'Loucas': quando uma vida é apagada pelo preconceito


Carolina Stofella é Maria do Pílar em 'Loucas'. Foto - Thaís Boneville

Espetáculo inédito no Brasil faz curta temporada online este mês

Escrito em 2009 pela dramaturga uruguaia Sandra Massera, o texto 'Loucas', inédito nos palcos brasileiros, estreia no dia 12 de março em formato online. A peça traz no elenco a atriz Carolina Stofella e o cantor Gilberto Chaves, com direção de Dan Rosseto.

Essa é a terceira peça da parceria da atriz com o diretor, já tendo trabalhado juntos nas produções de 'Enquanto as Crianças Dormem' (2017) e 'Eles não usam Black-Tie' (2018). Além disso, o espetáculo marca a estreia do produtor Fabio Camara fazendo a sua primeira tradução para teatro.

A história começa a ser contada no ano de 1882 com Maria do Pílar, ainda uma jovem mulher, escrevendo a sua primeira carta, dentro do hospital psiquiátrico, para a família. Nela aparecem os relatos de sua rotina, a convivência com as companheiras, os tratamentos médicos aplicados, a falta que está sentindo do mundo externo e de tudo que lhe foi retirado à força.

A partir desse momento, e durante os próximos 30 anos, acontecem uma série de troca de cartas com familiares e amigos. Pílar sempre afirmará estar lúcida e saudável, em perfeito estado mental, além de solicitar, e até implorar por uma alta médica para até mesmo ser enviada para um convento.

Todas as respostas recebidas, para as suas diversas cartas, começam com palavras de conforto e incentivo, falando que a internação é somente por um período e que em breve será transferida, mas isso nunca ocorre.

O problema é sempre passado adiante começando pelo seu pai, transferido para o seu irmão e chegando até a sua sobrinha que nem era nascida na época em que foi internada, porém todos tem uma desculpa para não tirá-la.

O passar dos anos faz a interna se questionar sobre o tempo, como estará o mundo do lado de fora, o uso contínuo dos remédios e tratamentos oferecidos, além de achar que talvez esteja ficando louca.

Pílar, como tantas outras, acaba os seus dias dentro de um hospital psiquiátrico, esquecida pela família e sociedade. É mais uma mulher, mãe, artista, mas acima de tudo um ser humano, proibida de existir, somente por pensar diferente dos outros.

 Gilberto Chaves e Carolina Stofella. Foto - Thaís Boneville

A personagem não representa apenas a história de Pílar, mas de diversas mulheres que foram obrigadas a renunciar a suas vidas, trancadas em sanatórios exclusivamente por raciocinar, questionar e ter opinião. Outros temas presentes no espetáculo e ainda muito atuais são o cerceamento aos direitos de escolha, as relações tóxicas e os preconceitos.

Um dos destaques da montagem são as canções executadas ao vivo pelo tenor Gilberto Chaves, dando uma emoção a mais para a personagem Maria do Pílar durante os mais de 30 anos de confinamento que viveu dentro de um hospital psiquiátrico.

Este projeto foi contemplado pela Lei Aldir Blanc n°14017/2020 / Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, ProAC e Governo Federal.

Sobre a autora
Sandra Massera nasceu em Montevidéu, em 1956, é dramaturga, diretora de teatro, atriz e professora. Formada pela escola Municipal de Arte Dramática e pelo Instituto de Professores Artigas. Escreveu diversos textos para teatro e três óperas. Suas obras para teatro têm recebido diversos prêmios, entre eles, Prêmio Florencio da Crítica pelo melhor texto nacional; Prêmio Nacional de Literatura do Ministério da Educação e Cultura; Prêmio Juan Carlos Onetti; Prêmio da Comissão do Fundo Nacional de Teatro, Museo Vivo de Titere/MEC, entre outros. É fundadora e diretora do Grupo de Teatro Umbral em Montevidéu desde 1998, grupo independente que tem levado diversos textos aos teatros e em festivais internacionais, como Argentina, Chile, Brasil, Estados Unidos, França e Espanha.

