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| Obra Eu ainda me surpreendo com as coisas que deixo escapar Ney Valle. Foto - Divulgação |
Era uma casa muito inspirada. O endereço no Jardim Botânico que por décadas foi residência da família da artista visual e escultora Jacqueline Belotti, cenário de saraus, ensaios teatrais e eventos culturais (hábitos cultivados principalmente pela matriarca), parece ter preservado sua vocação criativa. É lá que Jacqueline mantém seu próprio ateliê, que na segunda quinzena de setembro abre as portas para receber colecionadores, artistas, curadores e amantes da arte no evento Ateliê Aberto_Jacqueline Belotti convida Ney Valle. A abertura da mostra, que reúne as esculturas em cerâmica de Jacqueline Belotti e apresenta para o público as pinturas de Ney Valle pela primeira vez, será no dia 15 de setembro.
Como parte do calendário cultural que tomará conta do Rio durante o mês de setembro, quando acontecerão a ArtRio e a Semana de Arte do Rio, as visitas serão realizadas entre os dias 16 e 30, sob agendamento.
“Enquanto a casa que abriga meu ateliê não ganha um novo destino, sigo ocupando esse espaço onde morei, anos atrás, e pude pintar livremente suas paredes. Voltar a criar nesse ambiente tem sido um reencontro profundamente afetivo”, diz Jacqueline Belotti.
Foi desse sentimento que nasceu o convite para dividir esta ocupação com Ney Valle, seu amigo de longa data desde os tempos das aulas de pintura no Parque Lage. Dono de uma produção consistente e sensível, desenvolvida ao longo de muitos anos com discrição e rigor, Ney apresenta agora parte de sua pesquisa ao público.
“Reunir nossos trabalhos nesta casa, ainda que por um breve período, transforma este momento de transição em uma celebração da amizade, da pintura e da criação compartilhada”, conclui Ney Valle.
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| Obra de Jacqueline Belotti. Foto - Divulgação |
Jacqueline Belotti expande os limites da cerâmica contemporânea ao fundir escultura e pintura na criação de uma flora imaginária e metamórfica. A artista transforma a argila, desmantela o caráter utilitário da tradição cerâmica para dar lugar a uma mitologia pessoal. Suas colagens tridimensionais são um campo de forças onde memória, ficção e matéria se contaminam mutuamente.
O processo começa muito antes da modelagem. A artista arquiva fragmentos fotográficos da vegetação e coleciona cacos cerâmicos de tempos e culturas distintas. No seu ateliê no Horto, imersa pela vitalidade da floresta ao redor, se deixa contaminar para criar novas ficções visuais. Dali emerge a compreensão de que viver é um ato de interdependência. A flor é a grande protagonista da sua produção e vira um símbolo dessa troca vital contínua.
Sua pesquisa investigativa espelha os próprios processos geológicos da terra. Por meio da sobreposição de matérias-primas, múltiplas queimas e a manipulação do calor e dos esmaltes fundentes, Belotti alcança superfícies vítreas e ricas em camadas. O resultado são esculturas indoceis, que habitam o limiar entre a delicadeza, o absurdo e a força ancestral da natureza.
Na sua pesquisa em pintura e desenho, Ney Valle faz do campo pictórico o lugar da inscrição, do registro e da rasura. Do erro. E também das escritas biográfica e ficcional. Cores vivas e traços rápidos parecem levar para a superfície da tela e do papel pensamentos e acontecimentos em fluxo. Tudo parece estar em processo. Gesto e desenho em tensão. Ao mesmo tempo, construção e ruína. Transformação.
O resultado é um trabalho bruto - estado primeiro/primitivo visceral, emocional, que ao mesmo tempo é pessoal, confessional, particular. Por isso mesmo, por proximidade e oposição, coletivo, público, e também poético (livre expressão da imaginação, do pensamento e do sentimento com a qualidade da poesia, na sua expressão mais livre e simples.
Um resultado autêntico, com liberdade moral e estética, que escapa do consenso e dialoga com a arte urbana, a arte bruta e com outras lógicas incomuns. Para, com sua dimensão erótica, refletir sobre “eu e o mundo”; “eu e eu”. E sobre o encontro e o desencontro entre escrita, desenho e pintura.
Sobre os artistas
Jaqueline Belotti é artista visual e doutora em Artes Visuais. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Recebeu o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea (2014) e o Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais (2013). Realizou exposições individuais no Brasil, participou de uma residência artística no Mosteiro Zen Budista de Ibiraçu-ES, e exposições em Portugal e Londres. Em 2024, apresentou a exposição individual E de Todas as Coisas Um, na Galeria Mercedes Viegas, com curadoria de Paula Terra-Neale.
Ney Valle é artista visual, designer e poeta. Nos anos 1990, fez a sua formação na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. E participou de diversas mostras coletivas e do último Salão Carioca de Arte (Parque Lage - 1996). Após um longo período dedicado prioritariamente ao seu estúdio de Design (com projetos como ArtRio, Jogos Rio 2007 e Rio 2016, entre muitos outros ligados à arte e à cultura), desde 2017 participa de coletivas no Brasil assim como em Londres e Berlim. Em 2021, concluiu a pós-graduação em Escritas Performáticas - Procedimentos Artísticos e Invenção, na PUC. Vive e trabalha no Rio.
Serviço
Ateliê Aberto_Jacqueline Belotti convida Ney Valle
Abertura - 15 de setembro
Horário - das 17h30 às 21h
Visitação - de 16 a 30 de setembro
Agendamento pelo WhatsApp (21) 99783-6827 (Jacqueline) e (21) 99974-0056 (Ney)
Endereço - Rua Fernando Magalhães, 396 - Horto - Jardim Botânico - Riode Janeiro (RJ)


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