MiriM: Mostra Nacional de Teatro para Crianças Grandes e Pequenas

Arte Gráfica - Gabriel Victal
Espetáculos, oficinas e debate compõem a mostra que começa dia 13 de setembro no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. O evento tem duração de quatro meses e apresenta importantes companhias de quatro estados brasileiros: Cia PeQuod (RJ), Teatro Faces (MT), Rococó Produções (RS) e Ateliê Voador (BA)

Entre 13 de setembro e 15 de dezembro de 2019 acontece em São Paulo a primeira edição da MiriM - Mostra Nacional de Teatro para Crianças Grandes e Pequenas na área externa do CCBB São Paulo, região central da cidade. Com curadoria do jornalista e crítico de teatro infantil Dib Carneiro Neto, a mostra oferece ao público a oportunidade de conhecer um panorama da produção das artes cênicas para crianças fora da capital paulista - as companhias convidadas são da Bahia, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Além das apresentações, a mostra, que tem patrocínio do Banco do Brasil, também é composta por oficinas mediadas pelos grupos e mesa de debates. Toda a programação tem entrada franca e é aberta ao público.

Para Jota Rafaelli e Rafael Petri, da MoviCena Produções, idealizadores da MiriM, a mostra é uma oportunidade para que a cidade de São Paulo tenha acesso a temporadas mais extensas de peças infantojuvenis fora do circuito capital/interior paulista, e também possibilita um maior alcance do público. “Na MiriM, cada companhia realizará entre 7 e 10 apresentações, gratuitamente, no Centro e a céu aberto, fatores que facilitam o acesso das apresentações”, reforçam.

Os produtores também lembram que a mostra fomenta o intercâmbio com companhias de fora do Estado, o que fortalece vínculos entre companhias brasileiras e possibilita que as pessoas tenham cada vez mais acesso à trabalhos que lidam com linguagens teatrais diversas e que traduzem muito da cultura regional do lugar de onde vem as montagens.

Prezando por essa pluralidade, o curador Dib Carneiro Neto selecionou para a MiriM peças com grande variedade estética entre si e que abordam temas relevantes, como preconceito, bullying, morte e a relação do indivíduo com a falha.

“Devido ao meu trabalho com a crítica e o teatro infantil desde os anos 1990, que resultaram na criação do meu site, Pecinha é a Vovozinha, tenho viajado a muitos festivais e mostras de repertório pelo Brasil, tendo assim a oportunidade de conhecer companhias, peças e iniciativas fundamentais. É muito importante que o público local possa conhecê-las também”, diz Dib.

Para o curador, o fato das apresentações que compõem a mostra aconteçam na rua democratiza o acesso das obras e proporciona às crianças a experiência do ambiente público se tornar uma espécie de quintal da casa de cada um, onde as brincadeiras podem sofrer interferências externas, ser interrompida, retomada e ganhar novos significados.

Dib Carneiro Neto discorre sobre os espetáculos programados na mostra

“A peça Ovelha Negra, da Cia PeQuod (Rio de Janeiro/RJ), fala sobre um tema extremamente relevante que é o da necessidade de aceitarmos as diferenças - além de terem escolhido tratar desse assunto delicado com músicas da Rita Lee, como Agora Só Falta Você, Ando Meio Desligado e a própria Ovelha Negra, a Pequod é uma grande referência brasileira no teatro de animação.

Era Uma Vez: Contos, Lendas e Cantigas, da Rococó Produções (Porto Alegre/RS), resgata fábulas brasileiras e parte da história do Negrinho do Pastoreio para falar sobre preconceito, racismo e discutir o trabalho infantil. Na peça, o grupo utiliza músicas do próprio folclore gaúcho para conduzir a narrativa.

Pedro Malasartes e O Couro Misterioso, do grupo Teatro Faces (Primavera do Leste/Mato Grosso), faz uso da cultura popular para discutir a importância da honestidade e o perigo da ganância, aproximando a estética do grupo do gênero de teatro da commedia dell'arte, o que promete chamar muito a atenção do público que estiver passando pela rua no momento da peça.

