Estrela Straus dirige 12 atrizes e atores em 'Olhei pro buraco e era um olho mágico'

Cena com a atriz Magê Cachetto. Foto - Divulgação

Uma peça online sobre saúde mental em Três Buracos

Com direção de Estrela Straus, 12 atrizes e atores formam um caleidoscópio de experiências que trazem à tona a importância de falar sobre saúde mental em 'Olhei pro buraco e era um olho mágico', peça online que fica em cartaz dois fins de semana.

A peça, que acontece ao vivo via Sympla Streaming, é dividida em três atos temáticos, chamados de buracos: 'O Buraco é mais em baixo', às 19h, 'Buraco umbilical', às 20h, e 'Buraco em erupção', às 21h.

O ingresso dá direito a assistir os três atos/buracos que se relacionam de maneira independente. O público fica livre para entrar na sala às 19h, 20h e/ou 21h ou para assistir aos três atos em sequência. Caso deseje assistir os atos em diferentes dias, é possível adquirindo o ingresso para a nova sessão.

A partir de relatos pessoais, entrevistas e bulas de remédio, o elenco aborda de forma sensível e leve desequilíbrios psíquicos, sofrimentos e curas emocionais. A dramaturgia teve como ponto de partida o conto “A pessoa deprimida” de David Foster Wallace e o filme "Jogo de cena" de Eduardo Coutinho.

A peça é resultado do Laboratório de Montagem Online Teatro Audiovisual, criado por Estrela Straus especialmente para o projeto de Oficinas de Montagem Inbox Cultural. Ao longo do processo de ensaios, a diretora trabalhou com o Método Strasberg e com exercícios do argentino Augusto Fernandes. Após a peça, sempre haverá uma conversa com Estrela Straus e elenco. A bilheteria será doada ao CVV - Centro de Valorização da Vida, que trabalha na prevenção ao suicídio.

Cena de Buraco umbilical com Camila Curty. Foto - Divulgação

O processo de construção da peça por Estrela Straus

Originalmente a minha ideia era fazer uma peça usando o texto do conto do David Foster Wallace “A pessoa deprimida” porque vi esta peça na Argentina e gostei muito. Era uma ideia com a Inbox Cultural antes da pandemia começar e resolvemos manter porque afinal a depressão é algo também pandêmico no mundo que se acentuou muito no decorrer deste ano com o isolamento social.

Inicialmente, pensamos em fazer um grupo de apoio, como se fosse um encontro no zoom com pessoas deprimidas, mas quando o elenco chegou e fomos entrando em contato com as individualidades vimos que há muitas outras histórias e outros desequilíbrios mentais, além da depressão, que precisavam ser olhados, ouvidos.

Como no filme “Jogo de cena”, de Eduardo Coutinho eu propus que os atores fossem entrevistar pessoas. Fizemos um questionário e muitos deles foram entrevistar pessoas próximas que contaram que nunca tinham conversado sobre estes assuntos tão profundamente. Isso revelou o quanto as pessoas sofrem caladas as mesmas questões.

Como em alguns movimentos como o ‘#Me too’ de mulheres que contam publicamente os abusos que sofreram, a peça de certa forma está neste lugar de contar publicamente o que antes ficava calado como um segredo.

Este foi o grande motivador para nós e acabamos abandonando o conto em sua totalidade, deixamos na peça somente alguns fragmentos, trouxemos outros autores e escritos pessoais dos atores. Reunimos um elenco de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas, o que seria mais difícil se não estivéssemos online.

Nós queremos oferecer para a plateia um lugar de companhia, de conversa sem tabus sobre dores, sofrimentos, desequilíbrios e curas na saúde mental. Os três atos são chamados de buracos e agrupam questões semelhantes. No fim do terceiro buraco faremos uma roda de conversa em todas as apresentações.

A bilheteria será doada ao Centro de Valorização da Vida, que trabalha na prevenção ao suicídio.

