Rosas Periféricas - Memórias de Um Teatro Maloqueiro


Foto - Divulgação

Grupo da Zona Leste  de Sampa completa 10 anos e  comemora
com projeto programação aberta ao público

O Grupo Rosas Periféricas, atuante no Parque São Rafael, Zona Leste de São Paulo, realiza o projeto 'Rosas Faz 10 Anos - Memórias de Um Teatro Maloqueiro', contemplado na 34ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, com a realização de saraus, oficinas e teatro com grupos convidados. Todas as atividades são online e grátis com transmissão pelas redes sociais do grupo.

O projeto tem duração de dois anos e a primeira etapa já está em andamento. Neste mê de abril, acontecem três oficinas de arte para crianças e jovens, que se estendem até o final de maio, com inscrições pelo Facebook e Instagram do Grupo Rosas Periféricas: Brincadeiras de Rua com Fellipe Michelini, Escrita Criativa - Cenopoesia com Jô Freitas, e Percussão Afro-brasileira com Adriana Aragão.

Espetáculos teatrais de coletivos convidados também são exibidos pelas redes sociais do Rosas, às quintas e sábados de abril, às 20h: Tecendo Diálogos com As Caracutás e o infantojuvenil Caruru - Teatro-Bailinho com a CTI - Cia. de Teatro da Investigação.

No dia 24 de abril, acontece o Sarau da Antiga 28 Pergunta, que recebe Germando Gonçalves, idealizador do Sarau Urbanista Concerto, integrqando a série de encontros virtuais nos quais o Sarau da Antiga 28 (criado pelo Rosas Periféricas) recebe representantes desses tradicionais eventos para uma entrevista e justa homenagem.

Sobre o Projeto

O projeto 'Rosas Faz 10 Anos - Memórias de Um Teatro Maloqueiro' busca visibilidade e possibilidade de pesquisa para o grupo de teatro que trabalha em um dos extremos da grande metrópole.

“Queremos não só fazer parte como também narrar a história de dentro dela e poder dividir sonhos e possibilidades com outras mulheres e homens das comunidades”, são unânimes os integrantes (Gabriela Cerqueira, Michele Araújo, Paulo Reis, Monica Soares e Rogério Nascimento). Sua produção parte de pesquisas e estudos imersivos no universo da mulher e da criança, no trabalho e na memória do bairro. “Queremos atuar como referência para aqueles que querem produzir arte na região e nos conectar com quem já produz, tecendo redes e ampliando olhares”.

Durante dois anos, o projeto reunirá profissionais, artistas e projetos atuantes no mesmo universo do Rosas Periféricas, que compartilham experiências e trabalhos, tecendo uma rede cultural na periferia: Saraus convidados (Cooperifa, Urbanista Concreto, Kintal e Elo da Corrente), oficineiros de arte para crianças e jovens (oficinas de Brincadeiras de Rua, Percussão Afro-brasileira, Escrita Criativa - Cenopoesia, Passinho, Rimas e História do Funk), mulheres de representatividade no teatro no comando de rodas de conversa (Marta Baião e Fernanda Haucke) e coletivos teatrais com suas pesquisas e vozes inspiradoras (As Caracutás, Femisistahs, Buraco d’Oráculo, CTI Companhia Teatro da Investigação, Grupo Pandora e Cia. Bendita).

Uma mostra de repertório do Grupo Rosas Periféricas acontecerá ao longo do projeto com produções realizadas entre 2009 e 2019. As montagens que serão revisitadas: Vênus de Aluguel (2009), Rádio Popular da Criança (2013), Narrativas Submersas (2014), Lembranças do Quase Agora (2015), Labirinto Selvático (2016) e Ladeira das Crianças - TeatroFunk (2019), além da leitura dramática da peça A Mais Forte (2010) e apresentação da performance Fêmea (2012).

Na programação tem ainda a edição de um livro com a trajetória do grupo e a produção de um filme que vai registar todo o processo do projeto Rosas Faz 10 Anos, mostrando como é de fato ocupar o território periférico com arte e cultura. Ambos serão lançados em uma Festa-Exposição aberta à comunidade no fechamento do projeto.

Com esta jornada, o Rosas Periféricas pretende refletir sobre o próprio trabalho, a partir do distanciamento produzido pelo tempo e pela revisitação de sua obra, além de concretizar diálogos artísticos e comprovar que o público periférico pode e deve acessar a arte, mesmo que pareça algo distante. Confira abaixo a programação completa:

Oficinas para Crianças e Jovens

Escrita Criativa - Cenopoesia

A oficina ocorre a partir do cenário de saraus literários e slams de poesia, onde o corpo se torna um elemento fundamental para a expressão da palavra. Nessa oficina, por meio de jogos cênicos e exercícios de construção poética escrita e corporal, as(os) participantes vivenciam exercícios de consciência e expressão corporal individual e coletivamente, aliados à concepção de construção poética. Ao final, acontece apresentação de performances, cenas e poesias desenvolvidas na oficina.

