Espetáculo 'Pano pra Manga' estreia online no Dia das Crianças

Foto - Analice Costa

Sem sair de casa, o personagem - fã de um cantor popular - encontra uma forma lúdica e divertida de passar o tempo. Encenação se desenvolve apoiada em recursos do circo-teatro, com técnicas clássicas de manipulação, ilusionismo e malabarismo. A trilha sonora reúne músicas de Fábio Jr.

Seis meses depois do fechamento dos teatros e consequente cancelamento da temporada presencial no Teatro Jardel Filho, do Centro Cultural São Paulo, por conta da pandemia da Covid-19, o ator André Grinbeg finalmente vai estrear seu espetáculo solo, 'Pano pra Manga'.

Melhor Palhaço na 2ª Revirada de Circo de São Paulo, um dos criadores do Grupo DoisPierre assina o roteiro em parceria com o diretor Alexandre Roit. A peça estreia online no dia 12 de outubro, Dia das Crianças, e depois faz oito sessões gratuitas aos sábados e domingos, às 16 horas, dias 17 e 18, 24 e 25, 31 de outubro e 01, 07 e 08 de novembro, sempre pelo canal do YouTube da Cia Cem Sentido.

Foto - Flora Maíra

A versão digital passou por várias modificações, inclusive no conteúdo, e chegará ao público que assiste pelo celular ou computador diferente do projeto original, com truques de mágica e números de circo repensados para atrair mais a atenção da plateia do outro lado da tela.

Para introduzir a linguagem audiovisual foram necessárias adaptações e um forte investimento na qualidade técnica. Uma equipe de filmagem foi contratada e colaborou com o ator e diretor na roteirização da história. Foi concebido um espaço cênico em três dimensões para a gravação no palco da sede do Grupo Sobrevento, com as câmeras posicionadas em roda, ao redor - duas fixas e uma móvel para acompanhar a movimentação da cena, revelando ao público detalhes inusitados da montagem.

A proposta da montagem é fazer as pessoas se sentirem na casa do personagem, preservando a magia do teatro e do circo e proporcionando uma vivência diferente daquela na sala de espetáculo.

“A ideia é levar o público para a cena, diferente do espetáculo ao vivo, onde a plateia estaria de frente a um palco italiano e vendo através da quarta parede. Fizemos adaptações para não ficar apenas um teatro filmado. Resolvemos dar ao público a chance de assistir por outros ângulos, com maior proximidade ou por trás, mostrando situações que ele não teria acesso na sala de espetáculo. O trabalho de edição terá também o desafio de deixar tudo parecer natural e fluido”, revela o diretor do espetáculo.

Os desafios foram muitos, a começar pelo processo de trabalho e pesquisa do ator, sempre voltado para o palco. “Entender a linguagem digital é complicado, tanto a parte técnica, da filmagem e transmissão quanto o modo de divulgar. Em cena, o trabalho do palhaço envolve uma troca momentânea com o público. Minha reação vem dos estímulos, da reação da plateia. Em vídeo, não tenho essa resposta imediata", explica o ator.

Para entender e sentir como será a reação das pessoas às piadas e truques criados para o palco, ator e diretor estão fazendo testes. “É jogar os estímulos para o público, pensando que ele vai receber em casa, e nós não teremos de volta da mesma forma.. É tudo muita novidade”, completa.

Foto - Analice Costa

Pelo Instragram (clique aqui) é possível acompanhar a produção. Na série “cena minuto”, toda semana o ator posta uma cena curta de 1 minuto, além de vídeos ensinando a fazer mágicas e malabarismo. A temporada foi viabilizado após negociação para justificar a encenação digital, junto ao ProAc Edital 2019 da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de e SP.

Poder da imaginação

'Pano pra Manga' resulta de pesquisa desenvolvida com o intuito de levar para o palco circo e teatro realizados apenas com objetos do cotidiano. O conceito da montagem é aproximar o público da cena, mostrando que existe magia no dia a dia.

Narra a história de um homem que não sai de casa, mas encontra uma forma lúdica de passar o tempo e combater o tédio de seu cotidiano: interage com o locutor do rádio (que lhe dá bom dia e boa noite, além de “levá-lo” para uma série de aventuras), na certeza de que tudo que é dito no ar é dirigido a ele, como se aquela voz fosse do seu amigo mais íntimo.

Estimulado pelas peças de roupa guardadas em seu armário, o personagem (o palhaço do circo-teatro) dá vida a objetos que se tornam protagonistas de histórias diversas enquanto gravatas se movem sozinhas, cabides se enroscam, despertadores se multiplicam, vestidos e calças mudam de cor e sapatos, meias e chapéus são lançados ao ar.

Todos os truques são feitos a partir de objetos do quarto e da casa, reforçando a temática do espetáculo: o poder da imaginação, do lúdico e da mente. Sua vida fica, assim, bem agitada - ele viaja para a praia, vive um romance, sai para a balada e socializa com a família. Para completar, tem como ídolo um cantor popular em quem enxerga traços como carisma, segurança e sociabilidade.

