Musical 'Das Ruas, um Orfeu de Mochila' estreia online e ao vivo


Foto - Roberto Nakashima

Orfeu é o típico jovem paulistano que toca pandeiro, tem pressa e anda pelas ruas com sua mochila pesada nas costas, jeans e bota. Ao som de samba, funk, rap, pop e gospel, a mitologia grega é transposta para a realidade das periferias com ritmo ágil e dinâmico. Vencedor em sete categorias de prêmio de teatro independente, fala da importância de ter protagonistas negros no teatro musical

Da mitologia grega para as periferias paulistanas, a dramática história de amor de Orfeu e Eurídice ganha vida nas periferias de Sampa. Encenado pelo grupo Tô em Outra Cia e dirigido ao público jovem, entre 12 e 29 anos, o espetáculo 'Das Ruas, um Orfeu de Mochila - O Musical' faz apresentações no formato digital e gratuito nos dias 01 e 02, 08 e 09, 15 e 16 de março, segundas e terças, às 20 horas. A encenação acontece ao vivo com atores e banda no palco do Viga Espaço Cênico. As transmissões serão pelo YouTube e redes sociais do grupo.

O herói grego da montagem é o jovem mais desejado da região, enquanto a sua amada é uma visitante que atrairá olhares impiedosos na comunidade. Separados por um rio, eles lutarão pelo seu amor em um caminho cheio de pedras e obstáculos cruéis.

O enredo original, criado por Andreza Rodrigues e Thuane Campos, aposta na mescla da fantasiosa mitologia grega com a dura realidade da população menos favorecida nos centros urbanos. As personagens da narrativa de Orfeu são representadas por moradores de uma comunidade carente de São Paulo.

O espetáculo é composto por 15 músicas e tem duração de 1h20. Tendo como pano de fundo a história dos dois amantes que se apaixonam perdidamente, o grupo propõe uma importante reflexão sobre a realidade das periferias e do jovem negro com poucas oportunidades na vida.

Foto - Roberto Nakashima

Os temas abrangem a mídia, a estrutura de saúde pública, o protagonismo negro e a criminalidade nas regiões onde as personagens moram e trabalham. A descoberta do amor, o início da vida profissional e as relações estabelecidas com o tráfico são outros assuntos abordados no espetáculo.

Jorge Alves, diretor artístico, ressalta que a peça trata, ainda, da importância de ter cada vez mais protagonistas negros no teatro musical brasileiro. “O elenco, em sua maioria atores profissionais negros, interrompe um estereótipo de espetáculos desta estética, em que quase 90% das produções não tem atores negros”, declara.

"Orfeu se apaixona por Eurídice. Cada um mora de um lado do rio. A força que impulsiona o jovem a ir em busca de sua amada deixa claro que é preciso mais que amor para se transitar como cidadão no caos urbano. O amor de Orfeu por Eurídice, então, fere a rotina da comunidade e seus moradores reivindicam que tudo volte ao normal. O enredo pretende mostrar, assim como as tragédias gregas, que não devemos depender de um “herói” para busca da felicidade, do amor e da amizade, mas com a união do coletivo, tudo pode ser conquistado e trazer benefícios pessoais", finaliza Jorge Alves.

Escrito em 2012 e apresentado por dois anos em periferias e no interior do estado com o apoio do projeto Vizinho Legal, ação social da Roche Brasil na comunidade do Jaguaré, e com o patrocínio do Programa Aprendiz Comgás (PAC), iniciativa da Comgás em parceria com a Associação Cidade Escola Aprendiz.

Em 2018, o musical ganhou sete prêmios com voto popular nas categorias Melhor Ator e Atriz Codjuvante, Melhor Ensamble, Melhor Coreografia, Melhor Cenário e Figurino e Melhor Texto Adaptado no III Prêmio MP de Teatro Musical Independente.

Foto - Roberto Nakashima

Sobre as personagens

Pensado para ecoar os sentimentos das personagens, o coro é a voz do povo, o narrador. “Como quando estamos no metrô ou no ônibus, cercado, por uma grande multidão que segue o mesmo caminho. É o pessoal da comunidade brincando de contar história. Como se quisessem dizer: ei, vamos brincar de teatro?. E ali iniciam a atuação”, comenta Jorge.

