Show Caipira de Mônica Salmaso chega ao MASP

Foto - Dani Gurge
Dando continuidade à turnê Caipira, nome de seu mais recente CD, Mônica Salmaso apresenta-se na capital paulista. O espetáculo acontece nos dias 28 e 29 de setembro, sábado e domingo, no Auditório do MASP, às 21h e às 19h, respectivamente.

A origem desse repertório, que contempla a mágica sonoridade da raiz caipira brasileira, tem origem numa pesquisa realizada pelo violeiro Paulo Freire por encomenda de Mônica, há bem mais de 10 anos. Porém, a história desse disco - produzido por Teco Cardoso com arranjos conjuntos da cantora com os músicos - vai além da pesquisa e registra um momento ímpar na carreira de Mônica Salmaso, que mergulhou nessa estética musical e apresenta não necessariamente músicas antigas. Não são apenas releituras, mas um trabalho guiado pela interpretação singular e precisa da cantora, um trabalho caipira com originalidade e assinatura.

Sobre a obra, Salmaso declara: “Esse é o ‘meu disco caipira’, com todo o respeito que eu tenho pelo Brasil mais profundo e pelas nossas qualidades criativas que beiram o infinito. O “meu disco caipira” com a minha leitura, minha e de meus amigos que dele participam. Neste momento, é mais urgente do que nunca respeitarmos o que somos e cuidarmos da gente”. O álbum (selo Biscoito Fino) foi lançado, em 2017, com show no Sesc Vila Mariana.

As canções gravadas em Caipira são: “A Velha” (D.P., adaptada por Nivaldo Maciel), “Alvoradinha” (D.P.), “Feriado na Roça” (Cartola), “Açude Verde” (Sérgio Santos e Paulo C. Pinheiro), “Minha Vida” (Carreirinho e Vieira), “Agua da Minha Sede” (Roque Ferreira e Dudu Nobre), “Baile Perfumado” (Roque Ferreira), “Bom Dia” (Nana Caymmi e Gilberto Gil), “Caipira” (Breno Ruiz e Paulo C. Pinheiro), “Leilão” (Heckel Tavares e Joracy Camargo), “Primeira Estrela de Prata” (Rafael e Rita Altério), “Saracura Três Potes” (Candido Canela e Téo Azevedo) e “Sonora Garoa” (Passoca).

No palco do MASP, Mônica Salmaso canta acompanhada por Neymar Dias (viola caipira), Lulinha Alencar (acordeon), Teco Cardoso (flautas), Luca Raele (clarinete) e Ari Colares (percussão). Silvestre Junior assina a iluminação, Carlos Rocha é responsável pela engenharia de som e Carla Assis pela produção executiva.

O espetáculo já passou pelas capitais Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Antes do retorno a São Paulo, a turnê segue por Recife e Salvador, até chegar a Belém no final de outubro. O projeto foi viabilizado pela Lei de Incentivo a Cultura com patrocínio do Bradesco.

Foto - Paulo Rapoport
Sobre o CD Caipira

Em 2002/2003, fui convidada para desenvolver um projeto de shows em uma unidade do Sesc, em São Paulo, que se chamou Ponto InComum. Foram shows lindos concebidos sobre temas que eu queria mostrar para o público. Uma das noites foi dedicada ao samba carioca que estava acontecendo na Lapa; outra dedicada ao selo Acari que tem um catálogo importante sobre o choro; e outras, sobre compositores como Dorival Caymmi e Adoniran Barbosa, mas um desses espetáculos, chamado Casa de Caboclo, foi sobre a música caipira. O violeiro e escritor Paulo Freire, amigo muito querido, chegou a minha casa com uma mala grande cheia de CDs, vinís e fitas cassete, a triagem de uma vida inteira dedicada ao assunto. Eu fiquei fascinada e acabei encomendando a ele uma pesquisa mais abrangente sobre o tema. Desde então, não via a hora de fazer o “meu disco Caipira”.