A Mulher que Matou os Peixes, do grupo Ateliê Voador (Salvador/Bahia), parte de um conto da escritora Clarice Lispector para discutir a morte e a necessidade de aceitar que todos nós erramos. No espetáculo, o disco Arca de Noé, de Vinícius de Moraes e Toquinho, ganha versões revisitadas com ritmos nordestinos”.

Cada uma das companhias também oferecerá oficinas diversas ao público, sendo algumas delas voltadas para pessoas interessadas em trabalhar na área e outras voltadas ao próprio público infantil. Já no dia 20 de novembro, Dib Carneiro Neto se reúne com crítico especializado convidado e integrantes das companhias Rococó Produções e Grupo Ateliê Voador para dialogarem com o público na mesa de debate Teatro para Crianças e Jovens: Temas, Linguagens e Reflexões.

Sobre os idealizadores da MiriM

Dib Carneiro Neto é crítico de teatro infantil desde 1990, membro da APCA e jurado do Prêmio São Paulo de Teatro Infantil e Jovem. Sobre teatro infantil, tem publicado o livro de críticas, análises e entrevistas chamado Pecinha é a Vovozinha e, no prelo, a sair ainda este ano, Teatro Infantil - Já Somos Grandes. Escreve críticas de teatro para crianças regularmente no site da revista Crescer, da editora Globo. Como jornalista, atuou principalmente como editor-chefe do Caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo, até fevereiro de 2011. Para teatro, escreveu Adivinhe Quem Vem para Rezar, com Paulo Autran e Claudio Fontana no elenco, e Salmo 91, peça pela qual ganhou o Prêmio Shell de melhor dramaturgo de 2007 em São Paulo. Ainda para o teatro traduziu do francês a peça "Calígula", de Albert Camus, montada em 2009 e 2010 com direção de Gabriel Villela e, no papel-título, Thiago Lacerda.

Jota Rafaelli é graduado em Licenciatura em Arte-Teatro pela Unesp. É sócio produtor da MoviCena Produções. Produção Executiva no projeto Osmo, contemplado pela 4ª Edição do Prêmio Zé Renato para a cidade de São Paulo em 2016/2017, e viajou com esse espetáculo para o CASA Latin American Theatro Festival representando o Brasil. Direção de produção para o espetáculo Bê a Bach, contemplado pelo edital de patrocínio do CCBB 2017/2018. No ano de 2018/2019, produz o projeto Dança Sem Fronteiras - Interlocuções com a cidade, do grupo Dança Sem Fronteiras, contemplado pela 23ª Edição do Fomento a Dança Cidade de São Paulo e o projeto Situações#3 - variação nula, contemplado pela 24ª Edição do Fomento a Dança para a cidade de São Paulo.

Rafael Petri é iluminador e produtor, produziu por 10 anos a Cia Noz de Teatro, Dança e Animação, com espetáculos para o público infantil. Em 2016 cria em parceria com Jota Rafaelli a MoviCena Produções. Em dança realiza trabalhos de produção para diversos grupos na capital paulista, todos contemplados em editais como Fomento a Dança da Cidade de São Paulo, Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna, ProAC Criação e Circulação, entre outros. Em 2013, participa como produtor e coordenador técnico da IV Plataforma ProAC, projeto da Secretaria de Estado da Cultura e APAA - Associação Paulista dos Amigos da Arte, além de integrar até 2015 a equipe de produção do projeto Cultura Livre SP.