Sobre a ministrante

Foto - Larissa Rocha

Jô Freitas é atriz, poeta e escritora. Artista nordestina, radicada em São Paulo há 25 anos, realizou seu projeto literário fora do Brasil, em 2017, no Peru, chamado Mulheres em Travessia, composição de poesia e audiovisual por meio das histórias das mulheres. Viajou para Moçambique e África do Sul no festival de poesia Poetas D’alma; lançou seu livreto Flores, em 2018; ministra oficinas de Cenopoesia em diversos espaços, desde e 2015. Também é idealizadora do Sarau Pretas Peri e integrante do Sarau das Preta. Com origens no teatro e da poesia, seu trabalho se insere no universo performático e fala essencialmente da mulher - negra, nordestina, periférica, assim como está em seu novo trabalho lítero-musical Poéticas do Bonfim.

Serviço
Escrita Criativa - Cenopoesia
Ministrante - Jô Freitas
Datas - 07, 14, 21 e 28 de abril e 05, 12, 19 e 26 de maio - quartas-feiras
Horário - 19h
Duração - 1h
Público alvo - a partir de 14 anos
Vagas - 20
Inscrições - online - Facebook/rosas.perifericas (plataforma Google Meet)
Grátis

Percussão Afro-brasileira

Ministrada por Adriana Aragão, a oficina de Percussão Afro-brasileira tem o objetivo de proporcionar aos jovens da comunidade uma vivência da cultura, da música e dos ritmos afro-brasileiros. O foco é a preservação de nossa diversidade cultural por meio de vivências e exercícios rítmicos com abordagem histórica (oralidade e prática da cultura de matriz africana), habilitando os participantes à prática de tocar um instrumento ou um objeto sonoro de forma consciente. Serão trabalhados os ritmos maracatu, samba reggae e coco.

Sobre a ministrante

Foto - Abnashi Fotografia

Adriana Aragão é percussionista, vocalista, compositora, arranjadora, arte-educadora, musicoterapeuta e pesquisadora da cultura do candomblé, há mais de 20 anos. Sua influência musical vem da família de origem nordestina e da própria religião. Tem o título de Yatèbèsé dentro do Candomblé: mãe que faz as súplicas, aquela que entoa os cânticos sagrados. Desde pequena recebeu permissão para tocar os tambores sagrados. Em 2004, fundou o Bloco Afro Ilú Obá De Min junto com Beth Beli e Girlei Miranda. Ministra cursos e oficinas: Dança dos Orixás, Ritmos dos Orixás - afro-brasileiros e populares, Canto dos Orixás e Percussão Geral. Dá aulas regulares de dança e percussão na sede do Ilú Obá De Min. Possui graduação em Musicoterapia pela Faculdade Paulista de Artes e pós-graduação em Ciência da Religião. Integra a Cia. Brasileiras de Mystérios e Novidades (teatro de rua) e Cia. São Jorge de variedades. É integrante e uma das regentes do Bloco Agora Vai e percussionista no Bloco Queen Magia.

Serviço
Percussão Afro-brasileira
Ministrante - Adriana Aragão
Datas - 09, 16, 23 e 30 de abril e 07, 14, 21 e 28 de maio - sextas-feiras
Horário - 18h
Duração - 1h
Vagas - 20 vagas
Público alvo - a partir 14 anos
Inscrições - online - Facebook/rosas.perifericas (plataforma Google Meet)
Grátis

Brincadeiras de Rua

Foto - Giuliana Cerchiari

A oficina convida crianças a partir de 7 anos para a criação de um espaço online de jogos, brincadeiras e construção de brinquedos. Com muita diversão, alegria e arte, Felipe Michelini conduz os pequenos pelo universo lúdico dos jogos, das cantigas e dos brinquedos de diferentes regiões do Brasil. A oficina é composta por sete encontros online. A cada aula, Felipe e as crianças vão brincar de imaginar, contar histórias, reinventar os espaços das casas, construir brinquedos e criar jogos. A oficina promete ser um espaço online para todos contarem suas histórias, levar suas vivências e inventar novas brincadeiras para descontrair nesse momento de isolamento social.