Depois do projeto Corpo de Baile (2014), que foi um trabalho grande com muitos músicos, arranjadores e ainda uma turnê de dois anos, senti que era a hora de fazer o “meu disco Caipira”, um projeto mais íntimo com poucas pessoas, escolhidas a dedo por conta da beleza do que fazem e da certeza de que compreendem este universo e poderiam ampliá-lo, se necessário, com respeito e conhecimento de causa.

Teco Cardoso foi quem produziu o CD e nele toca sopros. Convidamos, então, Neymar Dias (viola caipira e baixo acústico), Nailor Proveta (clarinete e sax tenor) e Toninho Ferragutti (acordeon) para concebermos os arranjos juntos. Depois, trouxemos o Robertinho Silva, para fazer coberturas de percussão, e o André Mehmari (piano), para três das faixas.

O compositor Sergio Santos tocou e cantou comigo em uma de suas composições e com o maravilhoso Rolando Boldrin fiz um dueto que me encheu de uma felicidade incalculável. O lançamento ocorreu em 2017 com show no Sesc Vila Marina.


A escolha do repertório partiu da pesquisa de 2003, de onde vieram “A Velha” e “Alvoradinha” (da tradição oral do Maranhão), e foi atualizada por novidades apaixonantes que surgiram no caminho: a linda “Caipira” de Breno Ruiz e Paulo César Pinheiro (uma descoberta que me fez decidir pelo momento de fazer este CD); “Primeira Estrela de Prata” (Rafael Altério e Rita Altério), que estava no meu balaio de vontades há um tempão; “Minha Vida” (Vieira e Carreirinho), música que aprendi ouvindo o trio Conversa Ribeira de quem sou fã; “Açude Verde” (Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro), uma das declarações de amor masculinas poeticamente mais bem escritas que conheço; “Leilão” (Hekel Tavares e Joracy Camargo), uma atordoante parte da história do Brasil aqui contada com enorme beleza; “Feriado na Roça”, música caipira do Cartola que a Teresa Cristina me ensinou; “Saracura Três Potes” (Candido Canela e Téo Azevedo), que eu conhecia numa linda gravação de Pena Branca e Xavantinho; “Sonora Garoa” (Passoca) que, para mim, é um clássico caipira moderno; “Água da Minha Sede” (Dudu Nobre e Roque Ferreira) e “Bom Dia” (Nana Caymmi e Gilberto Gil) que se “fizeram” caipiras neste disco.

E, já quando o repertório estava por ser fechado, chegaram duas canções inéditas que tomaram seus lugares imediatamente: “Saíra” (Sérgio Santos) e “Baile Perfumado” do Roque Ferreira que, sincronicamente, quando eu fechava o repertório, telefonou-me, pela primeira vez, avisando que me mandaria algumas canções, e enviou; todas lindas. Telefonei para agradecer e contei que estava fechando um repertório sobre o universo caipira, e foi aí que ele cantou “Baile Perfumado” pelo telefone. Foi encantamento imediato.

Confira o vídeo:


Serviço
Show Mônica Salamaso em Caipira
Local - Masp - Auditório
Endereço - Av. Paulista, 1578 - Bela Vista - São Paulo
Capacidade - 374 lugares
Datas e Horários -  28 e 29 de setembro - sábado às 21h e domingo às 19h
Duração - 90 min
Ingressos - R$ 60,00 (inteira), R$ 50,00 (Vale Cultura) e R$ 30,00 (meia)
Bilheteria - terça das 10h às 19h30, quarta a domingo das 10h às 17h30) ou até o início da sessão
Ingressos online clique aqui
Meia-entrada - estudantes, idosos, professores e pessoas com deficiência + acompanhantes - apresentar o comprovante de meia-entrada na compra e na porta do espetáculo
Acessibilidade e Ar-condicionado
Mais informações 11 3149-5959

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