Ficha Técnica da MiriM

Patrocínio - Banco do Brasil
Realização - Centro Cultural Banco do Brasil
Idealização - MoviCena Produções
Produção Geral - Jota Rafaelli
Produção Executiva - Rafael Petri
Curadoria - Dib Carneiro Neto
Assistente de Produção - Mateus Fávero
Técnico Geral Responsável - Caike Souza
Designer Gráfico - Gabriel Victal
Registro em Foto - Fellipe Oliveira
Registro em Vídeo - Marcos Yoshi
Assessoria de Imprensa - Canal Aberto Assessoria de Imprensa

Sobre os espetáculos

Ovelha Negra - Cia PeQuod - Teatro de Animação - Rio de Janeiro/RJ

Foto - Divulgação
Estreia dia 13 de setembro - sexta-feira
Horário - 15h30
Temporada - de 13 a 29 de setembro
Horário - sábados e domingos às 15h30
Duração - 60 minutos
Classificação - Livre

Workshop com a Cia PeQuod sobre Teatro de Animação
Data - 21 de setembro - sábado
Horário - 10h

Quantas vezes se usa a expressão “ovelha negra” para falar de alguém que é diferente, que não se encaixa em um padrão? No entanto, é possível desconfiar que tais normas se transformam e hoje muitas dessas pessoas passaram a serem vistas como exemplos de ousadia, originalidade de caráter e personalidade marcante.

Ovelha Negra é a última montagem infantil da Cia PeQuod, que aborda o tema para crianças e jovens com o uso de bonecos. Com música ao vivo, a montagem ganha ainda um charme a mais ao pontuá-la com canções de Rita Lee, a roqueira que um dia calou fundo no coração de todas as ovelhas negras ao cantar uma canção homônima que é mais que uma canção, é um verdadeiro hino de rebeldia de toda uma geração. Essa e outras canções são entoadas ao vivo pelos músicos-atores-manipuladores da PeQuod em clima de Rock andRoll.

Foto - José Roberto Crivano
Ficha Técnica
Direção e texto - Miguel Vellinho
Elenco - Liliane Xavier, Gustavo Barros, Miguel Araújo, Julia Ludolf e Laura Becker
Direção Musical - José Roberto Crivano
Cenário e Figurinos - Carla Ferraz e Kika de Medina
Iluminação - Renato Machado
Bonecos - Carla Ferraz, Marcio Newlands, Liliane Xavier e Miguel Vellinho
Adereços - Celestino Sobral
Operador de som - Leonardo Magalhães
Operador de luz - Pablo Cardoso
Produção - Lilian Bertin e Liliane Xavier
Realização - Cia PeQuod - Teatro de Animação

Pedro Malasartes e o Couro Misterioso - grupo Teatro Faces - Primavera do Leste/MT

Foto - Divulgação
Estreia dia 04 de outubro - sexta-feira
Horário - 15h30
Temporada - de 04 a 20 de outubro
Horário - sábados e domingos às 15h30Duração - 60 minutos
Classificação - Livre

Workshop com o Teatro Faces
Data - 19 de outubro - sábado
Horário - 10h

No sertão mato-grossense, surge um rei metido a coronel ou um coronel metido a rei que decide dar toda a sua fortuna para aquele que descobrir do que é o couro que ele carrega nas mãos - mas quem errar terá sua cabeça cortada. Pedro Malasartes, desconfiado dos verdadeiros interesses do “rei”, reúne um grupo de desajustados para sair vivo dessa incrível aventura.

Ficha Técnica
Texto - Wanderson Lana
Direção - Wanderson Lana
Música - Núcleo de Música e Sonoplastia do Teatro Faces
Figurino - Ana Paula Dorst e Edilene Rodriguez
Cenário - Yuri Lima Cabral
Elementos de Cena - Yuri Lima Cabral
Maquiagem - Edilene Rodriguez
Design - Rafaela Salomão

Era Uma Vez: Contos, Lendas e Cantigas - Rococó Produções - Porto Alegre/RS

Foto - Divulgação
Estreia dia 01 de novembro - sexta-feira
Horário - 15h30
Temporada - de 01 a 20 de novembro
Horário - sábados e domingos às 15h30
Sessões extras - 08 e 15 de novembro (sexta-feira) e 20 de novembro (quarta-feira)
Horário - 15h30
Duração - 50 minutos
Classificação - Livre

Workshop com a Rococó Produções
Data - 09 de novembro - sábado
Horário - 10h

O Espetáculo Era Uma Vez: Contos, Lendas e Cantigas é um espetáculo que mescla as técnicas de teatro, contação de histórias, dança e música, absorvidas por meio das graduações em Biblioteconomia e Licenciatura em Teatro, além de anos de pesquisa na área da contação de Histórias Dramatizada, folclore e tradições gaúchas

