Por que não vivemos?, da obra Platonov, de Anton Tchekhov, será realizada no formato digital


O elenco conta com Camila Pitanga (foto), Cris Larin, Edson Rocha, Josy.Anne, Kauê Persona, Rodrigo Bolzan, Rodrigo Ferrarini e Rodrigo de Odé. Foto - Nana Moraes

Com direção de Marcio Abreu, a obra teve temporada interrompida pela covid-19 em São Paulo. Agora, adaptada para o formato digital, a peça está dividida em três atos, exibidos um por dia em duas sessões diárias. Também será disponibilizado o curso “Dramaturgia, Performance e Processos Criativos no Teatro Contemporâneo”. A temporada e o curso são gratuitos, com reservas pela Sympla

Em março de 2020, a temporada de 'Por Que Não Vivemos?', da cia brasileira de teatro, corria com plateias cheias e filas. Originalmente programada para o CCBB SP, a reforma do teatro fez com que a estreia fosse realizada no Teatro Municipal Cacilda Becker, na Lapa, em São Paulo. Em virtude da pandemia da Covid-19 e com o fechamento das casas de espetáculos, a peça interrompeu suas apresentações e os artistas entraram em quarentena.

O resguardo inquietou artistas e produtores em suas casas, e as pesquisas cênicas no âmbito digital começaram a virar realidade. Os estudos realizados começaram a dar frutos e um deles é a transposição do espetáculo para o universo digital.

A temporada no âmbito digital do Por que não vivemos?, da companhia brasileira de teatro, será dias 11, 12 e 13 de dezembro, gratuita, com reservas a partir de hoje, dia 1º de dezembro, pelo Sympla. A peça está dividida em três atos, cada um deles apresentado em um único dia, em duas sessões, sempre às 18h e 21h. Dias 15 e 17 de dezembro também será oferecido gratuitamente um curso/palestra “Dramaturgia, Performance e Processos Criativos no Teatro Contemporâneo”, com Marcio Abreu, Nadja Naira e Giovana Soar.

'Por que não vivemos?' estreou em julho de 2019 no CCBB do Rio de Janeiro, fez temporada no CCBB Brasília no mês de setembro e no CCBB Belo Horizonte em novembro do mesmo ano. Em 2020, o espetáculo chegou a São Paulo no Teatro Municipal Cacilda Becker, desta vez com patrocínio do Banco do Brasil e Eletrobras Furnas, mas teve sua temporada interrompida após a realização de 10 sessões, retomadas agora no formato online.

Sobre a adaptação

Foto - Nana Moraes

Em junho de 2020, a cia brasileira de teatro iniciou uma pesquisa sobre a escuta, a manipulação e detalhe do som, em especial àquele aliado às palavras, às dramaturgias. Duas peças sonoras da série “Escutas Coletivas” foram realizadas pelo grupo: “Maré”, uma reação artística ao real sobre o Complexo da Maré, localizado no Rio de Janeiro, e “Luto”, um exercício sonoro a partir da peça “Rubricas”, de Israël Horovitz.

Dessa experiência da Escuta Coletiva nasceu o primeiro ato da transposição de 'Por que não vivemos?' para a versão digital. Nesta adaptação de linguagem e meios da peça, a equipe criativa voltou ao trabalho dramatúrgico e reescreveu cenas, moldando cada ato do espetáculo a uma passagem individual. Isto manteve a dimensão e roteiro do texto em três episódios, esteticamente distintos como no espetáculo produzido presencialmente.

As partes da obra, realizadas em dias únicos, têm duas sessões, sempre às 18h e 21h. Dia 11 de dezembro será apresentado o primeiro ato. Neste episódio, o destaque é para o formato da Escuta Coletiva, sem imagens e com a apresentação, pelo elenco, de suas personagens e relações na obra, além da “festa de reencontro”, proposta na dramaturgia de Tchekhov.