Sobre o ministrante

Felipe Michelini é arte-educador, ator e palhaço. Formado em Licenciatura em Arte-Teatro (UNESP) e Mestrando em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP. É professor da Rede Pública Municipal de São Paulo, onde desenvolve pesquisa como professor-palhaço, misturando a filosofia da palhaçaria com as práticas educacionais. Atua como arte-educador em espaços públicos, ministrando oficinas de teatro e aulas de arte para crianças, jovens e adultos. Lecionou na E.E. Joaquim Suarez; ministrou oficinas de teatro na Casa de Cultura São Mateus, foi artista orientador no projeto Ademar Guerra e no Programa Vocacional. Como ator, trabalhou em 10 espetáculos de diferentes companhias, entre eles O Rio (apresentado no Brasil e na Cidade do México). Fundou a Cia. de Achadouros, onde atua em O Espetáculo Mais Prestigioso do Século e Os Lavadores de Histórias e pesquisa as poéticas do teatro infantil. Estudou teatro, educação e palhaçaria com Sue Morrison (CAN), Cida Almeida, Tereza Gontijo, Luiza Christov, Eliane Bruno, Alexandre Mate e outros. Atualmente é professor de artes da EMEF José Maria Whitaker e Professor Supervisor do programa PIBID de Iniciação à Docência.

Serviço
Brincadeiras de Rua
Ministrante - Felipe Micheline
Datas - 10, 17 e 24 de abril e 01, 08, 15 e 22 de maio - domingos
Horário - 11h
Duração - 1h
Vagas - 20
Público alvo - a partir de 7 anos
Inscrições - online - Facebook/rosas.perifericas (plataforma Google Meet)
Grátis

Teatro - Grupos Convidados

Espetáculo Tecendo Diálogos

Foto - Andressa Santos

Tecendo Diálogos é “pesquisa em movimento” com foco nas lutas e nos saberes das mulheres da região do Parque São Rafael e imediações. O universo dos valores femininos norteia o espetáculo como uma procura pela força da resistência e do cuidado, pela paixão e inocência - dualidade peculiar ao feminino. A linguagem cênica reúne artifícios teatrais (incluindo o teatro narrativo) junto às danças populares brasileiras e ao canto em diálogo com o contemporâneo. A força e leveza da dança e do trabalho de corpo são fundamentais para as histórias de 12 mulheres: histórias que invertem os valores machistas, traçando paralelos e unindo mulheres em suas diversidades. Monica Soares e Ester Lopes recriam as vivências dessas mulheres em diálogos cênicos que partem das lembranças da infância, da juventude e da sabedoria trazida pelo tempo. O espetáculo mergulha no estado do corpo em cada expressão de vida, seja ela alegre, agitada, tímida, cuidadosa ou acanhada. O enredo passa pelos lugares do trabalho, da relação com o próprio corpo, da violência sexual, da fé, da espiritualidade e da maternidade. Cada personalidade é também traduzida por um ritmo da tradição popular.

Sobre o Coletivo

As Caracutás - O coletivo, fundado, em 2017, por Ester Lopes e Monica Soares (artistas e educadoras residentes em regiões periféricas), pesquisam as artes do corpo (dança e teatro) com foco na cultura popular brasileira e suas intersecções com o contemporâneo nas grandes cidades. O trabalho é calcado em fomentar e estudar as artes junto à população periférica, diante da escassez de equipamentos culturais nessas regiões.

Ficha técnica
Tecendo Diálogos
Texto, Dramaturgia, Direção e Cenário - As Caracutás
Elenco - Ester Lopes e Monica Soares
Preparação Corporal - Mika Rodrigues
Sonoplastia - Mika Rodrigues e Rodrigo Dias
Arranjos Musicais - Mika Rodrigues e Anderson Machado
Operação de Som - Thabata Bluntrit
Iluminação - Everton Santos e As Caracutás
Orientação de Iluminação- Gabriela Cerqueira
Operação de Luz - Jhuly Souza
Figurinos e Adereços - Isa Santos
Maquiagem e Cenotécnica - Thabata Bluntrit
Fotografia/Espetáculo e Filmagem/Entrevistas - Andressa Santos
Filmagem e Edição/Espetáculo - Mazze Filmes
Produção Geral e Idealização - As Caracutás

Serviço
Tecendo Diálogos
Com As Caracutás
Data - 08, 10 de abril - quintas e sábados
Horário - 20h
Duração - 60 minutos
Classificação - 12 anos
Exibição - Facebook: @rosas.perifericas | Youtube/RosasPeriféricas
Grátis

Caruru - Teatro-Bailinho

Foto - Gustavo Guimarães

Tem muita coisa nesse mundo que é de se admirar! No lugar onde o rio que corre parou de correr, Luzia, a menina lavadeira, já não consegue mais lavar suas roupas e quando sua história se encontra com a de “Mininu”, aquele que segue uma estrela em busca de uma festa de aniversário, suas estórias são transformadas. Seguindo o Zé Viajeiro eles vão até o terreiro do fundo da casa de Zabé a Bonequeira, em busca de realizarem seus sonhos. Dizem que foi lá que o mundo se deu tal qual a gente conhece. Caruru - Teatro-Bailinho é um espetáculo infantojuvenil da CTI, fundada em 2003, cuja trajetória reverencia o teatro popular levando à cena pessoas comuns do Brasil por meio dos festejos populares como lugar de encontro das crianças. A encenação parte da cabaça - “da cabaça se fez o mundo” -, que é o elemento ressignificado, criando um mundo de encantamentos.