Sobre a diretora

Estrela Straus formou-se no Conservatory Studies do Lee Strasberg Film and Theatre Institute em Nova York. Em São Paulo, é formada no Teatro Escola Célia Helena - onde também foi professora de interpretação - e estudou no CPT de Antunes Filho. Trabalha como atriz desde os 16 anos em TV, teatro e cinema. Estudou cinema na EICTV (Cuba) e na Universidad del Cine (Argentina). Em Buenos Aires estudou com dois mestres da tradição stanislavskiana Argentina: Augusto Fernandes e Agustin Alezzo. Dirigiu os curta metragens Fim e My favourite things ou Liberdade e as peças Vanities em NY e Fracture em Berlim.

Como diretora fundou o coletivo internacional de teatro Pravda! Pravda!! Foi Dora na peça Nossa classe de Tadeusz Slobodzianek e direção de Zé Henrique de Paula no Teatro do Núcleo Experimental. Em 2014 se radicou em Buenos Aires, mas segue trabalhando no Brasil. Seus trabalhos mais recentes como atriz foram os longas Invisible de Pablo Giorgelli na Argentina, Amaré de Marcel Izidoro e De novo não de Pedro Amorim.

Como preparadora de elenco, trabalhou em diversos curtas, na segunda e terceira temporadas da série #MechamadeBruna da Fox e nos longa-metragens Amaré de Marcel Izidoro, Carlinhos e Carlão e De novo não, ambos de Pedro Amorim. Atualmente trabalha como preparadora na novela Espelho da vida, próxima das 18h na Rede Globo. Ministra desde 2012 o curso O Método Lee Strasberg/Actors Studio.

Programação

Buraco 1: O buraco é mais embaixo
Com Sofia Maruci, Amanda Wanderley, Pablo Cortez e Magê Cachetto
Horário - 19h

Buraco 2: Buraco umbilical
Com Camila Curty, Carina Schafran, Gabi D’Ângelo, Walter Farias
Horário - 20h

Buraco 3: Buraco em erupção
Com Michel Langer, Kalindi D'Elia, Amanda Azevedo e Michelle Braz
Horário - 21h

Ficha técnica
Olhei pro buraco e era um olho mágico
Fragmentos de textos de: David Foster Wallace, Sheila Heti, Sarah Krane, Lori Gottlieb
Direção: Estrela Straus
Criação: Amanda Azevedo, Amanda Wanderley, Camila Curty, Carina Schafran, Gabi D'Angelo, Kalindi D'Elia, Magê Cechetto, Michel Langer, Michelle Braz, Pablo Cortez, Sofia Maruci, Walter Farias
Supervisão técnica: Juracy de Oliveira
Operação técnica: Raquel Parras
Locução Off: Estrela Straus
Arte Gráfica: Juliana Poggi
Comunicação Digital: Juliana Poggi
Assessoria de Imprensa: Adriana Monteiro - Ofício das Letras
Produção: Letícia Crozara
Assistência de produção: Camila Brandão
Assistência de direção: Gabi D'Angelo
Direção de Produção: Júlia Ribeiro e Kauê Telolli
Parceria: Pandêmica Coletivo Temporário de Criação
Realização: Inbox Cultural
Agradecimentos: Carolina Victor, Mell Mariah, Conrado Vidal, Daniela Andrade, Nelson Baskerville, Natasha Sierra, Marian Cáceres, Pedro Palmier, Victor Almeida, Maria Irene Chrissanto, Jessica Mancini, Mariane Maciel, Clara Martins, Kevin Souza, Pablo Rodrigues, André Uriel, Pedro Ordonez, Paula Ferreti, Rebeca Broncher, Ana Clara Teixeira, Andreza Xavier, Luciano Martins, Gabriel Fidelis, Gui Miralha, Adriana Braga

Serviço
Olhei pro buraco e era um olho mágico
Temporada - 27, 28 e 29 de novembro e 04, 05 e 06 de dezembro
Horário - às 19h, 20h e 21h - sexta a domingo
Duração - 1h cada ato
Local - Sympla Streaming
Ingressos - pague quanto puder (clique aqui) - bilheteria será doada ao Centro de Valorização da Vida
O público deve acessar o link com 15 minutos de antecedência e aguardar na sala de espera (foyer virtual) o início do espetáculo. Todos os dias o público é convidado para uma conversa após a sessão
Classificação - 16 anos

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