O segundo ato, dia 12 de dezembro, dá novo significado às imagens gravadas para o espetáculo presencial, com cenas executadas ao vivo pelos atores, o que torna mais próxima a experiência realizada digitalmente. O terceiro e último ato, programado para dia 13 de dezembro, tem os atores e atrizes, a partir de suas casas, em super closes narrando as ações/cenas para o desfecho da peça.

“Criar uma experiência online a partir de uma peça que existe presencialmente e que tem grande proximidade com o público apresenta desafios de como buscar o vínculo com as pessoas através da escuta e da percepção dos aspectos mais fundamentais da peça, numa adaptação em três episódios, mantendo as diferenças de linguagens em cada parte, que caracterizam a montagem original”, diz o diretor Marcio Abreu.

Sobre a obra

Foto - Nana Moraes

Escrita pelo dramaturgo russo Anton Tchekhov (1860-1904) por volta dos 20 anos, a história do professor Platonov foi descoberta nos arquivos do seu irmão após a sua morte, e publicada em 1923. Até então inédita no Brasil, a obra foi publicada em diversos países como Platonov em homenagem a um dos personagens, o professor Mikhail Platonov.

Giovana Soar ressalta que o título escolhido pela companhia de 'Por que não vivemos?' traduz o drama que permeia o espetáculo. “São pessoas que gostariam de estar em outro lugar, mas não fizeram nada para isso. Mostra como a trama da vida vai se desenrolando e as pessoas vão caindo na armadilha de ficar onde estão”.

A peça trata de temas recorrentes na obra de Tchekhov, como o conflito entre gerações, as transformações sociais por meio das mudanças internas do indivíduo, as questões do homem comum e do pequeno que existem em cada um de nós, o legado para as gerações futuras - tudo isso na fronteira entre o drama e a comédia, com múltiplas linhas narrativas. “É o primeiro texto de Tchekhov, um texto muito jovem, mas muito revisitado em diversos países porque tem nele o que depois vem a ser o cerne do Tchekhov”, diz o diretor.

“A montagem tem um foco muito específico nas personagens femininas. São elas que causam transformação, que caminham, que querem mudanças, contravenções e que enfrentam conceitos pré-estabelecidos na sociedade da época”, conta Giovana. A artista complementa que esses traços estavam no texto de Tchekhov, mas foram acentuados na adaptação. Para ela, o olhar do autor causava uma espécie de premonição para os movimentos futuros que se sucederam.

Sobre a companhia

A companhia brasileira de teatro é um coletivo de artistas de várias regiões do país fundado pelo dramaturgo e diretor Marcio Abreu em 2000, em Curitiba, onde mantém sua sede num prédio antigo do centro histórico. Sua pesquisa é voltada sobretudo para a criação contemporânea.

Entre suas principais realizações, peças com dramaturgia própria, escritas em processos colaborativos e simultâneos à criação dos espetáculos, como “Preto” (2017), “Projeto Brasil” (2015), “Vida” (2010), “O que eu gostaria de dizer” (2008), “Volta ao dia...” (2002). Há ainda uma série de criações a partir da obra de autores inéditos no país: “Krum” (2015), de Hanock Levin; “Esta Criança” (2012), de Joël Pommerat; “Isso te interessa?” (2011), a partir do texto “Bon, Saint-Cloud”, de Noëlle Renaude; “Oxigênio” (2010), de Ivan Viripaev.

A companhia realiza frequentes intercâmbios com outros artistas no país e no exterior. Estreou na França em 2014 o espetáculo “Nus, ferozes e antropófagos” em parceira com o coletivo francês Jakart. Mantém um repertório ativo e que circula com frequência. Recebeu os principais prêmios das artes no país. Para mais informações clique aqui.

Foto - Nana Moraes

Sinopse

Na adaptação da companhia brasileira de teatro, a história não se desenrola num lugar definido, tampouco na época em que foi escrita. Ambientada numa propriedade rural de uma jovem viúva, a história se passa durante uma grande festa, na qual está presente Platonov, um aristocrata falido. Ele se tornou professor, por despeito e para camuflar sua revolta contra seu falecido pai e a sociedade. Bem articulado, brilhante e sedutor, ele é admirado e invejado. Seu reencontro com Sofia, um amor de juventude, reaviva seu desespero.