Sobre o diretor
Diretor e dramaturgo, Dan Rosseto atua desde 1996 na área teatral. Já dirigiu mais de 30 espetáculos e tem 05 peças de sua autoria encenadas. Destaque para 'Ritual dos 7' (2006), 'O Colecionador' (2007), 'Quando as Máquinas Param' (2008), 'Lisbela e o Prisioneiro - O Musical' (2015), 'Tadzio' (2015), 'Enquanto as Crianças Dormem'(2017), 'Diga que Você já me Esqueceu' (2018), 'Eles não usam Black-Tie' (2018), 'Nunca Fomos tão Felizes' (2019) e 'Duosolo' (2019). Já trabalhou com nomes como Teca Pereira, Cleto Baccic, Fred Silveira, Caco Ciocler, Sônia Guedes, Kleber Montanheiro, Sergio Ferrara, Gustavo Haddad, Lucas Romano, Nicole Cordery, entre outros. Recebeu diversas indicações e premiação por trabalhos em dramaturgia e direção. Em 2018 recebeu o troféu Nelson Rodrigues como personalidade do teatro.

Sobre a atriz
Atriz e bailarina, Carolina Stofella é formada pela CAL. Atuou nos espetáculos: 'Viagem ao Centro da Terra', vencedor do Prêmio Shell Especial de Montagem em 2001, 'En’dependência' de João Brandão, prêmio Coca-Cola de Melhor Dramaturgia, 'A Antessala' com direção de Ernesto Picollo e 'Alices', com direção de Leo Gama. Com Dan Rosseto esteve em 'Enquanto as Crianças Dormem' e 'Eles não usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri. Os dois espetáculos somam 05 prêmios paulistas. Estudou dez anos de Ballet Clássico e atualmente faz sapateado, dança e canto. No cinema atuou em 'Talvez' e 'Pelas Minhas Próprias Mãos, de Felipe Sassi e 'Histórias íntimas, de Julio Lellis, longa vencedor do Cubo - Festival de Cinema do Rio e Melhor Doc. Drama no Los Angeles Brazilian Filme Festival 2014.

Sobre o cantor
Tenor lírico, Gilberto Chaves foi premiado nos Concursos de Canto Vozes do Brasil e Bidu Sayão, foi bolsista da Hochschule für Musik de Karlsruhe/Alemanha, tenor solista da Cia. Brasileira de Ópera e, também, da Cia. de Ópera Curta. Participou dos musicais 'O Fantasma da Ópera' em suas duas montagens no Brasil (2007 e 2018) e 'A Bela e a Fera' (2009). Foi integrante do Coral Paulistano do Theatro Municipal de São Paulo. Preparador vocal dos elencos das superproduções brasileiras da Broadway como: 'O Fantasma da Ópera' e 'West Side Story', além das peças 'Manual Para Dias Chuvosos' e 'Divino Maravilhoso'. É professor de canto e graduando em Fonoaudiologia.

Sobre o produtor e tradutor
Fabio Camara é produtor e assessor de imprensa, atuando desde 2011 na área teatral. Produziu e assessorou os espetáculos 'Manual para Dias Chuvosos' (2014), 'Antes de Tudo' (2015), 'Enquanto as Crianças Dormem' (2017), 'Diga que Você já me Esqueceu' (2018), 'As Loucuras que as Mulheres Fazem' (2018), 'Entre! A Porta está Aberta' (2018), 'Eles não usam Black-Tie' (2018), 'Nunca Fomos tão Felizes' (2019) e 'Duosolo' (2019). Atuou como assessor de imprensa para mais de 100 peças nos últimos 03 anos, destaque para: 'Até que o Casamento nos Separe', 'Roleta-Russa', 'O Novo Rei de Beléleu', 'Memórias (Não) Inventadas', 'Blink', 'Um Dez Cem Mil Inimigos do Povo', 'Mente Mentira', 'A Dama da Noite', 'A.M.A.D.A.S', 'Hoje é Dia de Maria - O Musical', “Palhaços' e 'Operetinha do Sapato Falador.

Ficha técnica
Loucas
Texto - Sandra Massera
Diretor - Dan Rosseto
Direção de Produção e Tradução - Fabio Camara
Elenco - Carolina Stofella e Gilberto Chaves
Figurinista - Kléber Montanheiro
Iluminador - César Pivetti
Cenografia - Dan Rosseto
Visagismo - Louise Hèlene
Operador de Luz - Herick Almeida
Operador de Som - Beto Boing
Operação de vídeo - Luiz Motta
Fotos - Thaís Boneville
Designer Gráfico - Leilane Bertunes
Assessoria de Imprensa - Fabio Camara
Social Midia - Kyra Piscitelli

Serviço
Loucas
Temporada - de 12 a 28 de março
Horário - sexta e sábado às 20h, e domingo às 18h
Duração - 50 minutos
Local - Sympla (clique aqui)
Ingressos - grátis
Classificação - 12 anos
Mais informações no Facebook aqui e Instagram aqui

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