Últimos dias para conferir a exposição “Man Ray em Paris”, em cartaz no CCBB-BH

As Lágrimas - 1932 - por Man Ray

Chega ao fim na próxima segunda-feira, 17 de fevereiro, a exposição “Man Ray em Paris”. A mostra reúne 255 trabalhos do artista, incluindo fotografias, esculturas e até filmes produzidos por um dos expoentes do Surrealismo

O Centro Cultural Banco do Brasil, o CCBB-BH apresenta, desde o mês o dezembro, a exposição “Man Ray em Paris”, reunindo 255 trabalhos do artista. Os diversos atributos de Man Ray (fotógrafo, pintor, escultor, cineasta), fizeram com que ele fosse reconhecido como um dos maiores artistas visuais do início do século XX, além de ser considerado expoente do movimento surrealista.

E é parte de sua história criativa - um recorte significativo de seu trabalho - que os belorizontinos podem conhecer profundamente na exposição “Man Ray em Paris” apresentada pelo Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte. Belo Horizonte é a única cidade além de São Paulo a receber a mostra, eleita pela Associação Paulista de Críticos de Arte como a melhor exposição internacional de 2019. A realização é da Artepadilla e o projeto conta com patrocínio do Banco do Brasil e do Ministério da Cidadania.

Outro destaque da exposição são as visitas mediadas, que fazem parte do programa CCBB Educativo, realizadas de quarta à segunda sempre às 11h e às 18h, de forma gratuita e sem necessidade de inscrições prévias. O programa ainda conta com visitas mediadas em libras, promovendo a inclusão do público deficiente auditivo sempre às quintas-feiras, às 16h, e às sextas e domingos, às 18h.

Preta e Branca - 1926 - por Man Ray. Impressão em gelatina e prata de 1984
Durante as visitas, os educadores se juntam ao público para dialogar, compartilhar e trocar olhares, leituras e produções de significados em torno da exposição, aprofundamento ainda mais o mergulho nas 255 obras do artista ainda inéditas no país, entre objetos, vídeos, fotografias e serigrafias de tamanhos variados - de 40x30 a 130x90 cm - desenvolvidas durante os anos que viveu em Paris, entre 1921 e 1940, seu período de maior efervescência criativa.

Com curadoria de Emmanuelle de l’Ecotais, especialista no trabalho do artista e responsável por seu Catálogo Raisoneé, a mostra que pode ser vista no CCBB-BH está dividida em duas categorias.

A primeira trata da fotografia como um instrumento de reprodução da realidade, focando-se em seus famosos retratos - seu ateliê era uma referência entre a vanguarda intelectual que circulava pela Paris da década de 1920 - nos ensaios para a grife de Paul Poiret e em fotos para reportagens.

Já na segunda, outro lado se revela: o da manipulação da fotografia em laboratório com o intuito de criar superposições, solarizações e “rayografias”, um termo criado por Man Ray (do inglês “rayographs”), em alusão a si mesmo. Assim, portanto, ele inventa a fotografia surrealista.

O projeto da exposição prevê, ainda, reproduzir imagens da vida parisiense de Man Ray acompanhado pelos artistas que lhe foram contemporâneos e por sua musa, Kiki de Montparnasse. Além de uma programação de filmes assinados por ele, intervenções como um laboratório fotográfico, com elucidações sobre as técnicas utilizadas em sua obra, marcam a interatividade com o visitante.

Para a curadora Emmanuelle de l’Ecotais, esta retrospectiva, pela primeira vez no Brasil, procura abranger a imensa e multiforme obra de Man Ray e apresenta a lenta maturação de sua obra e um panorama completo de sua criatividade. Ela ressalta que apesar de ser conhecido principalmente por sua fotografia, é também criador de objetos, realizador de filmes e um faz-tudo genial.

“Após tornar-se rapidamente fotógrafo profissional, sua obra oscila, de maneira contínua, entre o trabalho de encomenda - o retrato, a moda -, de um lado, e o desejo de realizar uma ‘obra artística’, do outro. Em suas palavras, ‘o artista é um ser privilegiado capaz de livrar-se de todas as restrições sociais, cujo objetivo deveria ser alcançar a liberdade e o prazer’”.
Autorretrato - 1930 - por Man Ray
Sobre o artista

Emmanuel Radnitzky, mais conhecido pelo pseudônimo Man Ray, foi pintor, fotógrafo, object-maker, escultor e cineasta, tornando-se um dos mais destacados artistas vanguardistas do século XX. Nasce na Filadélfia, Estados Unidos, em 1890, e na juventude, muda-se para Nova York. Lá, inicia seus estudos no The Social Center Academy of Art. Ainda na década de 1910, conhece Marcel Duchamp e outros artistas que compunham o movimento dadaísta nova-iorquino.