Ficha técnica
Por que não vivemos?
Da obra Platonov, de Anton Tchekhov
Direção: Marcio Abreu
Assistência de Direção: Giovana Soar e Nadja Naira
Elenco: Camila Pitanga, Cris Larin, Edson Rocha, Josy.Anne, Kauê Persona, Rodrigo Ferrarini, Rodrigo de Odé e Rodrigo Bolzan
Adaptação: Marcio Abreu, Nadja Naira e Giovana Soar
Tradução: Pedro Augusto Pinto e Giovana Soar
Direção de Produção: José Maria 
Produção Executiva: Cássia Damasceno
Assistência de Produção: Leonardo Shamah
Iluminação: Nadja Naira
Trilha e efeitos sonoros: Felipe Storino
Direção de movimento: Marcia Rubin
Cenografia: Marcelo Alvarenga | Play Arquitetura
Figurinos: Paulo André e Gilma Oliveira
Direção de arte das projeções: Batman Zavareze
Edição das imagens das projeções: João Oliveira
Câmera: Marcio Zavareze
Técnico de som | projeções: Pedro Farias
Assistente de câmera: Ana Maria
Operador de Luz: Henrique Linhares e Ricardo Barbosa
Operador de vídeo: Marcio Gonçalves e Michelle Bezerra
Operador de som: Bruno Carneiro e Felipe Storino
Contrarregragem: Hevaldo Martins e Alexander Peixoto
Máscaras: José Rosa e Júnia Mello
Fotos: Nana Moraes
Programação Visual: Pablito Kucarz
Assessoria de Imprensa São Paulo: Canal Aberto 
Difusão Internacional: Carmen Mehnert | Plan B
Produção: companhia brasileira de teatro
Projeto realizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura
Apoio: Secretaria Municipal da Cultura
Patrocínio: Banco do Brasil e Eletrobras Furnas
Realização: Centro Cultural Banco do Brasil, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.
companhia brasileira de teatro
Direção de Produção: Giovana Soar e José Maria
Administrativo e Financeiro: Cássia Damasceno 
Assistente Administrativo: Helen Kaliski

Serviço

Por que não vivemos?
Temporada Digital - dias 11, 12 e 13 de dezembro
Horários
Dia 11 de dezembro - sexta-feira - 1º Episódio - sessões às 18h e 21h
Duração - 60 minutos
Dia 12 de dezembro  - sábado - 2º Episódio - sessões às 18h e 21h
Duração - 30 minutos
Dia 13 de dezembro  - domingo - 3º Episódio - sessões às 18h e 21h, seguidas de bate-papo com elenco, direção e produção sobre a obra e sua experiência digital
Duração - 90 minutos
Baixe do App da Sympla para Android ou IOS na App Store ou Google Play e adquira seu ingresso gratuitamente a partir de 1º de dezembro de 2020
Ingressos individuais e limitados à capacidade da plataforma. Em todas as sessões haverá Intérprete em Libras
Grátis
Classificação - 16 anos

Curso Palestra
Dramaturgia, Performance e Processos Criativos no Teatro Contemporâneo 
Com Marcio Abreu, Nadja Naira e Giovana Soar
Data - 15 e 17 de dezembro
Horário - das 19h às 21h. 
Inscrições gratuitas a partir de hoje, dia 1º de dezembro 
Inscrições pela Plataforma Sympla
Vagas limitadas

A oficina parte do estudo de alguns exemplos de escrita de teatro contemporâneo, incluindo o repertório da companhia brasileira de teatro, especialmente da obra 'Por que não vivemos?' e do autor Anton Tchekhov. A partir da análise dos textos, das suas estruturas e suas ferramentas de escrita tentamos compreender seus desdobramentos na cena e no ator.

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