Voluntariado Myra: consolidação e ampliação de sessões de leitura online



Estimular a leitura pelas crianças, por meio de encontros semanais virtuais de estudantes do 4º ao 6º ano foi o novo formato de voluntariado do programa Myra em meio a pandemia e ao isolamento social de 2020.

Iniciativa criada há cinco anos pela Fundação SM e que conta com o apoio técnico da Comunidade Educativa CEDAC, o programa, que antes acontecia presencialmente em escolas públicas de São Paulo, precisou se adaptar para o modelo remoto. De 2016 a 2019, mais de 300 voluntários se encontravam semanalmente com as crianças e realizavam sessões de leitura nas escolas do grupo de acompanhamento e nos Pontos Myra - ONGs e instituições que utilizam a metodologia do Programa de forma independente.

No início de 2020, com a nova realidade imposta pela Covid-19, as escolas foram fechadas e, como tantos outros projetos, o Myra se reinventou. Em julho de 2020, ainda sem previsão da reabertura das escolas, foram iniciadas as sessões online com um grupo piloto de doze voluntários e crianças.

Se no formato presencial era possível cada um levar livros de casa ou escolher nas bibliotecas escolares, agora era preciso garantir que a dupla tivesse acesso às mesmas obras, podendo realizar leituras simultâneas e compartilhadas. Para isso, a Fundação SM enviou kits de livros para esse grupo, a CEDAC organizou salas de videoconferência para cada dupla e manteve todo o apoio para que as sessões acontecessem, com acompanhamento semanal de uma mediadora e realização quinzenal de plantões de dúvidas.

Com o bom resultado do grupo piloto, em setembro ampliou-se para 30 duplas, que seguiram juntas até o fim de 2020, desta vez com kits de livros fornecidos pelas próprias escolas parceiras. Por estar em ambiente virtual, a leitura de sites, blogs, livros digitais e uso de vídeos, que já acontecia nas sessões presenciais, ficou ainda mais presente, diversificando bastante os tipos de conteúdo e as modalidades de leitura.

Para isso, foi feita uma pesquisa de acessibilidade entre crianças participantes do projeto e voluntários. Atualmente, duas escolas paulistanas participam do programa: EMEF Cacilda Becker, na zona sul e Escola Estadual Alfredo Paulino, na zona oeste da cidade.

Pontos Myra

Foto - Jacob Bosch

O Myra conta ainda com pontos que funcionam como parceiros, como ONGs da Grande São Paulo, entre elas a Trapézio e a ARTESIM e ainda a EMEF Rodrigues Alves e o CCA Liga Solidária.

Ponto Myra é todo local onde acontecem as sessões de leitura seguindo a metodologia e as orientações do Programa Myra. A coordenação capacita os gestores desses locais e dá apoio às instituições, disponibilizando gratuitamente todo o material, além de oferecer consultorias durante todo o período de realização das sessões de leitura na instituição.

Podem se tornar Pontos Myra instituições formais ou coletivos, como escolas públicas, secretarias de educação, organizações da sociedade civil, bibliotecas ou associações. É importante que esses locais ofereçam atendimento regular a crianças já alfabetizadas de 9 a 12 anos.

Voluntários

Foto - Divulgação/SM Educação

Para fazer parte do programa Myra não é preciso ser da área de educação. Entre os voluntários do projeto, estão profissionais das áreas de educação, cultura, artes, comércio, letras, além de aposentados. Os principais critérios para se tornar um voluntário Myra são a relação com a leitura e o desejo de compartilhá-la uma vez por semana.

Para participar, é preciso saber ler, ter disponibilidade e vontade de compartilhar a leitura, seja tendo como suporte um jornal, revista, livro ou até mesmo as instruções de um jogo. Funciona da seguinte forma: por um link, o voluntário entra em contato com o estudante, que é previamente monitorado pela gestora da escola e pela equipe de apoio do projeto. A sessão acontece de casa, com duração aproximada de uma hora, sempre com anuência da família e indicação prévia da escola.

No modelo online de 2020, foi possível contar com voluntários de diversas localidades, mesmo no acompanhamento de alunos de escolas da cidade de São Paulo. Além de diversos municípios da região metropolitana, participaram voluntários de Minas Gerais e até Maputo (Moçambique).

A seleção das crianças é feita pela coordenação pedagógica do programa, em parceria com as escolas e ONGs participantes. Não precisa ser necessariamente leitura literária, uma vez que a leitura está presente em diversos lugares e suportes. O importante é que se estabeleça um vínculo de respeito e confiança com a criança e que os seus desejos e interesses sejam acolhidos, sempre que possível.

Essa atitude possibilita a continuidade do trabalho e o aperfeiçoamento gradual das competências leitoras das crianças. Lembrando que o Myra é voltado para estudantes do 4º ao 6º ano do ensino fundamental de escolas públicas.

“Diversidade de gêneros, poemas, contos, fábulas, reportagens, regras de jogo. O que determina a leitura a ser realizada na sessão é principalmente o gosto do voluntário e da criança, além disso, o que mais desafiar a ambos. Semanalmente, o voluntário preenche um formulário para registrar o que foi lido e apreciado. E, com isso, o Myra vai fazendo também um mapeamento das leituras e a formação desse voluntário, ampliando suas referências leitoras. Tudo sempre pautado por uma matriz de avaliação de leitura, onde são indicados os descritores, prevendo o desenvolvimento de alguns comportamentos, competências e habilidades leitoras”, diz Cristiane Tavares, coordenadora pedagógica do projeto.

Em sua fase remota, o desafio do Myra em 2021 segue sendo o uso maior da leitura digital. Com a pandemia e o fechamento dos espaços compartilhados de leitura, entram computadores, tablets, celulares e outros recursos tecnológicos digitais, além dos livros emprestados das bibliotecas e salas de leitura temporariamente fechadas.

Para garantir a sintonia entre os voluntários e estudantes durante a leitura remota, o programa preparou kits de livros para que voluntários e crianças tivessem material em comum. Além disso, o programa disponibiliza encontros formativos ao longo do ano e um plantão quinzenal para os voluntários tirarem dúvidas com a mediadora de leitura que integra a equipe pedagógica O acompanhamento das sessões pela equipe Myra mantém o vínculo e a interação potencializados neste momento de isolamento social.

“O Myra é um programa com um impacto tremendo, tanto na vida das crianças, quanto na dos voluntários. A pandemia exigiu que fizéssemos alguns ajustes para viabilizar os encontros de maneira virtual e estamos muito contentes por ter conseguido nos adaptar a esse novo cenário, garantindo que as crianças com mais dificuldades fossem atendidas. Para 2021, pretendemos expandir o número de crianças atendidas. Ainda no primeiro semestre devemos publicar um edital para abrir novos Pontos Myra”, afirma Mariana Franco, gerente da Fundação SM.

“Qualificar cada vez mais a mediação de leitura durante as sessões é um objetivo permanente do Myra. Por isso, os encontros formativos realizados ao longo de todo o ano com os voluntários são imprescindíveis e constantemente aperfeiçoados. Especificamente para 2021, temos como uma das principais metas ampliar o atendimento das crianças nos Pontos Myra, para que o programa efetivamente se expanda por todo o país”, finaliza Cristiane Tavares.

Para mais informações sobre o Programa Myra clique aqui.

Postar um comentário

0 Comentários