No dia 02 de abril, estreia nos cinemas brasileiros, com distribuição da Kajá Filmes, o longa-metragem Tatame, drama esportivo e político ambientado em um campeonato mundial de judô e inspirado em tensões reais da geopolítica contemporânea, exibido no 80º Festival de Veneza.
Com direção de Guy Nattiv e Zar Amir Ebrahimi, Tatame é apresentado como o primeiro longa-metragem codirigido por um israelsense (Nattiv, vencedor do Oscar de curta-metragem por Skin, de 2018) e uma iraniana (Zar Amir, melhor atriz no Festival de Cannes por Holy Spider, de 2022).
Durante o Mundial de Judô, a atleta iraniana Leila (Arienne Mandi) enfrenta um dilema político e moral: o regime de seu país exige que ela abandone a competição ou simule uma lesão para evitar um possível confronto com uma judoca israelense.
Sob pressão da treinadora Maryam (Zar Amir) que viveu traumas semelhantes no passado, Leila se recusa a ceder. O que começa como uma ordem burocrática escala rapidamente para ameaças diretas à segurança e às famílias de ambas, transformando a busca pela medalha em uma luta desesperada por liberdade e integridade própria e de seus familiares em Teerã.
Assim, Tatame articula com eficiência a tensão de uma competição esportiva com o suspense de um thriller político, explorando os limites da autonomia individual diante de estruturas de poder. O dilema central - seguir competindo ou ceder à coerção - não é tratado apenas como um recurso dramático, mas como um impasse ético que atravessa toda a narrativa.
Fotografado em preto e branco, com câmera móvel e próxima aos corpos das atletas, o longa transforma as lutas em cenas de alta tensão cinematográfica, evitando o registro meramente documental. O longa recebeu o Brian Award, prêmio especial do Festival de Veneza concedido a longas que promovem valores como direitos humanos, democracia e liberdade de consciência sem distinção de gênero ou posições religiosas. Em 2024, a mesma distinção foi para O Quarto ao Lado, de Pedro Almodóvar.
O que é verdade na trama de Tatame?
Em Tatame, a judoca Leila Hosseini recebe uma ordem das autoridades iranianas para abandonar o Mundial, disputado na Geórgia, como forma de protesto contra a presença da israelsense Shani Lavi. A personagem de Leila não existiu, mas é inspirada em várias histórias similares.
Um desses casos foi do iraniano Saeid Mollaei. Em 2019, no Mundial que aconteceu em Tóquio, o judoca acatou a ordem do Ministro dos Esportes iraniano e do Comitê Olímpico do país para abandonar a semifinal, contra o belga Matthias Casse, para não correr o risco de enfrentar o israelense Sagi Muki, que estava na outra semifinal.
No mesmo ano, ele deixou seu país de origem e recebeu asilo na Alemanha. Posteriormente, ganhou cidadania da Mongólia e representou o país nos Jogos de Tóquio, no qual ganhou a medalha de prata. Outro exemplo aconteceu em 2021, quando Fethi Nourine, da Argélia (país de maioria muçulmana, como o Irã), desistiu dos Jogos de Tóquio para não competir com um israelense.
Sinopse
Durante o Mundial de Judô, Leila, uma atleta iraniana, é ameaçada pelo comitê do próprio país, que deseja que ela abandone a competição para não enfrentar uma atleta israelense - o regime iraniano não reconhece Israel como nação e quer evitar a luta a qualquer custo. A permanência de Leila no torneio pode colocar em risco sua família e a de sua treinadora, Maryam, uma ex-atleta.
Assista ao trailer:
Ficha técnica
Tatame
Geórgia, EUA, Reino Unido | 2023 | Drama | 105 min.
Direção - Zar Amir Ebrahimi e Guy Nattiv
Roteiro - Elham Erfani e Guy Nattiv
Elenco - Arienne Mandi, Zar Amir Ebrahimi e Jaime Ray Newman
Direção de Fotografia - Todd Martin
Música Original - Dascha Dauenhauer
Montagem - Yuval Orr
Distribuidora - Kajá Filmes




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