Orfeu é o típico jovem paulistano, anda com sua mochila pesada pelas ruas, tem pressa, uma pressa de amor e de recuperar a vida de Eurídice. Todos no coro também usam mochilas, carregam histórias e tem pressa. Assim como no mito, ele também toca um instrumento. Neste musical, o pandeiro, que representa um refúgio para todos, alegrando e animando todos a seguir em frente. Quando Orfeu para de tocar, todos se mantém em luto com ele.

Eurídice é um ser lúdico, carrega balões no pulso e ao mesmo tempo tem o pés no chão. Determinada, ela sai de muito longe pra conseguir sua independência todos os dias. E nesse caminho encontra Orfeu. Dandara, mãe de Orfeu, é alegre e querida por todos. A Menina do Trem é a pivô que faz a tragédia acontecer. Apaixonada por Orfeu ela o persegue. Inconformada, vive estacionada na vida. Aristeu, irmão da Menina do Trem, é prático e direto. Trabalha com coisas escusas na comunidade. Demonstra em pequenos fragmentos afeto pela irmã.

A mãe de Aristeu é o inverso de Dandara. Uma mãe cansada das confusões de seus filhos e que não tem voz ativa. Tem ainda o youtuber, o cara que deixa a galera ligada no que está acontecendo. Ele narra e participa dos "vídeos" dos amigos. Completa o elenco de personagens o Mister Master, o sensacionalista, apresentador de um reality show onde a tristeza vira ibope. Ele não quer saber se vai ajudar ou não: jogo é jogo e ele só quer vencer a concorrência.

Sobre o Tô em Outra Cia. de Teatro

Grupo de pesquisa e repertório, criado em 2012, com sede no Jaguaré. O grupo foca seu trabalho na relação entre periferia e mitologia grega e direciona seus espetáculos sempre ao público jovem. Possui cinco espetáculos no repertório, sendo três autorais (entre eles 'Um tempo para o infinito', de Andreza Rodrigues e Thuane Campo), um de Hugo Possolo, 'Cérebro à vinagrete', e outro de Marcelo Romagnoli, 'Filosofia da Revolução'.


Foto - Roberto Nakashima

Sinopse

Era um dia de festa. Dois amores se encontram. Orfeu e Eurídice, trazendo em suas mochilas seus encantos, músicas e alegrias. Ela com seus balões e ele com seu pandeiro encantado. Juntos encontram o amor, mas um acontecimento inesperado muda tudo. Orfeu terá que provar o quanto ama Eurídice, a “doidinha dos balões”. Texto baseado na mitologia grega (mito de Orfeu) e adaptado para os dias atuais.

Ficha técnica
Das Ruas, um Orfeu de Mochila - O Musical
Direção Artística - Jorge Alves.
Texto - Andreza Rodrigues e Thuane Campos
Revisão e Texto Final - Liana Ferraz. Letras de Jorge Alves, Andreza Rodrigues, Liana Ferraz e Thuane Campos
Elenco - Lissin (Orfeu), Uédia Alves (Eurídice), Andreza Rodrigues (Menina do Trem) Lucas Cuevas (Aristeu), Bruna Grasselli (Coro e Bia), Cinthia Tomaz (Coro), Claudine Palhàres (Coro e Mãe da MT e Aristeu) Gustavo Medeiros (Mr. Master e Coro), Victor Bruno (Youtuber e Coro), Thayna Rodrigues (Dona Dandara e Coro) e Thuane Campos (Coro)
Assistente de Palco - Cinthia Tomaz 
Músicas - Jorge Alves
Arranjos - André Santos e Paulo Henrique Costa
Direção Musical - Paulo Henrique Costa
Direção de Movimentos e Coreografia - Gustavo Medeiros
Músicos Interpretes - Alex Correa (Viola), Janssen Lima (Violão e Guitarra), Júlio Lino (Baixo), Paulo Henrique Costa (Violino) e Tunuka (Percussão)
Cenografia - Andreza Rodrigues e Jorge Alves
Figurino - Andreza Rodrigues e Jorge Alves
Design de Luz - Fernando Ferreira
Design de Som - Randar Sound
Programação Visual - Jorge Alves
Assessoria de Imprensa - Macida Joaquim e Fernanda Teixeira | Arte Plural

Serviço
Das Ruas, um Orfeu de mochila - O Musical
Temporada - 01, 02, 08, 09, 15 e 16 de março - segundas e terças-feiras
Horário - 20h
Local - YouTube aquiInstagram aqui e Facebook aqui
Grátis

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