A partir de dramaturgia inédita, revisita as Lendas de Nossa Senhora Aparecida e do Negrinho do Pastoreio, abrindo espaços onde, de forma atraente e delicada, pode-se trabalhar a transversalidade dos elementos das culturas afrodescendente e gaúcha, além de propor uma reflexão sobre o bullying e as diferenças, trabalho infantil e os aspectos que auxiliam na formação da identidade.

É entremeado por cantigas extraídas do cancioneiro popular gaúcho e especialmente compostas, executadas ao vivo acompanhadas por violão e percussão. O uso de recursos cênicos simples e poucos objetos abre espaço para que o espectador imagine e se envolva, criando imagens e estimulando o lúdico em uma atmosfera de interação.

Ficha Técnica
Texto e Direção - Guilherme Ferrêra
Elenco - Guilherme Ferrêra e Henrique Gonçalves
Produção - Rococó Produções Artísticas e Culturais
Cenografia - Conceição Jobi
Figurino - Lúcia Ferreir
Iluminação - Norton Göettem
Sonoplastia - Norton Goettems, Henrique Gonçalves e Guilherme Ferrêra
Trilha executada ao vivo - Rococó Produções Artísticas e Culturais
Fotografia - Rodrigo Kão
Identidade Visual - Jéssica Barbosa

A Mulher que Matou os Peixes - grupo Ateliê Voador - Salvador/BA

Foto - Divulgação
Estreia dia 22 de novembro - sexta-feira
Horário - 15h30
Temporada - de 22 de novembro a 15 de dezembro
Horário - sábados e domingos às 15h30
Sessão extra -  06 de dezembro - sexta-feira
Horário - 15h30
Duração - 60 minutos
Classificação - Livre

Workshop com o grupo Ateliê Voador
Data - 07 de dezembro - sábado
Horário - 10h

A mulher que matou os peixes, uma pop-bossa samba‘n roll”, conta a história de um crime, a morte de dois peixes vermelhinhos, mas tudo narrado em um jogo delicioso e de extrema sensibilidade para concluir que a falha, o lapso, o erro e o esquecimento são inerentes a todos nós, homens e mulheres. A partir do original de Clarice Lispector, a encenação ganha roupagem de um pequeno musical e apresenta a cantora Maira Lins, que nos convida a pensar no movimento da própria vida que é composto de alegrias e tristezas, perdas e ganhos, idas e vindas.

Ficha Técnica
Dramaturgia - Djalma Thürler (a partir de Clarice Lispector, Vinícius de Moraes e Toquinho)
Direção - Djalma Thürler
Atuação - Maira Lins
Arranjos Musicais - Roberta Dantas
Cenografia - José Dias
Figurino - Luiz Santana
Adereços - Flávia Bomfim
Confecção Adereços - “Grupo Bordar os Sonhos, de Sussuarana”
Iluminação / Ass. Direção - Marcus Lobo
Direção de Produção - Duda Woyda e Rafael Medrado
Produção Executiva - Nany Oliveira
Assessoria de Imprensa - Rafael Brito
Design Visual - Giovanni Rufino

Serviço

MiriM - Mostra Nacional de Teatro para Crianças Grandes e Pequenas
Data -  de 13 de setembro a 15 de dezembroCCBB SÃO PAULO
Local - Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Endereço - Rua Álvares Penteado, 112 – Centro, São Paulo-SP
Acesso ao calçadão pela estação São Bento do Metrô
Informações 11 3113-3651/3652 - todos os dias das 09h às 21h, exceto às terças

Mesa de Debate
Data - 20 de novembro - quarta-feira
Horário - 11h
Teatro para Crianças e Jovens: Temas, Linguagens e Reflexões
Com Dib Carneiro Neto e integrantes da Rococó Produções e do Grupo Atêlie Voador.
Local - CCBB SP

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