Dia de São Jorge - Como celebrar a tradição com uma alimentação mais equilibrada

Foto - Divulgação

Professora de nutrição da UVA explica como adaptar a feijoada sem abrir mão da saúde e perder o significado da data

Celebrado em 23 de abril, o Dia de São Jorge é uma das datas mais emblemáticas do calendário fluminense. Marcado por manifestações religiosas, homenagens e também pela tradicional feijoada, o dia convida à celebração e muitas vezes à mesa. Mas é possível manter os costumes sem exageros e com escolhas mais equilibradas.

Segundo a professora do curso de Nutrição Patrícia Souza, da Universidade Veiga de Almeida (UVA), a chave está no equilíbrio. “A alimentação é um momento de compartilhamento, além de fazer parte da expressão cultural. As tradições devem ser respeitadas e pequenos ajustes podem ser feitos a fim de permitir aproveitar o momento sem impactos negativos para a saúde”, destaca.

A feijoada costuma ser associada a excesso de gordura e calorias. No entanto, a docente explica que o prato pode ser adaptado sem perder sua essência. “Mesmo uma preparação tão reconhecidamente calórica pode ser mais leve e para isso a escolha das carnes usadas é de extrema importância. Basta reduzir a quantidade de carnes processadas, como linguiça, paio e bacon, além de orelha, rabo e pé, e priorizar cortes menos gordurosos, como carne seca magra”, orienta a professora.

Outra dica importante é o preparo. “Caso use carnes salgadas, realize a dessalga (retirada do sal) dentro da geladeira durante a noite e troque a água algumas vezes. Escalde as carnes para retirar um pouco da gordura e o restante do sal”, acrescenta.

O papel dos acompanhamentos

Se por um lado a feijoada é mais calórica, por outro, seus acompanhamentos podem ajudar a equilibrar a refeição. “A couve, por exemplo, é rica em fibras que aumenta a saciedade, e ajuda na digestão. Já a laranja contribui com vitamina C e auxilia na absorção do ferro presente no feijão”, explica a professora.

Ela ressalta ainda a importância de observar as quantidades. “O problema não está apenas no que se come, mas no quanto se come. Montar um prato equilibrado, com espaço para os vegetais, faz toda a diferença. O ideal é não passar longos períodos em jejum antes da refeição principal, pois isso pode levar a exageros. Também é importante intercalar o consumo de bebidas alcoólicas com água”, orienta Patrícia.

A hidratação, aliás, é um ponto de atenção. “Beber água ao longo do dia ajuda no funcionamento do organismo e contribui para uma melhor digestão”, diz. Para além dos aspectos nutricionais, a especialista destaca a importância de olhar para a alimentação de forma mais ampla, considerando seu valor simbólico.

“O Dia de São Jorge é uma data de fé e conexão. Comer de forma consciente, valorizando os alimentos e o momento com amigos e familiares, também é uma forma de cuidado com o corpo e com a mente”, ressalta. Ela reforça que não há espaço para culpa. “Uma refeição mais indulgente, dentro de um contexto equilibrado, não compromete a saúde. O que importa é o padrão alimentar ao longo do tempo”.

Dicas práticas para um Dia de São Jorge mais saudável
  • Prefira carnes magras e reduza embutidos na feijoada
  • Retire o excesso de gordura no preparo
  • Inclua couve e laranja no prato
  • Controle as porções e evite repetir
  • Beba água ao longo do dia
  • Modere o consumo de álcool
  • Consuma salada verde antes da feijoada
  • Evite compensações extremas antes ou depois da refeição
Para o dia seguinte

Caso haja exageros, a recomendação é retomar a rotina alimentar sem restrições radicais. “No dia seguinte, priorize alimentos leves, como frutas, verduras e preparações com menos gordura. E, novamente, invista na hidratação”, orienta a professora.

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