Gostôsa põe em cena o ambiente de chats de sexo


Foto - Ruy Viana


A montagem é fruto de um intenso processo de pesquisa, que envolve depoimentos e conversas com mulheres de diferentes lugares, condições sócio raciais e modos de vida


Livremente inspirado no texto ‘Monólogo’, de Simone Beauvoir, o espetáculo Gostôsa reestreia dia 11 de outubro de 2019 na Sala Multiuso do Teatro Arthur Azevedo, na Moóca, e segue em temporada até o dia 27 de outubro, com direção de Marcelo do Vale e textos, concepção e atuação de Maria Cecília Mansur.

O espetáculo aborda um momento solitário de uma “cybergirl” em uma noite que reflete sobre sua trajetória, tomando consciência de como descobriu o prazer e como se submete aos desejos do “outro”, esquecendo-se da sua própria natureza. A personagem representada dá voz a outras mulheres de diversas classes, idades e raças em depoimentos gravados e documentados durante o processo.

Em cena, a personagem resolve se desfazer de todas as máscaras em busca da sua essência e autonomia, com momentos de drama, humor e ironia. A narrativa é acompanhada por três câmeras de segurança e projeções.

A personagem de Gostôsa  transita num ambiente virtual - às vezes está online nos chats de sexo, às vezes só observa. O espetáculo  apresenta situações comuns a muitas mulheres e aborda temas como prazer feminino, submissão, idealização da mulher, padrões de beleza, sentimentos e modos de se expressar em relação ao ser amado. A proposta é desconstruir padrões estéticos e desvelar experiências da mulher com o próprio corpo. A peça aponta, assim, para um corpo erótico diverso, dotado de história, individualidade e experiências singulares.

A encenação procurou reunir e compactar referências do universo erótico como contos, imagens BDSM (bondage, disciplina, dominação, submissão, sadomasoquismo), chats de sexo virtual, tudo amparado por uma cenografia plástica, “asséptica”. O figurino foi confeccionado com lixo eletrônico, borracha e látex em harmonia com os materiais cênicos.

Foto - Ruy Viana
De acordo com o diretor Marcelo do Vale, “Gostôsa não é um começo, não é um meio e nem fim. Contamos um instante, um sopro de um momento que assim como a rapidez das informações do mundo virtual, pode nos consumir, fazer acreditar, duvidar e até mesmo sermos colocados frente a frente com nós mesmos".

Gostôsa estreou em julho de 2017 no Teatro da Cidade, em Belo Horizonte, e seguiu para São Paulo, realizando temporada na SP Escola de Teatro, em agosto, e no Espaço Parlapatões, em novembro de 2017. A convite do SINPARC (Sindicato dos Produtores de Artes Cênicas), participou, em janeiro de 2018, da 44º Campanha de Popularização do Teatro de Belo Horizonte. Em março do mesmo ano, realizou duas apresentações em Vespasiano (MG). Participou do INTERCOM, FUMEC 2018. Em janeiro de 2019 fez curta temporada no Teatro de Arena Eugênio Kusnet.

Sobre a atriz

Maria Cecília Mansur é artista criadora independente desde 2004, dentre os seus trabalhos concebidos destacam-se “PISC in À” dirigido por Isadora Dias e dramaturgia de Dione Carlos, performances como “Vento ao Leste” do grupo ALMA Ambiental, Falas e Saramia. Participou de montagens dirigidas por Gustavo Kurlat, Cacá Carvalho, Pedro Paulo Cava, Edgar Castro, Filipe Hirsch, dentre outros. Atualmente, dedica-se ao trabalho com mulheres no despertar da “Consciência Erótica”.

Confira alguns depoimentos:

"Não foi fácil ver a minha vida no palco, mas, me ajudou muito. Foi de uma forma erótica, diferente, um grito de liberdade. Saber que não sou a única e que não estou sozinha me fez muito bem. Percebi a importância de colocar pra fora seja com uma peça teatral, com um grito, com boas amizades ou com uma caneta e papel. Tudo é um processo, uma transformação", da espectadora Viviane Lelis

“Sempre fui muito reprimida e em algum momento fui convidada a gozar, mas como? Não tinha aprendido... Pouco conhecia sobre as possibilidades de prazer. Tive que arriscar, me expor, não foi fácil, pois também carregava a missão de ter que agradar o parceiro, que nem sempre pensava no meu prazer”, da espectadora Sheyla de Feba.

Foto - Ruy Viana
Sinopse

Uma cybergirl subverte todas as mesmices reinventando a si mesma a partir do seu desejo. Em sua trajetória, acessa memórias, revive emoções e reencontra-se naturalmente sem pudores ou tabus. Temas caros para a mulher como o prazer, rótulos, padrões e comportamentos femininos são questões centrais do espetáculo.

Ficha técnica
Concepção de projeto, textos, atuação - Maria Cecília Mansur (Livre inspiração no texto “Monólogo” de Simone Beauvoir)
Direção e organização de textos - Marcelo do Vale
Cenografia e Figurino - Cícero Miranda
Consultora de Movimento - Tais Daher
Iluminação - Wladimir Medeiros
Design Gráfico - Frederico Rocha
Audiovisual - Marcelo Luz
Maquiagem - Jerônimo Salgado
Técnico de Luz - Carlos Pedroso
Técnico de Som e Câmeras - Naya Lelis
Produção Executiva - MC²

Serviço
Gostôsa
Temporada - 11 a 27 de outubro
Local - Teatro Arthur Azevedo - Sala Multiuso
Endereço - Av. Paes de Barros, 955 - Mooca - São Paulo
Capacidade - 60 lugares
Horário - sextas e sábados às 21h e domingos  às 19h
Duração - 50 min
Ingressos - R$ 30,00 inteira e R$ 15,00 meia
Classificação - 16 anos
Para mais informações clique aqui ou ligue 11 2604-5558

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