Helenas retorna aos placos para revisitar o tratado que legitimou a caça às bruxas

Foto - Tai Zatolinni

Espetáculo do Satyros Laboratório - Turma 01 revisita a obra criada a partir do Malleus Maleficarum

Dez anos após o início do processo de pesquisa que deu origem ao espetáculo Helenas, o Satyros Laboratório - Turma 01 volta a se reunir para revisitar uma das obras mais marcantes de sua trajetória. Com direção de Gustavo Ferreira, a nova montagem estreia em 13 de agosto, no Espaço dos Satyros, em São Paulo.

Mais do que uma remontagem, Helenas propõe um reencontro entre artistas e pesquisa. A obra nasce da experiência iniciada em 2016, cujo processo culminou na estreia do espetáculo em 2017. Agora, uma década depois do início dessa investigação, parte do elenco original retorna ao lado de novos artistas para revisitar o material sob uma nova perspectiva, preservando sua essência e ampliando sua potência diante do presente.

Foto - Tai Zatolinni

Inspirado no Malleus Maleficarum - O Martelo das Feiticeiras, de Heinrich Kraemer e James Sprenger, publicado em 1486, o espetáculo parte de um dos documentos mais violentos da história ocidental. Considerado o principal manual da Inquisição para identificar, julgar, torturar e condenar mulheres acusadas de bruxaria, o livro legitimou perseguições que resultaram na morte de milhares de pessoas, em sua maioria mulheres, durante os séculos seguintes.

Quando estreou, em 2017, Helenas já estabelecia um paralelo entre a perseguição às chamadas bruxas e as diferentes formas de violência dirigidas às mulheres na contemporaneidade. Quase dez anos depois, esse diálogo tornou-se ainda mais urgente. Em um cenário marcado pelo crescimento dos casos de feminicídio e pela persistência da violência de gênero, o espetáculo retorna não como uma celebração do passado, mas como uma obra que continua lançando luz sobre uma realidade que insiste em permanecer.

Foto - Tai Zatolinni

A dramaturgia foi revisitada coletivamente. Novas cenas dialogam com momentos emblemáticos da montagem original, atualizando questões, aprofundando discussões e incorporando as transformações vividas pelos próprios artistas ao longo da última década. O resultado é uma obra renovada, que preserva a força da pesquisa original ao mesmo tempo em que estabelece novas relações com o presente.

Durante sua trajetória, o espetáculo permaneceu em cartaz por seis temporadas ao longo de três anos consecutivos, consolidando-se como um dos trabalhos mais reconhecidos do Satyros Laboratório. Nesta nova montagem, o espetáculo reafirma a vocação do grupo para a criação coletiva e para a investigação de temas sociais urgentes.

Sobre o Satyros Laboratório

Helenas é fruto do Satyros Laboratório, núcleo de pesquisa cênica da Cia de Teatro Os Satyros, formado por artistas oriundos das Oficinas Livres de Interpretação da companhia. O núcleo teve origem há cerca de 30 anos, em Portugal, onde nasceu como Núcleo Experimental Os Satyros.

Desde então, diversos espetáculos foram desenvolvidos a partir de processos de investigação artística conduzidos por integrantes da companhia e artistas convidados, entre eles Alberto Guzik, Ingrid Koudela e Roberto Audio, com apresentações realizadas em Portugal, Brasil e Alemanha. Em 2016, o núcleo foi reestruturado em São Paulo e passou a se chamar Satyros Laboratório, consolidando-se como um dos principais espaços de pesquisa, experimentação e criação cênica da companhia.

Sinopse

Foto - Tai Zatolinni

O espetáculo Helenas aborda a vida das mulheres a partir do Malleus Maleficarum - O Martelo das Feiticeiras, de Heinrich Kraemer e James Sprenger, publicado em 1486 e considerado a bíblia da Inquisição. O tratado, utilizado como manual para identificar, capturar, obter confissões sob tortura e exterminar pessoas acusadas de heresia - em sua maioria mulheres consideradas bruxas - serve como ponto de partida para uma reflexão sobre a violência histórica e contemporânea contra as mulheres.

Ficha técnica
Helenas
Direção - Gustavo Ferreira
Dramaturgia - Coletiva
Elenco - Alessandra Nassi, Alex de Felix, Anna Paula Kuller, Elisa Barboza, Gabriel Mello, Heyde Sayama, Isabela Cetraro, Ju Alonso, Karina Bastos, Maiara Cicutt, Tai Zatolinni e Vitor Lins
Assistência de Direção e Iluminação - Diego Rifer
Coordenação - Rodolfo García Vázquez
Cenário - Elisa Barboza, Heyde Sayama e Maiara Cicutt
Cenotecnia - Franja Cicutt
Assistência de Cenário - Débora Ferreira
Figurinos - Elisa Barboza, Heyde Sayama, Pedro Octaviano Torriani e Tai Zatolinni
Trilha Sonora Original - Marcelo Nassi
Visagismo - Pedro Octaviano Torriani
Voz Off Cena Flores e Pré-Produção - Isa Tucci
Operação de Luz - Laís Junqueira
Operação de Som - Leo Carvalho
Produção Executiva - Ju Alonso e Maiara Cicutt
Assessoria de Imprensa - Vitor Lins
Realização - Satyros Laboratório

Serviço
Helenas
Temporada - de 13 de agosto a 01 de outubro - quintas-feiras
Horário - 20h30
Duração - 75 minutos
Local - Espaço dos Satyros
Endereço - Praça Franklin Roosevelt, 214 - Consolação - São Paulo
Ingresso - R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia) e R$ 5,00 (moradores da Praça Roosevelt)
Venda de ingressos na bilheteria (1h antes de cada sessão) e online plataforma Sympla aqui
Classificação - 16 anos

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