexta e sábado, às 20h e domingo, às 17h
Duração - 80 minutos
Local - Teatro das Artes - Shopping Eldorado
Endereço - Av. Rebouças, 3970 - Pinheiros - São Paulo
Ingressos - de R$ 25,00 a R$ 160,00
Venda de ingressos online pela plataforma Eventim (clique aqui)
Classificação - 12 anos



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