![]() |
| Foto - rawpixel/Pixabay |
Quem está tentando emagrecer provavelmente já ouviu que certos chás aceleram o metabolismo ou ajudam a queimar gordura. A ideia é tentadora, afinal, trata-se de uma bebida simples, acessível e fácil de incluir no dia a dia. Mas, na prática, os chás não funcionam exatamente assim. Segundo o médico nutrólogo Nataniel Viuniski, mestre em nutrição e alimentos, e membro do Conselho Para Assuntos Nutricionais da Herbalife, o chá pode até ser um aliado do processo de perda de peso, mas não é um protagonista neste sentido.
“O emagrecimento acontece quando há um conjunto de hábitos bem estruturados, como a alimentação equilibrada e a prática de atividade física, que levam a um déficit calórico, além de um sono adequado e consistência ao longo do tempo”, explica.
Confira abaixo o que é mito e o que é verdade:
1) Chá emagrece sozinho
Mito - Apesar de muito associado à perda de peso, nenhum chá é capaz de provocar emagrecimento de forma isolada. Algumas variedades, como chá verde, preto e mate, contêm compostos bioativos, como a cafeína, que podem aumentar levemente o gasto energético, melhorar o foco e ajudar a prolongar a disposição durante o dia ou até na prática de atividade física. Em teoria, isso pode contribuir para um gasto calórico um pouco maior. O ponto é que esse efeito é discreto e insuficiente para gerar perda de gordura significativa por conta própria. “Os chás podem contribuir, mas não substituem uma estratégia bem estruturada que envolve mudanças na alimentação e no estilo de vida”, reforça o especialista.
2) Chás podem trazer benefícios para a saúde além do emagrecimento
Verdade - Embora o impacto no peso seja limitado, os chás, especialmente os derivados da planta Camellia sinensis, como o chá verde, vêm sendo estudados por seus possíveis efeitos na saúde. Metanálises publicadas no British Journal of Nutrition sugerem que o consumo regular da bebida pode contribuir para uma leve redução da pressão arterial ao longo de algumas semanas. Já uma análise no Nutrition & Metabolism indica que o chá verde pode reduzir discretamente a glicose em jejum, embora sem impacto relevante em marcadores mais amplos de controle glicêmico. Estudos com grandes populações, divulgados no American Journal of Clinical Nutrition e no Annals of Internal Medicine, também associam o consumo regular de chá a menor risco de doenças cardiovasculares, como AVC, e até de mortalidade geral. Ainda assim, é importante ter cautela ao interpretar esses estudos, pois eles mostram associação, não necessariamente uma relação de causa e efeito.
3) Adoçar o chá com adoçante atrapalha o emagrecimento
Mito - Existe uma preocupação comum de que adoçantes possam estimular a liberação de insulina ou confundir o metabolismo, prejudicando o emagrecimento. Mas, até o momento, as evidências mais robustas não sustentam essa hipótese. Uma revisão sistemática com metanálise publicada no European Journal of Clinical Nutrition mostra que adoçantes não calóricos têm efeito neutro sobre glicemia e resposta insulínica na maioria das pessoas. Além disso, uma metanálise no Journal of Endocrinological Investigation aponta que a substituição do açúcar por adoçantes pode ajudar a reduzir a ingestão calórica diária, o que pode favorecer o controle do peso, especialmente no longo prazo. “Por outro lado, o adoçante acaba estimulando o hábito de buscar o sabor doce, podendo dificultar a mudança de padrão alimentar em algumas pessoas”, coloca Viuniski.
4) Chás podem ser consumidos sem restrição
Mito - O fato de serem naturais não significa que os chás possam ser consumidos livremente, sem qualquer cuidado. Chás com cafeína, como verde, preto e mate, podem causar efeitos como ansiedade, palpitações, irritação gastrointestinal e insônia, especialmente em pessoas mais sensíveis ou quando ingeridos em excesso. “Por isso, é importante evitar o consumo no fim do dia, principalmente por pessoas mais sensíveis à cafeína”, orienta o nutrólogo. Além disso, produtos com apelo detox ou efeito laxativo merecem atenção. Eles podem provocar perda excessiva de líquidos e minerais, causar desconforto intestinal e, quando usados com frequência, até prejudicar o funcionamento natural do intestino. “Gestantes, pessoas com doenças crônicas, como hipertensão, problemas cardíacos ou renais, e quem faz uso contínuo de medicamentos devem ter cuidado redobrado, já que algumas plantas podem interagir com fármacos ou agravar condições de saúde”, acrescenta Viuniski, por isso, nesses casos, é importante consumi-los sob a orientação de um médico ou nutricionista.
5) Incluir chá na rotina pode ser uma estratégia saudável
Verdade - Quando bem utilizado, o chá pode ser um aliado interessante dentro de uma rotina voltada ao emagrecimento e à saúde. Ele contribui para a hidratação, pode substituir bebidas calóricas, como refrigerantes e sucos industrializados, e ainda oferece compostos com potencial antioxidante e efeitos metabólicos leves. Uma forma prática de consumo é adaptar o tipo de chá ao momento do dia: opções com cafeína, como chá verde, preto ou mate, pela manhã ou antes da atividade física e versões sem cafeína, como camomila ou erva-doce, à noite, para não interferir no sono. A recomendação geral é manter o consumo moderado, em torno de até 1 litro por dia, ajustando conforme a tolerância individual.
Leia também:

0 Comentários