Estreia segunda temporada da websérie “Histórias da Grande Reserva Mata Atlântica”

Ilha do Mel. Foto - Samanta Carvalho
Com dez episódios, roteiro traz personagens marcantes, espécies raras e iniciativas que fazem do bioma um verdadeiro patrimônio natural e cultural

O primeiro episódio da segunda temporada da websérie Histórias da Grande Reserva Mata Atlântica já pode ser conferido no canal do YouTube e na página do Facebook da iniciativa. Ao todo, a temporada contará com dez episódios que serão lançados semanalmente aos domingos. Com duração entre 5 e 10 minutos, cada vídeo tem como objetivo fomentar o interesse local, nacional e internacional no maior remanescente contínuo do bioma e divulgar a rica história natural e cultural da região.

A iniciativa da Grande Reserva Mata Atlântica se baseia no conceito de “Produção de Natureza”. O trabalho busca valorizar as ações de conservação que geram oportunidades para o desenvolvimento regional, onde áreas naturais bem conservadas, a biodiversidade exuberante e a cultura local são meios para novos empreendimentos, geração de emprego e renda para as populações locais. 

O responsável técnico da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Ricardo Aguiar Borges, que está à frente da iniciativa, explica que essa área abrange o último grande remanescente contínuo do bioma, com quase 2 milhões de hectares bem conservados. “A nossa história foi construída na Mata Atlântica e ela é testemunha do desenvolvimento da nossa nação, abrigando algumas das maiores cidades brasileiras, como Curitiba e São Paulo. O remanescente do bioma é uma grande área produtiva que nos protege contra as mudanças climáticas e garante nossa segurança econômica, nossa saúde e bem-estar. Na websérie tentamos mostrar a riqueza natural e cultural desta região a partir dos relatos de pessoas reais, que vivem aqui e nos inspiram com suas histórias”, ressalta. 

Nesta temporada, a fauna é o tema do primeiro episódio tendo como protagonista a onça-pintada (Panthera onca). Atualmente classificada como “vulnerável” pelo Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção de 2018, elaborado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a onça-pintada é o maior mamífero do continente americano e conta com registros recentes na região da Serra do Mar paulista e paranaense, o que indica o bom estado de conservação desse local.

Making-off da gravação na Ilha do Cardoso, em São Paulo. Foto - Ana Carolina Franken.
Um dos destaques da temporada é o episódio que conta um pouco da história e das tradições dos índios guarani mbyá, da aldeia Pindoty, que vivem na Terra Indígena Ilha da Cotinga, em Paranaguá, no litoral do Paraná. O jornalista e filmmaker do projeto, Gabriel Eloi de Marchi, descreve a experiência de sair do ambiente urbano para uma imersão na Mata Atlântica como nova e desafiadora. “Todas as histórias e locais que conhecemos estão no ‘quintal’ da nossa casa e eu simplesmente não fazia ideia do quanto é incrível. Sem dúvida a nossa visita à comunidade indígena me marcou muito. Foi como se estivéssemos sendo transportados para outro mundo em menos de 30 minutos, de barco”, explica Marchi.

Também serão contadas histórias de personagens como Henrique Paulo Schmidlin, conhecido como Vitamina, de 87 anos, que é um dos precursores do montanhismo paranaense e praticante ativo até hoje, e de empreendimentos como a Cave Colinas de Pedra, área de 45 hectares localizada a dez quilômetros do Pico Marumbi e nos fundos da Estação Ferroviária de Roça Nova, no município de Piraquara, destinado ao processo de maturação de vinhos espumantes. Além disso, unidades de conservação como o Legado das Águas, a maior reserva privada da Mata Atlântica, a Estação Ecológica de Jureia-Itatins e o Parque Estadual da Ilha do Cardoso, em território paulista, além da Ilha do Mel e da baía de Guaratuba, no Paraná, também marcam presença nesta temporada da websérie. 

A primeira temporada, lançada no início do ano, contou com dez episódios e atingiu uma marca de mais de 155 mil visualizações e aproximadamente 500 mil interações, apenas no Facebook. Além da SPVS, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é parceiro direto dessa iniciativa.

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