Ficha técnica
Caruru - Teatro-Bailinho
Direção - Cida Almeida
Elenco - Carol Guimaris, Cris Camilo, Geovane Fermac e Harry de Castro
Dramaturgia - Edu Brisa
Direção Musical - Fernando Alabê
Preparação Corporal e Vocal - Carlos Simioni
Colaboração em Figurinos e Adereços - Karine Lopes
Registro Audiovisual e Fotos - Gustavo Guimarães
Cenografia e Figurinos - A Cia.

Serviço
Caruru - Teatro-Bailinho
Com CTI - Cia. de Teatro da Investigação
Data - 15, 17, 22 e 24 de abril - quintas e sábados
Horário - 20h
Duração - 50 minutos
Classificação - livre
Exibição - Facebook - @rosas.perifericas | Youtube/RosasPeriféricas
Grátis

Saraus

Sarau da Antiga 28 Pergunta

Serão quatro encontros virtuais ao vivo, como visitas e homenagens a saraus tradicionais de São Paulo, cuja experiência irá nortear suas novas edições. A ideia dos encontros é entender como é a dinâmica de cada um, conhecer suas histórias e reverenciá-los. Mas não será somente uma entrevista, há também lugar reservado para momentos de literatura marginal com poesias e lançamento de livro. O Rosas Periféricas começou a participar de saraus em 2015; em 2016, criou o Sarau da Antiga 28, propondo discussões e reflexões sobre temas como política, mulheres, América Latina e cor da pele, tudo regado a muita poesia, lida e inventada. O nome vem do endereço da primeira sede do grupo, cuja Rua Martin Lumbria era mais conhecida como “antiga Rua 28”, no Parque São Rafael. Nomes como Marta Baião (atriz, dramaturga e diretora), Germano Gonçalves (escritor), Walner Danziger (escritor), Juliana Morelli (atriz e artista plástica) e Coletivo Via (artes visuais) e as bandas ArmaMentes, Fuga Operária e ManaTiana já passaram pelo Sarau da Antiga 28.

Serviço
Sarau da Antiga 28 Pergunta
Com Gabriela Cerqueira, Michele Araújo, Monica Soares, Paulo Reis e Rogério Nascimento
Data - 24 de abril - sábado
Horário - 17h
Duração - 60 minutos
Classificação - livre
Transmissão - Facebook/rosas.perifericas | Youtube/RosasPeriféricas
Grátis

Sarau Urbanista Concerto
Convidado - Germano Gonçalves

O Sarau Urbanista Concreto é um evento ligado à poesia e a literatura, focado na literatura urbana marginal, com sede na Organização Força Cultural, no Parque São Rafael, zona leste de São Paulo. Quando presencial, é realizado no terceiro sábado do mês, apresentado pelo idealizador Germano Gonçalves e realizado voluntariamente. O sarau é aberto sem limite de idade, poder econômico, religião, raças ou etnias. Sua filosofia é ser democrático e fomentar a cultura por intermédio da leitura, buscando incentivar comunidade. Com o sarau, Germano desenvolve estilo e método que contemplam o convívio coletivo, a poesia livre e o estimulo à leitura, no processo de apreciação e colaboração com foco na literatura urbana marginal periférica divergente.

Sobre o convidado

Foto - Divulgação

Germano Gonçalves é poeta, escritor e professor de História e Geografia da Rede Estadual de Ensino de SP. Idealizador do Sarau Urbanista Concreto, ele possui três obras publicadas: O Ex-Excluído (poemas, 2014), Literatura Urbana Marginal-arte na Periferia (ensaio social sobre literatura marginal, 2016) e Contos Marginais (2017). Participa de coletâneas literárias e concurso de poemas e contos. Ministrou oficinas de literatura marginal em ONGs e casas de cultura; foi coordenador de sala de leitura no Projeto Gente; e integra a Força Cultural em assuntos literários, além de ministrar palestras de incentivo à leitura e literatura marginal em escolas e instituições.

Serviço
Sarau Urbanista Concerto
Data - 24 de abril - sábado
Horário - 17h
Grátis

Próximos Saraus

Sarau do Kintal
Com Akins Kintê
Data - 29 de maio - sábado
Horário - 17h

Sarau Elo da Corrente
Com Douglas Silva
Data - 26 de junho - sábado
Horário - 17h

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