Premiado longa Dolores estreia nas telonas


Filme de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar 
estreia no dia 04 de junho e traz no elenco as atrizes Carla Ribas, Naruna Costa, Ariane Aparecida e Gilda Nomacce, com participação especial de Zezé Motta e Teca Pereira

A Dezenove Som e Imagens e a Califórnia Filmes divulgaram a data de estreia de Dolores: 04 de junho. Realizado com equipe formada majoritariamente por mulheres, o longa encerra a trilogia do afeto, desenvolvida pelo cineasta Chico Teixeira, falecido em 2019. Exibido em mostras e festivais nacionais e internacionais, o filme é dirigido por Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar. Com produção de Sara Silveira, Eliane Bandeira e Maria Ionescu, conta também com a Misti Filmes como produtora associada e a GT Produções na coprodução. A distribuição é da Califórnia Filmes.

Dolores ganhou diversos prêmios em sua passagem por festivais. Mais recentemente, Carla Ribas, Naruna Costa e Ariane Aparecida, que fazem as personagens centrais, receberam, no 21º Panorama Coisa de Cinema, em Salvador, um prêmio em conjunto por suas atuações. Além disso, neste mês de maio o longa tem exibição na Inglaterra, na mostra Brazil on Film, do British Film Institute, que em seu programa destacou a “performance arrebatadora” de Carla Ribas.

Foto - Mujica Saldanha

A atriz interpreta a personagem-título, uma mulher de 65 anos que tem a premonição de abrir um cassino. Isso, porém, se torna um problema, uma vez que ela já foi viciada em jogos. Dolores tem uma relação tensa com a única filha, Deborah (Naruna Costa), mas é próxima da neta, Duda (Ariane Aparecida), que trabalha numa loja de armas e sonha em se mudar para os EUA.

Marcelo e Maria Clara retomam o projeto deixado por Chico e apontam como a questão do afeto se dá nos filmes da trilogia. “Um afeto que traz consigo ciúmes, ressentimentos, invejas, rejeições e frustrações. O primeiro filme é Casa de Alice (2007), que narra o drama de uma família cujos integrantes se toleram mutuamente por conta de limitações emocionais, sociais e financeiras. Já no segundo filme, Ausência (2014), aborda a adolescência de um jovem e a descoberta de seus primeiros conflitos existenciais e hormonais”, explicam os cineastas.

Foto - Mujica Saldanha

A personagem Dolores, assim como a Alice, de Casa de Alice, é uma mulher real com seus defeitos e encantos. “O Chico tinha feito uma vasta pesquisa com personagens reais que nos deu um bom suporte, mas ficção é outra coisa. Apesar da dura rotina na periferia de São Paulo, Dolores se recusa a deixar de sonhar com uma vida melhor. Esse é seu ato de rebeldia. Sonho e realidade de Dolores se misturam num jogo de cores e texturas. O onírico e real são dois mundos sem barreiras no inconsciente de Dolores. A periferia vira palco de vitórias magnânimas e transformações de realidades”.

A dupla da direção também assina o roteiro e aponta que a solidariedade e o sentido de comunidade são temas caros à trilogia e, em especial, a esse filme. “É muito comum à experiência feminina você aprender com as trocas quase secretas, em particular, que se dão exclusivamente com outras mulheres. São trocas e ensinamentos que se dão num abraço, numa conversa, no meio de um trabalho ou num esbarrão na rua, e que vão formando uma teia de ensinamentos que produzem sobrevivência física mas também existencial. Queríamos retratar isso. Esse mundo de mulheres que acordam cedo, dormem tarde, sonham acordadas e movimentam o constroem o nosso país”.

Foto - Mujica Saldanha

Eles destacam que trazer personagens femininas ao centro de Dolores é um gesto político de empoderá-las e colocá-las em posição de destaque. “O filme fala também de liberdade, esse conceito tão complexo e cheio de meandros. Aqui, as nossas mulheres não se permitem serem resumidas somente ao que a vida lhes deu como destino. Ou os sonhos que se espera que elas sonhem. Elas lutam para transformar realidade em sonho. E juntas conseguem cruzar as pontes”.

O filme já foi exibido no Festival Internacional de Roterdã, na Mostra de Tiradentes, no Festival de San Sebastian, onde fez sua estreia mundial, na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, no Festival do Rio e no Panorama Coisa de Cinema, em Salvador. Produzido pela Dezenove Som e Imagens, Dolores tem apoio da Spcine e do programa de Internacionalização Brasil no Mundo do Projeto Paradiso.

Sinopse

Foto - Mujica Saldanha

Às vésperas de completar 65 anos, Dolores tem uma premonição: sua vida vai mudar. Ela será dona de um cassino de sucesso. Mas seu passado de vício em jogo pode jogar contra ela. Deborah, sua única filha, espera a saída do namorado da prisão para começar uma nova vida, enquanto Duda, neta de Dolores, se agarra a uma oportunidade de trabalhar nos Estados Unidos. As três mulheres tentam transformar seus sonhos de uma vida melhor em realidade, apostando tudo ou nada.

Assista ao trailer:


Ficha técnica
Dolores
Brasil | 2025 | Drama | 84 min.
Direção e Roteiro - Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes
Roteiro Original - Chico Teixeira e Sabina Anzuategui
Elenco - Carla Ribas, Naruna Costa, Ariane Aparecida, Gilda Nomacce, Teca Pereira, Zezé Motta, Roney Villela, Bruno Kott e Mateus Fagundes
Direção de Fotografia - Joana Luz
Direção de Arte - Juliana Lobo
Montagem - Isabela Monteiro de Castro Araujo
Música Original - Felipe Botelho
Produção - Sara Silveira, Eliane Bandeira e Maria Ionescu
Coprodução - GT Produções
Produção Associada - Misti Filmes
Financiamento - BRDE, FSA e Ancine
Apoio - Spcine e Projeto Paradiso
Realização - Lei Paulo Gustavo, Ministério da Cultura | Governo Federal
Distribuição no Brasil - California Filmes

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