Como a psicanálise explica a diferença de gênero?



Até o surgimento da obra Os três ensaios sobre a sexualidade, de Freud, em 1905, era possível pensar na homossexualidade como degeneração. Nela, o pai da psicanálise lança luz e analisa detalhadamente esta forma de atividade sexual e desfaz qualquer possibilidade de julgamentos prontos. Desde então, o que se sabe é que as formas de amar são múltiplas e que a homossexualidade, assim como outras formas de expressão sexual não são patologias. O que comanda suas diversas formas são nossos desejos e fantasias.


Considerar a homossexualidade um desvio ou uma patologia qualquer está relacionado à antiga relação que se estabelecia entre o sexo a e reprodução (ligada à biologia). E sabe-se hoje que a sexualidade não está atrelada às características biológicas do sujeito. O que complica essa visão das coisas é que o ser humano é o mais desamparado geneticamente entre os animais viventes. Com a sexualidade não é diferente: há pouquíssimos genes que definam o comportamento dos homo sapiens-sapiens.

O gênero e a psicanálise
A obra Faces do Sexual, publicada pela Aller Editora e organizada pelo psicanalista e psicólogo Rafael Kalaf Cossi, traz diversos artigos sobre as formas de expressão da sexualidade, incluindo dois artigos de Rafael Cossi com Christian Dunker, um de Vladimir Safatle, entres outros nomes importantes da psicanálise atual, sem poupar críticas à própria psicanálise e outras linhas de pensamento. Dessa maneira, o livro propõe discutir e refletir sobre a questão, inclusive conversando com autores de outras áreas, como Judith Butler.

Faces do Sexual traz aos leitores temas pensados por meio de inúmeras perspectivas, levando à conclusão de que não se pode ter uma visão determinista das diversas formas que toma a sexualidade. Não há um único fator ou gene que determine a questão, não é algo provocado ou um acidente a ser evitado. A sexualidade é a relação entre o sujeito e o desejo, não se trata de uma opção, é algo mais complexo do que uma escolha e, definitivamente, a homossexualidade não deve ser considerada uma patologia.

Sobre o organizador

Rafael Kalaf Cossi possui graduação em Psicologia pela Universidade de São Paulo (2000), títulos de especialista pelo curso “Teorias, técnicas e estratégias especiais em psicanálise”, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (2002), de mestre (2010) e doutor (2017) pelo Departamento de Psicologia Clínica da USP. É membro do grupo de pesquisa do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise (LATESFIP-USP).

Autores colaboradores

Vladimir Safatle, possui graduação em filosofia pela Universidade de São Paulo (1994), graduação em Comunicação social pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (1994), mestrado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (1997) e doutorado em Lieux et transformations de la philosophie - Université de Paris VIII (2002). Atualmente é Professor Livre Docente do departamento de filosofia da Universidade de São Paulo. É um dos coordenadores da International Society of Psychoanalysis and Philosophy, do Laboratório de Pesquisa em Teoria Social, Filosofia e Psicanálise (Latesfip) e presidente da Comissão de Cooperação Internacional (CCint) da FFLCH-USP desde 2012.


Patricia Porchat é professora do curso de Psicologia da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP/Bauru) e do Programa de Pós-Graduação em Educação Sexual (Mestrado Profissionalizante) da UNESP/Araraquara. Pós-doutorado (em andamento) na Université Paris Diderot (Paris 7). Graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1987), mestrado em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (2001) e doutorado em Psicologia Clínica também pelo IPUSP (2007).

Sinopse

A argumentação plural sustentada ao longo do livro tensiona os próprios limites textuais e reafirma que não há como alinhar de forma única psicanálise e estudos de gênero, bem como não há um problema comum que as constitua, seja como teoria, seja como performance. Trata-se sempre de uma invenção em torno de um ponto, em que os mal-entendidos, os ruídos presentes nesse diálogo e nessa contenda, são inúmeros; ou infinitos, diria Borges, porque se bifurcam.

Ficha Técnica
Faces do Sexual
Organizador - Rafael Kalaf Cossi
 Aller Editora
Edição - 1ª / 2019
Páginas - 288
Preço - 65,00
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