Todos Iguais, Todos Diferentes?

Todos Iguais, Todos Diferentes?, reprodução das páginas 14 e 15
Exposição fica em cartaz no MIS até o dia 13 de outubro

Em tempos em que o mundo apresenta o retorno de discursos preconceituosos que carregam a ideia de supremacia cultural, a Fundação Pierre Verger, inspirada na vida e obra do seu criador, faz no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, uma exposição que chama a atenção, provoca e incita o público a refletir sobre um tema que é, certamente, uma das principais riquezas existentes no mundo: a diversidade cultural.

Em Todos Iguais, Todos Diferentes?, as fotografias de Pierre Fatumbi Verger nos revelam a beleza da pluralidade dos povos e aquilo que foi não apenas o seu objeto de pesquisas e trabalhos, mas, principalmente, o seu objetivo de vida desde que saiu da França, na década de 1930, para buscar o encontro com o outro e consigo mesmo, adotando uma nova forma de viver e de pensar.

A importância e a sinceridade dessas relações poderão ser apreciadas na exposição Todos Iguais, Todos Diferentes? e no livro homônimo, que foram lançados no dia 31 de agosto, dentro da programação do Foto MIS 2019. O projeto, que apresenta retratos produzidos por Verger entre os anos 1930 e 1970, em mais de 20 países dos cinco continentes, respira a diversidade e o respeito.

Types, Gorée, Sénégal (Anos 50) e Aminatou. © Fundação Pierre Verger
Com curadoria de Alex Baradel, a exposição traz mais de 200 fotografias, apresentadas por meio de diversos formatos e suportes - ampliações recentes e documentos originais - e também por projeções de Motions Graphics, baseados em retratos realizados por Verger ao longo da sua vida.

Um aplicativo para smartphones desenvolvido para a exposição permitirá ao visitante ouvir depoimentos sobre a diversidade cultural, narrados por diversos artistas, intelectuais e pensadores oriundos dos países visitados por Verger; a exemplo de Esteban Volkov, neto de Trotsky.

O lançamento do livro Todos Iguais, Todos Diferentes?, aconteceu na abertura da exposição, junto à palestra de Rubens Ricupero, que assina o prefácio da obra, seguido por um bate papo entre o ex-Ministro, o curador do projeto e o público presente. O livro é uma publicação da Fundação Pierre Verger e foi vendido pelo preço promocional de R$ 90,00.

Alex Baradel, resume a essência desse pensamento que Verger nos deixou por intermédio das suas fotografias: “Elas expressam uma das contradições mais importantes, universais e indispensáveis para um mundo harmonioso, mas que infelizmente é raramente aceita: no fundo, somos todos iguais em sermos diferentes; assim, somos todos diferentes, mesmo sendo iguais ou deveríamos sê-lo”.

É interessante observar que a exposição Todos Iguais, Todos Diferentes? nos apresenta um trabalho muito menos antropológico e documentarista, porém exibe e reafirma uma obra e um Verger mais cosmopolitas e atemporais.

A Exposição

“A fotografia para Verger era, talvez, mais um meio que um fim. Um meio para encontrar o mundo, para encontrar outras pessoas, oriundas de outras culturas.” 

A frase de Alex Baradel, curador do projeto Todos Iguais, Todos Diferentes? resume a essência da exposição e traz à tona a reflexão sobre a complexidade que está intrínseca na diversidade das culturas que existem nesse mundo. A partir daí, o projeto expográfico foi pensado de forma a promover esses encontros.

Em Todos Iguais, Todos Diferentes?, mais de 200 fotografias são apresentadas através de diversos formatos e suportes. Um dos aspectos da mostra é de se trabalhar grandes formatos; são 50 fotografias de 1x1 m e 10 ampliações de 50x50 cm, entre ampliações recentes e documentos originais. Essas fotografias são aplicadas, sem molduras, diretamente em placas de alucobond, que são suportes mais modernos, diferentes das tradicionais molduras.

A Fundação Pierre Verger também trouxe para a exposição 30 placas contato originais, de 32 x 24 cm, com 12 retratos em cada, produzidas por Verger à época em que o fotógrafo trabalhou para a agência Alliance Photo, antes da Segunda Guerra Mundial. As placas contatos são expostas em vitrines, sem outros suportes.

A exposição conta ainda com a projeção de 05 otions Graphics, produzidos a partir da animação de centenas de retratos realizados por Verger.


O Livro

Publicado pela Fundação Pierre Verger, o livro bilíngue apresenta 158 retratos, em conceito de pares, produzidos por Pierre Verger em mais de 20 países. Todas as obras impressas que compõem a exposição integram a publicação, que está organizada em seis temáticas: Olhar, Adorno, O Tempo, Graça, Emoções e Atitude.

Todos Iguais, Todos Diferentes? traz o prefácio escrito por Rubens Ricupero, no qual o amigo pessoal de Verger e ex-Ministro da República expressa o fascínio de Fatumbi pela diversidade e o encontro em definitivo com o ideal humano de autenticidade e riqueza cultural.


A publicação tem, ainda, textos de apresentação de Fernando Alves, presidente da PwC Brasil e de Gilberto Sá, presidente da Fundação Pierre Verger, além do texto curatorial e outro que aborda a relação de Verger com os retratos, ambos assinados por Alex Baradel.

Com projeto editorial assinado por Luciana Telles Brasil, junto com a Fundação Pierre Verger, o livro, em capa dura tem 192 páginas, no formato de 30 x 30 cm. Impresso pela IPSIS Gráfica e Editora, em full black e papel couché fosco 150g/m. A tiragem é de 3 mil exemplares.

