Tambor Sem Fronteiras - Documentário retrata a cultura dos tambores afro-uruguaios

Aquecimento do couro do tambores usados do cadombe. Foto - Divulgação/Finish Produtora

Com musicalidade, dança e histórias para celebrar, longa de Adriana Gonçalves Ferreira traz uma visão feminina e poética do candombe​

O candombe é uma expressão cultural e musical afro-uruguaia, baseada no toque de três tambores (piano, repique e chico), que acompanham desfiles de rua, especialmente no Carnaval de Montevidéu. Embora se destaque nesta festa, o candombe acontece o ano todo, sendo uma cultura permanente na capital uruguaia. Mistura de música e dança, simboliza resistência, identidade e ancestralidade da comunidade afro-uruguaia. Desde 2009, o candombe é reconhecido como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

Com essa temática, a produção gaúcha Tambor Sem Fronteiras, da bajeense Adriana Gonçalves Ferreira, chegou aos cinemas em três sessões especiais e comentadas pela equipe. O longa documental ganhou sua première em Bagé (RS) no dia 28 de abril, no Cine7, dentro do 17º Festival Internacional de Cinema da Fronteira. Hoje, dia 08 de maio, a produção gaúcha passa em Porto Alegre, na Cinemateca Paulo Amorim e 19 de maio, em Santa Maria (RS), no Cineclube Lanterninha Aurélio na CESMA. Todas as exibições são gratuitas.

Tambor Sem Fronteiras é o terceiro longa de Adriana, depois de Fronteriz@s (2021) e Vila Santa Thereza (2020). É dela também o média Guarani Presente (2025) e o curta Latorre, Alma Terra e Sangue (2014), exibido na TVE RS, e outras produções acadêmicas sob o tema cinema e educação, o qual é pesquisadora e atua com formação de professores e educação audiovisual.

Carlos Maria Dutra, mestre da cultura popular do candombe. Foto - Divulgação/Finish Produtora

Adriana é publicitária, mestre em Patrimônio Cultural e doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e licenciada em Formação Pedagógica de Professores para Educação Profissional . No filme, além da direção e roteiro, também narra, muitas vezes de maneira poética, os acontecimentos, trazendo na narrativa uma linguagem performática para expressar subjetividades do ser fronteiriço feminino e sua relação com o tambor.

A perspectiva feminina é um dos destaques da produção, como diz a narração da cineasta: "a mulher do candombe não anda sozinha. É força que emana, delira, desvaira, invoca. Soy tambor". Entre os assuntos abordados pelo documentário estão a presença do candombe na fronteira e as vozes que protagonizam esse cenário, a relação entre uruguaios e brasileiros, com a chegada dos tambores afro-uruguaios no lado brasileiro da fronteira, e a fabricação de tambores como política pública. A estética pampeana compõe a narrativa fílmica.

Iniciadas em 2015, as gravações do longa ocorreram nos municípios gaúchos de Bagé, Santa Maria, Porto Alegre e Santana do Livramento, e nas cidades uruguaias de Rivera, Vichadero, Melo e Montevidéu. Segundo Adriana, a ideia surgiu a partir da aquisição de um jogo de tambores ou uma cuerda adquirida pelo ponto de cultura Pampa Sem Fronteiras, de Bagé. A instituição é um projeto da Associação Pró Santa Thereza, dentro da dimensão da política Cultura Viva. A partir daí começam um processo de oficinas e trocas com os saberes dos mestres da cultura afro-uruguaia, documentadas pelo filme.

Foto - Divulgação/Finish Produtora

"O tambor transcende limites e o candombe não exclui ninguém", aponta Adriana. Ela destaca o acolhimento da cultura candombeira à realização do documentário, que permitiu também o intercâmbio de conhecimento entre mestres uruguaios e a comunidade bajeense. O resultado dessa troca deu origem à criação do grupo local Grillos Candomberos de Bagé. "É uma cultura de união e força a qual admiro e me submeto aos aprendizados com o povo afro-uruguaio. Candombe é um sentir", sintetiza.

Simbolo de resistência e lembrança da diáspora africana, o candombe se consolidou como importante contribuição do povo negro no Uruguai, sendo celebrada em encontros realizados nas Salas de Naciones (casa de reuniões com normas específicas na qual era tocado o candombe), nas ruas e também em datas festivas como o carnaval, o famoso Desfile de Llamadas, anualmente em Montevidéu. Desde 2006, o candombe tem uma data no calendário uruguaio: 3 de dezembro, o dia nacional do candombe.

O documentário conta com recursos da Lei Complementar 195/2022 (Lei Paulo Gustavo) a partir do Edital Sedac LPG 16/2023 - Audiovisual - Complementação de Longa-Metragem. Também contou com recursos do Edital Sedac Cultura Viva. Durante sua pós-produção, o projeto participou do Laboratório Sur Fronteira na categoria work in progress no Festival Internacional de Cinema da Fronteira. O filme é uma realização da Finish Produtora, de Santa Maria (RS).

Assista ao trailer:


Ficha técnica
Tambor Sem Fronteiras
Brasil | 2026 | Documentário | 70 min.
Direção e Roteiro - Adriana Gonçalves
Elenco - Adriana Gonçalves, Carlos Maria Dutra, Florencia Bica e Andrea Rodrigues
Bailarina - Lívia Thomas
Direção de Fotografia - Rafael Rigon
Imagens - Adriana Gonçalves, Edison Larronda, Giovane Andreoli, José Camargo, Lisandro Moura, Patrick Proença (drone), Tanara Lucas e Wellington Duarte
Direção de Arte - Luciano Santos
Coreografia - Jean Mendes | Vintage Dance Studio
Montagem - Lufe Bollini
Finalização - Evandro Rigon
Colorização - Beatriz Ardenghi
Produção - Paulo Teixeira e Evandro Rigon
Produção Executiva - Franciele Machado, Sílvia Moglia Pedra Lopes, Christian Ludke e Silvia dos Santos
Designer - Elisa Bronzatto e Rolila Caetano
Som - Ivan Vargas, Edison Larronda, Wellington Duarte e Lucas Hoeppers
Produção Musical - Matheus de Carvalho Leite, Lucas Kinoshita e Guilherme Ceron
Desenho de Som e Mixagem - Clauber Scholles | Tamborearte Estúdio
Finalização de Som e Mixagem 5.1 - Leonardo Mocca | KF Studios

Serviço
Tambor Sem Fronteiras
Sessões comentadas e com entrada franca

Porto Alegre (RS)
Data - 08 de maio - sexta-feira
Local - Cinemateca Paulo Amorim
Endereço - R. dos Andradas, 736 - Centro Histórico - Porto Alegre (RS)
Horário - 19h30

Santa Maria (RS)
Data - 19 de maio - terça-feira
Local - Cineclube Lanterninha Aurélio - CESMA
Endereço - Rua Professor Braga, 55 - Centro - Santa Maria (RS)
Horário - 19h

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