Circo-teatro, surfe e número de aros chineses

Foto - Flora Maíra

A encenação se desenvolve apoiada em recursos do circo teatro, com técnicas clássicas de manipulação, ilusionismo e malabarismo. Destaque para o número de aros chineses feito com os cabides que se enroscam, a cena dos despertadores que vão se multiplicando, a do abajur que apaga e acende sozinho ou da gravata que fala e canta.

André Grinberg destaca também os números em que o personagem surfa numa tábua de passar roupa e a cena de namoro do pé esquerdo e do pé direito do tênis. Para traçar com sutileza as características psicológicas do personagem e revelar seus sentimentos por meio das ações no palco, Grinberg recorreu à orientação de especialistas da área - psicólogos e educadores.

“Quem nunca sentiu um medo? Quem nunca teve insegurança?” As perguntas de Alê Roit dão uma pista sobre um dos temas abordados na peça, “são o pano de fundo para as peripécias do personagem”, explica o diretor, revelando que “a montagem ficou muito divertida”.

“A técnica sai do quadro clássico de exibição e passa a servir à dramaturgia. Tudo tem contexto”, observa Grinberg. Alexandre Roit chama a atenção para o ritmo da montagem com trocas ágeis de figurino, propiciadas pelo quick-change, recurso em que o artista troca de roupa como num passe de mágica atrás de anteparo. “Assim como as trocas de roupa, acontecem várias coisas incríveis, e sempre com muita naturalidade, o que as torna ainda mais incríveis!”, completa Roit.

Sobre o ator

Foto - Analice Costa

André Grinberg é ator, malabarista e ilusionista. Fez parte do elenco do espetáculo itinerante “Planeta Água, Mata Atlântica e Paisagens” (2005) dirigido por Gisele Arantes, “La Revellasion” (2006), de Leo Bassi, e “Gigantes de Ar” (2009 a 2012), da Cia. PiaFraus. É um dos criadores do Grupo DoisPierre, com o qual desenvolveu, por 10 anos, pesquisa na área da comicidade física e manipulação de objetos cotidianos. No mesmo ano, foi premiado como Melhor Palhaço na 2ª Revirada de Circo de São Paulo. Em 2012, estreou “Circo de Borracha”, e com este espetáculo foi indicado como melhor cenógrafo pelo prêmio FEMSA de Teatro Infantil e Jovem e conquistou os prêmios de Melhor Cenógrafo e Melhor Produtor no II Festival Nacional de Teatro Carpediem, além de receber a indicação de Melhor Ator Coadjuvante no mesmo festival. Em 2014, tornou-se integrante da Fabulosa Cia. e estreou o espetáculo vencedor de diversos prêmios “O Sonho de Jerônimo” dirigido por Eric Nowinski. Em 2015, produziu e atuou no segundo espetáculo do Grupo DoisPierre: “Trem das Onze”, dirigido por Alexandre Roit. No mesmo, ano se tornou diretor artístico do projeto Energia Em Cena, sendo responsável por 7 espetáculos que, juntos, já atingiram mais de 80.000 espectadores pelo país. Em 2016, co-fundou o Circo Enxame com o qual desenvolve pesquisa técnica e artística. Em 2018, entrou para o elenco do Teatro da Travessia no espetáculo “Fósforos, Nuvens e Passarinhos”.

Sobre o diretor

Alexandre Roit trabalha com teatro e arte circense desde 1984. Em 1991 começou a pesquisa de linguagem que une, além de teatro e circo, o teatro de rua. Criou, junto com Hugo Possolo, o grupo Parlapatões, Patifes & Paspalhões, com quem ficou por 11 anos participando da produção, realização e montagem de espetáculos. Durante este período, trabalhou com os Doutores da Alegria, entre 1992 e 1994. A partir de 2002, trabalhou com a Cia Le Plat Du Jour, com quem assinou a direção e atuou no espetáculo Insônia, de Alexandra Golik. Em 2003, dirigiu o espetáculo Os Três Porquinhos e dividiu dois prêmios pelo texto com a companhia: Prêmio APCA e Prêmio Coca Cola FEMSA.

Confira o teaser do espetáculo:



Ficha técnica
Autoria - Alexandre Roit e André Grinberg
Direção - Alexandre Roit
Elenco - André Grinberg
Locução - Alexandre Roit
Figurino - Benê Calistro e André Grinberg
Cenário e Adereços - Juciê Batista e André Grinberg
Iluminção - Marcel Alani Gilber
Edição e Mixagem de Som - Marcel Alani Gilber
Produção - André Grinberg
Equipe de apoio e orientação (psicólogos e educadores) - Juliana M. Fernandes, Gerson Heidrich, Juliana Flor e Tayane Weinert
Fotografia - Analice Costa e Flora Maíra
Designer - Analice Costa
Mídias Sociais - Bárbara Tegone
Filmagem e edição - Bruta Flor
Assessoria de Imprensa - Arteplural Comunicação | Fernanda Teixeira e Macida Joachim

Serviço
Pano Pra Manga
Estreia - 12 de outubro - Dia das Crianças
Temporada - dias 17 e 18, 24 e 25, 31 de outubro e 01 de novembro, 07 e 08 de novembro - sábados e domingos
Horário - 16 horas
Duração - 50 min.
Transmissão - canal do YouTube da Cia Cem Sentido (clique aqui)
Classificação - livre (recomendado para crianças a partir de 4 anos)
Grátis

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