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| Espetáculo A Menina Passarinho, em cartaz no Centro Cultural da Penha. Foto - Divulgação |
Maior polo de produção teatral do país e lar de alguns dos teatros mais icônicos do país, que recebem uma programação robusta durante o ano todo, São Paulo prepara uma agenda imperdível de artes cênicas na Virada Cultural 2026, nos dias 23 e 24 de maio, sábado e domingo.
Um dos destaques é a peça Fim de Partida, de Samuel Beckett, no Sesc Pinheiros, com Marco Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França, no sábado e domingo. Montada originalmente na Europa, dez anos após o fim da segunda guerra, a obra é uma reação ao cenário de ruína física e simbólica, à falta de sentido em um mundo colapsado.
Em O Veneno do Teatro - sábado no Itaú Cultural -, um ambicioso e famoso ator chamado Gabriel De Beaumont (Maurício Machado) é convidado por um excêntrico Marquês (Osmar Prado) para interpretar uma peça teatral. No encontro, o Marquês, por meio de um jogo psicológico, passa a controlar o ator. E ele logo descobre que tudo não passa de uma armadilha para submetê-lo a um experimento cruel onde os limites de realidade e ficção se confundem.
Comunhão, de Pedro Bricio e Susana Ribeiro, explora um conflito manifesto entre mãe e filha, que revela raízes mais profundas: crises de pertencimento, o mal-estar gerado pela polarização e o ponto-cego da intolerância. Com Magali Biff, Lúcia Bronstein e Luisa Micheletti, a peça será apresentada sábado no Sesc Ipiranga.
O retorno de Gota D’Água
O iBT - Instituto Brasileiro de Teatro recebe no dia 23, um retorno marcante: 20 anos após a aclamada temporada de estreia de Gota D'Água Breviário, Georgette Fadel reinterpreta Joana, e Cristiano Tomiossi, Jasão, com mais 11 atores e músicos. O texto de Chico Buarque e Paulo Pontes traz a fábula grega da Medeia de Eurípides para o contexto histórico de uma comunidade periférica do Rio de Janeiro.
Minha Estrela Dalva, dirigida por Elias Andreato, em cartaz no Teatro do Sesi, pode ser conferida no sábado. Em cena, o ator e dramaturgo Renato Borghi invade o camarim de sua musa, Dalva de Oliveira (Soraya Ravenle), para realizar um sonho que a vida interrompeu: propor a ela um espetáculo revolucionário onde a Rainha da Voz cantaria as canções de Bertolt Brecht e Kurt Weill. Neste "delírio documentado", passado e presente se fundem.
Durante a Virada, a Central Técnica Chico Giacchieri do Theatro Municipal de São Paulo se transforma em um parque imersivo onde a ópera abandona o palco e ganha movimento. No Gran Central Ópera Park, o público percorre um trajeto sensorial de cerca de 50 minutos por entre cenários, figurinos e estruturas que, como carrosséis e rodas-gigantes, giram e reinventam os bastidores em paisagens vivas e vertiginosas.
Cine Copan
Depois de quase 20 anos fechado, o histórico espaço do Cine Copan reabre suas portas no domingo e recebe o público para uma experiência teatral inédita: uma montagem imersiva de Hamlet, na qual o edifício também faz parte da história. Na trama, o príncipe Hamlet, interpretado por Ícaro Silva, investiga a verdade e testa os limites do poder, das paixões humanas e da própria razão, após descobrir as circunstâncias suspeitas que levaram à morte de seu pai. O espaço também recebe Rosencrantz e Guildenstern Estão Mortos, comédia baseada na obra de Tom Stoppard, no sábado;
Em frente ao Edifício Copan, o palco Comédia 24h também recebe apresentações de stand up comedy com diversos artistas, que prometem bons momentos de riso na região da Av. Ipiranga a partir das 18h de sábado.
Teatro infantil
A garotada vai se divertir com as dezenas de peças teatrais da programação da Virada. Da Biblioteca Malba Tahan, na Zona Sul - que recebe a peça A Lenda do Desaparecimento do Sol -, à Biblioteca Brito Broca, com os espetáculos Cacuriando e Da Terra ao Céu, e ao Sesc Santana, com Saudade, são atrações em todas as regiões.
O Centro Cultural da Penha, por exemplo, recebe as peças Contos de Cativeiro e A Menina Passarinho, enquanto no outro lado da cidade, a Biblioteca Camila Cerqueira apresenta O Circo da Lona Preta.
“Os palcos de São Paulo recebem a cada semana a nata do teatro nacional e internacional, mas o panorama das artes cênicas na cidade vai muito além, com uma cena independente criativa e inovadora, uma verdadeira fábrica de novos talentos. A intenção da Virada é mostrar essa variedade, com artistas consagrados, grupos locais, dramas, comédias e espetáculos infantis”, destaca Totó Parente, secretário de Cultura e Economia Criativa.

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