Em 1921, parte para Paris, cidade que o acolhe por quase 20 anos, até o cerco nazista em 1940. O período em que viveu na capital francesa foi de imensa ebulição cultural, não só para ele, mas para diversos outros artistas que consolidaram o local como um dos maiores centros culturais do mundo, num contexto em que diversas formas de arte floresciam, sobretudo nos anos 1920.

Por lá, Man Ray se insere no movimento surrealista e concilia seu trabalho como fotógrafo de renome entre a intelectualidade francesa com seu lado artístico, que manipula fotos em laboratório para a produção de obras de arte. Durante a Segunda Guerra Mundial, volta para os Estados Unidos, onde fotografa celebridades do cinema e da moda.

Regressa à Europa com o fim da guerra e, nos anos seguintes, obtém reconhecimento pela excelência de seu trabalho, conquistando prêmios como a Medalha de Ouro da Bienal de Fotografia de Veneza, em 1961, publicando suas fotos e exibindo sua obra ao grande público. May Ray falece em Paris, em novembro de 1976.

Sobre a curadora

Emmanuelle de l´Ecotais foi por 17 anos curadora de fotografia no Musée d´Art Moderne de la Ville de Paris desde 2001. Com PhD em História da Arte, é especialista na obra de Man Ray, tendo organizado diversas exposições sobre o artista, entre elas, “Man Ray, la photographie à lenvers”, no Centre Pompidou/Grand Palais, em 1999.

Outras mostras com sua curadoria foram “Alexandre Rodtchenko, la photographie dans lil” (2007), “Bernhard et Anna Blume”e “Polaroïd”, na Maison Européenne de la Photographie (2010); “Linder: Femme-Objet”, no Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris (2013); “Jean-Philippe Charbonnier, lil de Paris”, no CMP, Paris (2014); “Objectivités, la photographie à Düsseldorf” (2008), “Henri Cartier-Bresson et l’imaginaire d’après nature”(2009), ambas no Musée d´Art Moderne de la Ville de Paris. É autora de diversos ensaios e livros, entre estes “L´esprit Dada” (Editions Assouline, 1999), “Man Ray” (Taschen, 2000) e “Man Ray Rayographies” (Editions Léo Scheer, 2002).

Foi membro permanente dos comitês de aquisição do Fonds National d´Art Contemporain (2004-2007) e da Maison Européenne de la Photographie (2007-2010). É também parte do júri em artes visuais para jovens talentos de Paris do Prêmio de Fotografia do Royal Monceau Hotel.

Marcel-Duchamp - 1922 - por Man Ray. Impressão em gelatina e prata, contato original

Sobre a produtora

A Artepadilla é empresa cultural atuante há 30 anos na área de elaboração, organização, produção, coordenação e administração de projetos culturais. Realizou ciclos de exposições no Centro Cultural Light no Rio de Janeiro; nas unidades de Brasília, Recife e Rio de Janeiro do Centro Cultural dos Correios; nas unidades de Brasília, Curitiba, Fortaleza, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo da Caixa Cultural, entre outros.

Tem grande experiência na área de eventos internacionais, tendo realizado a exposição “Roy Lichtenstein: Vida Animada” (em parceria com a Roy Lichtenstein Foundation/ New York City) no Instituto Tomie Ohtake/SP, entre outras.

Na área de edição de livros de Arte, realizou “Manfredo de Souzanetto: Paisagem da Obra”, “Margaret Mee”, “Jardim Botânico do Rio de Janeiro 1808/2008”, “Jorge Hue”, entre outros, alguns dos projetos através da Lei de Incentivo à Cultura/Lei Rouanet e da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

Serviço

Últimas dias para conferir a exposição “Man Ray em Paris”
Data - até 17 de fevereiro
Local - Centro Cultural Banco do Brasil
Endereço - Praça da Liberdade, 450 - Funcionários - Belo Horizonte
Dias e horários de visitação - de quarta à segunda das 10h às 22h
Visitas mediadas do programa CCBB Educativo - de quarta à segunda, às 11h e às 18h*
Visitas mediadas em libras: quinta-feira às 16h; sexta-feira e domingo, às 18h*
Entrada Gratuita
Mais informações nas redes sociais do CCBB-BH
*Não requerem inscrições prévias

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