O Aplicativo

Como já vem acontecendo nas exposições realizadas pela Fundação Pierre Verger, um aplicativo para smartphones foi lançado para a exposição Todos Iguais, Todos Diferentes?. Desenvolvido na Bahia, por Anderson Sampaio, exclusivamente para este projeto, o aplicativo funcionará a partir do reconhecimento de fotografias, tipo realidade aumentada.

Ele apresenta ao público depoimentos gravados por pessoas que tem alguma relação com a cultura que referencia algumas das personagens retratadas por Verger. São narrações que trazem reflexões identitárias e que afirmam a necessidade da coexistência de diversas formas de pensar e de ser, gravadas por diversos artistas, intelectuais e pensadores oriundos dos países visitados por Verger; a exemplo de Esteban Volkov, neto de Trotsky.

Outros depoimentos: Emo de Medeiros (artista Visual - Benim), Teo Chamby (fotógrafo, neto de Martin Chamby - Peru), Walter Rodriguez (Antropólogo - Bolívia), David Maawad (Fotógrafo - México), Ramiro Bernabó (Artista, filho de Carybé - Brasil), Aminatou Sar (jornalista, Senegal), Franklin Maxado (Cordelista, Brasil), Ricardo Othake (arquiteto, Brasil), Leon Philibien (Fotógrafo, França).

O aplicativo oferece conteúdo extra, possibilitando, visualizar outras fotografias, além das que estarão expostas.

Sobre a Fundação Pierre Verger

Criada em 1988 pelo próprio Verger, a Fundação tem como um dos seus principais objetivos preservar, organizar, pesquisar e divulgar a obra do seu instituidor. Funcionando na casa onde Verger viveu de 1960 até a sua morte, em 1996, a Fundação cuida de um patrimônio cultural de inestimável valor antropológico e artístico, construído ao longo de 60 anos de vivências nos cinco continentes e de incontáveis horas de dedicação à escrita das histórias, experiências e estudos sobre as culturas e os povos que ele conheceu ao redor do mundo.

Com 30 anos de existência, completados e celebrados recentemente, a Fundação Pierre Verger segue desenvolvendo ações que ampliam o acesso à obra de Fatumbi e possibilitam ao público o encontro com esse acervo. São publicações e reedições de livros, exposições e, seminários além de outras atividades socioculturais desenvolvidas com a comunidade da Vila América, local onde a Fundação está situada.

Juan Coronel Rivera e Diego Rivera, Mexico, Mexique (1936 – 1937). © Fundação Pierre Verger
Sobre o Foto MIS 2019

Anualmente, o Museu da Imagem e do Som MIS - instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo dedica um espaço na agenda de programação para exposições exclusivamente de fotografias com obras de artistas nacionais e internacionais. Este ano, o Foto MIS - antigo Maio Fotografia - fica em cartaz até 13 de outubro, quando todos os espaços expositivos do Museu serão tomados por obras de artistas singulares e fundamentais na história da fotografia.
O Foto MIS 2019 apresenta as seguintes exposições:

  • Todos iguais, todos diferentes?, do fotógrafo francês Pierre Verger, com uma seleção de retratos realizados entre as décadas de 1930 e 1970 ao redor do mundo
  • Estudos fotográficos: 70 anos de memória, remontagem da primeira exposição individual do fotógrafo Thomaz Farkas e primeira exposição de fotografia realizada em um museu de arte no Brasil
  • Caretas de Maragojipe, de João Farkas, sobre o carnaval como patrimônio imaterial do recôncavo baiano
  • Haenyeo, mulheres do mar, de Luciano Candisani, que retrata a vida de um grupo de mulheres que vivem na Coreia do Sul e seguem a tradição secular de mergulhar utilizando apenas o ar de seus pulmões para colher produtos marinhos.

Integram, ainda, o Foto MIS a mostra Moventes, com obras do Acervo MIS, que conta com curadoria de Valquíria Prates, e Onde tudo está, individual de Beatriz Monteiro, projeto selecionado pelo programa anual do MIS, Nova Fotografia 2019.

Trotsky, Mexico, Mexique (1936 - 1937) e Esteban Volkov. © Fundação Pierre Verger
Além das exposições, o Foto MIS 2019 conta com uma extensa programação paralela. Entre as atividades estão lançamentos dos livros das exposições de Pierre Verger, Luciano Candisani e João Farkas, cursos de fotografia, visita guiada com Valquíria Prates (Acervo), uma edição da Foto Feira Cavalete e a Maratona Infantil especial fotografia.

Serviço
Foto MIS 2019 exposição Todos Iguais, Todos Diferentes?
Local - MIS - Museu da Imagem e do Som
Espaço Expositivo 1º andar, Espaço Expositivo 2º andar, Espaço Redondo, Nicho e Foyer do Auditório MIS
Endereço - Avenida Europa, 158 - Jardim Europa, São Paulo
Data - até 13 de outubro de 2019
Horários - Terças a sábados das 10h às 20h (com permanência até 22h) e domingos e feriados das 10h às 18h (com permanência até 20h)
Ingresso: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
Vendas - Recepção do MIS, site e aplicativo Ingresso Rápido
Entrada gratuita às terças-feiras e para crianças até cinco anos
Classificação indicativa - Livre
Acesso e elevador para cadeirantes
Ar condicionado
Estacionamento conveniado - R$ 18,00
Para saber mais clique aqui 

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