Matheus Nachtergaele: “João Grilo me ensinou a ser feliz na tristeza, a rir nas horas mais perigosas e desgraçadas da vida”

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Após 20 anos, a série 'O Auto da compadecida' será reexibida pela primeira vez a partir da próxima terça-feira, dia 07 de janeiro. Os quatro episódios já estão disponíveis para assinantes do Globoplay

Dizem que para todo problema existe uma solução, menos para morte. Mas João Grilo, personagem astuto e sagaz de Matheus Nachtergaele em ‘O Auto da Compadecida’, transgride esta regra. Ele, que sempre encontrava uma saída para as ciladas da vida, conseguiu se safar até mesmo no dia do seu juízo final, quando, numa discussão acirrada com o Diabo, consegue a presença de Nossa Senhora para interceder por ele perante Deus.

Vinte anos depois do sucesso de sua primeira e única exibição, a série volta a partir do dia 07 de janeiro, após ‘Amor de Mãe’, remasterizada, com reformulação gráfica e nova abertura. A série é dirigida por Guel Arraes e escrita por Guel Arraes, Adriana Falcão e João Falcão, a partir da peça teatral homônima de Ariano Suassuna.

Confira entrevista com o ator Matheus Nachtergaele:

Como essa reexibição, 20 anos após a estreia, mexeu com você?

O João Grilo me marcou tão definitivamente - e a todos os brasileiros - que iniciar 2020 com essa reexibição proporciona um pensamento profundo. O ‘Auto da Compadecida’ é fruto de um enamoramento do Brasil pelo Brasil naquele momento. Muitos filmes bonitos surgiram naquela época como ‘Central do Brasil’, ‘Amarelo Manga’, coisas lindas de que tive a honra de participar. Me sinto inspiradíssimo ao rever a paixão de todo elenco ao ser dirigido pelo Guel Arraes. Éramos todos muito apaixonados pela série, que deu origem ao filme e fez muito sucesso. Isso mudou profundamente a minha vida e a do Selton em relação ao afeto das pessoas com a gente.

E de onde você que vem essa simpatia tão especial do público pela dupla João Grilo e Chicó? 

João Grilo e Chicó tentam sobreviver com humor a todos os poderes que muitas vezes fazem do nosso mundo um mundo pior. Eles lutam todos os dias por questão básicas de sobrevivência e acho que vem daí parte da empatia das pessoas pela obra. Gera uma identificação por estarmos todos tentando sobreviver a este mundo.

A série fez um enorme sucesso quando exibida pela primeira vez, assim como o filme. Como você vê este fato?

Ariano Suassuna se baseou em histórias medievais, narrativas orais para fazer essa comédia, que, desde a sua escritura, é um sucesso. Uma das peças mais montadas do Brasil. Tenho muita alegria de ser representante e participante dessa adaptação para a televisão, que tornou essa obra ainda mais popular num país com tanta miséria e analfabetismo. É um privilégio ver uma obra da dimensão de ‘O Auto da Compadecida’, com um autor como Ariano Suassuna, ser levada com tanta qualidade para televisão aberta.

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Qual a maior lição que o personagem João Grilo te ensinou?

Este personagem me ensinou a ser feliz na tristeza, a rir nas horas mais perigosas e desgraçadas da vida. Gosto das cenas com Selton Mello porque foi um encontro especial,precisamos umdo outro para que elas acontecessem como aconteceram. Mas me comovo também profundamente na hora do julgamento que a Compadecida livra o João Grilo do inferno. ‘O Auto da compadecida’ é uma obra definitiva sobre a brasilidade, calcada em histórias ancestrais e o João é um arlequim brasileiro. 


Dirigida por Guel Arraes e escrita por Guel Arraes, Adriana Falcão e João Falcão a partir da peça teatral homônima de Ariano Suassuna, a série ‘O Auto da Compadecida’ volta às telas da Globo a partir do dia 07 de janeiro, após ‘Amor de Mãe’.

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