Companhia Negra de Teatro estreia Chão de Pequenos

 Foto - Lucas Brito
Espetáculo que inaugura o repertório da Companhia Negra de Teatro faz temporada em São Paulo pela primeira vez. A peça - que discute assuntos como abandono parental, luta de classes, preconceito social e racismo - estreou em 2017 no Festival de Curitiba e circulou por diversas regiões do Brasil e festivais internacionais

O espetáculo Chão de Pequenos, da Companhia Negra de Teatro, discute intolerância e preconceito por meio da história de dois jovens abandonados por suas famílias, a partir de uma dramaturgia baseada em histórias reais colhidas em pesquisas e entrevistas da equipe com várias famílias e pessoas relacionadas com o tema da adoção. A peça faz sua estreia em São Paulo, no Sesc Pinheiros, dia 12 de setembro, quinta-feira, 20h30. O espetáculo atualmente é indicado do 5º Prêmio Sinparc de Artes Cênicas em sete categorias: Texto Inédito, Espetáculo, Diretor, Ator, Ator Coadjuvante, Criação de Luz e Trilha Sonora.

Formada pelo ator e diretor Felipe Soares, pelo ator e iluminador Eliezer Sampaio e com colaboração artística do ator Ramon Brant, a Companhia Negra de Teatro tem circulado pelo Brasil e pelo exterior com o espetáculo Chão de Pequenos, que tem direção de Tiago Gambogi e Zé Walter Albinati.

No palco, os atores contam a história de dois jovens, Lucas Silva e Pedro Henrique, entre a infância e a adolescência, marcados pela orfandade e o abandono da própria família. Dos orfanatos às ruas das grandes cidades, a fábula dos garotos revela a importância da empatia, do diálogo e do afeto nos dias de hoje, numa sociedade marcada pela intolerância e pelo preconceito.

“Acredito que o espetáculo contribui para que o tema da adoção tenha mais visibilidade e que a discussão se estabeleça também por meio da arte”, diz Ramon. “O espetáculo é, antes de tudo, sobre amizade. Sobre o encontro que presentifica o cuidado no trato com o outro. Sobre querer ser visto em um mundo de visão anestesiada. Existimos por causa dos outros, para os outros, por nós”, completa.

Foto - Lucas Brito
Na trajetória da Companhia Negra de Teatro, os artistas contam também com o apoio de outros colaboradores empenhados em discussões sobre questões raciais no Brasil. Em Chão de Pequenos destaca-se a colaboração da escritora Ana Maria Gonçalves - autora do premiado romance Um Defeito de Cor - que tem textos utilizados na peça. As performances do grupo são sempre autorais e questionam problemas sociais graves, como o racismo e as desigualdades sociais.

“Neste espetáculo abordamos o fato de negros serem mais preteridos do que os brancos no momento de uma adoção”, conta Felipe Soares. O artista destaca ainda outra performance do grupo, chamada Invisibilidade Social, em que uma pessoa negra se deita no chão vestindo um terno e segurando uma pasta, elementos suficientes para recepções muito inusitadas da parte do público.

“É muito raro que se humanize um corpo negro deitado no chão da cidade com esse tipo de roupa - houve um dia em que até chamaram a polícia durante a performance. Se o corpo deitado no chão fosse de uma pessoa branca, as reações seriam completamente diferentes”, diz o artista.


Foto - Lucas Brito

“É interessante perceber o que o espetáculo causa principalmente nas mulheres, nas mães e nas pessoas ligadas à maternidade. O tema da adoção é até hoje um tabu na sociedade brasileira, com poucos avanços. A orfandade e a adoção se abraçam entre os públicos que a gente visita”, diz Ramon Brant.


Sobre a Companhia Negra de Teatro

“A companhia nasce da necessidade de criarmos narrativas vindas dos nossos corpos e subjetividades. Primamos pela questão da autoria, da construção de performances que partam das nossas perspectivas e experiências”, conta Felipe.

Criada no ano de 2015, em Belo Horizonte, o grupo carrega em seu nome uma homenagem à Cia Negra de Revista, grupo criado no ano de 1926 por artistas negros como Galango, Rosa Negra, Mingote, De Chocolat, Grande Otelo e Pixinguinha, entre outros. E Felipe também reitera que “fomos o primeiro grupo de teatro negro a sair do Palácio das Artes, do curso técnico de teatro, o mais importante de Minas Gerais, o do Centro de Formação Artística e Tecnológica - Cefart, da Fundação Clóvis Salgado”.

A Companhia Negra de Teatro tem trabalhos que buscam escancarar as relações sociais estabelecidas na sociedade com pessoas negras, o que envolve falta de representatividade, ausência de referências em espaços físicos e simbólicos de grande visibilidade, corpos tratados de maneira estereotipada e relações de poder ditadas pelo controle financeiro. Atualmente, o grupo dedica-se à criação do espetáculo Um Preto.

Mais do que abordar o racismo em suas criações, a companhia busca falar de diversas desigualdades sociais e da importância do diálogo e da empatia entre pessoas de todas as cores, gêneros, orientações sexuais e culturas para o convívio e desenvolvimento humano. Além disso, apresenta uma reflexão acerca da inclusão de pessoas negras nas artes, sobretudo das potências do corpo negro no teatro, cuja presença é, por si só, um discurso para a cena. Política e poética se somam na pesquisa do coletivo.

O grupo ainda expande a área de atuação, incorporando as propostas ao formato audiovisual com a o curta-metragem Wanderlust, escrito e dirigido por Felipe Soares.


Foto - Lucas Brito
Sinopse
Dois jovens entre a infância e adolescência, Lucas Silva e Pedro Henrique, são marcados pela orfandade e o abandono da própria família. Dos orfanatos às ruas das grandes cidades, a fábula dos garotos revela a importância da empatia, do diálogo e do afeto nos dias de hoje, numa sociedade marcada pela intolerância e pelo preconceito.

Ficha Técnica
Concepção e atuação - Felipe Soares e Ramon Brant
Direção - Tiago Gambogi e Zé Walter Albinati
Dramaturgia - Coletiva
Textos - Ana Maria Gonçalves, Felipe Soares e Ramon Brant
Provocação Dramatúrgica: Grace Passô
Direção de Movimento e Preparação Corporal - Tiago Gambogi
Iluminação - Cristiano Diniz
Operação de Luz - Cristiano Diniz / Thiago Rosado
Trilha Sonora Original - GA Barulhista
Operação de Som - Sammer Iêgo Lemos
Figurino - Bárbara Toffanetto
Cenografia - José Soares da Cunha e Zé Walter Albinati
Cenotecnia - José Soares da Cunha
Direção de Produção - Gabrielle Araújo
Projeto Gráfico - Estúdio Lampejo e Ramon Brant
Fotografia - Lucas Brito
Escrita Poética do Processo - Bremmer Guimarães
Assessoria de Imprensa - Canal Aberto - Márcia Marques
Realização - Companhia Negra de Teatro
Produção - Caboclas Produções

Serviço
Chão de Pequenos - Companhia Negra de Teatro
Temporada: de 12 de setembro a 12 de outubro de 2019
Local - Sesc Pinheiros Auditório (3º Andar)
Endereço - Rua Paes Leme, 195
Horário - quinta a sábado às 20h30
Nos dias 21 de setembro e 12 de outubro, sábados, as sessões serão às 18h
Duração - 55 minutos
Ingressos - R$ 25,00 (inteira), R$ 12,50 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor de escola pública com comprovante) e R$ 7,50 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculados no Sesc e dependentes/Credencial Plena)
Classificação - 12 anos
Mais informações 11 3095-9400

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