Mulheres presas e sucumbidas


Quando a autora expressa o horror da violência psicológica e o mistério de acontecimentos sobrenaturais deixa os leitores aflitos e com os nervos à flor da pele

Quantas notícias são veiculadas de mulheres que são mantidas em cativeiro por seus parceiros, pais ou mesmo familiares? Agora, imaginem em pleno século XIX. Em Papel de Parede Amarelo, publicado pelo selo Via Leitura do Grupo Editorial Edipro que conta com um projeto editorial moderno e à altura da obra, a autora Charlotte Perkins Gilman transita entre o terror gótico e uma alegoria da opressão feminina. E muitas mulheres ainda se identificam em pleno século XXI!

Esta antologia reúne oito contos da autora e a narrativa que intitula a coletânea tem um tom autobiográfico e causa um imenso desconforto trazendo questões de um casamento edificado em terror psicológico que atinge uma mulher. Confinada em um quatro pelo marido, a esposa -desenvolve uma obsessão pelo papel de parede, no qual enxerga mulheres aprisionadas.

Além do terror psicológico, o marido, médico, ainda a diagnostica com depressão nervosa temporária - uma leve tendência histérica. Neste sentido, este conto trata de opressão feminina e traz à tona a discussão de como é tratada a saúde mental das mulheres. 

Para demonstrar a influência gótica de Charlotte, mistérios são revelados em A Glicínia Gigante, A Cadeira de Balanço e A Porta Não Vigiada, em que a autora flerta com histórias de fantasmas e de investigação sobrenatural. Quando Fui Uma Bruxa apresenta uma mulher movida pela vingança, capaz de realizar seus desejos. Em Se Eu Fosse um Homem, a autora lida com o fantástico em uma história de troca de corpos. Por fim, Água Antiga apresenta uma história de abuso e assassinato.

Os contos foram publicados em revistas literárias entre os anos de 1892 e 1914, incluindo a icônica Forerunner, criada e editada pela própria Gilman entre os anos de 1910 e 1916. São oito narrativas que incomodam, levam o leitor ao ápice da angústia.
Sobre o autora
Charlotte Perkins Gilman (1860-1935) foi escritora, poetisa e uma ativista do feminismo nos Estados Unidos. Abandonada pelo pai durante a infância, sem que sua mãe tivesse condições de criá-la sozinha, ficou sob a proteção de suas tias paternas, Catharine, Harriet (escritora e autora do clássico A cabana do Pai Tomás) e Isabella (sufragista, defensora do voto feminino). Essa influência acabou sendo determinante do futuro sucesso literário de Charlotte e de seu papel – fundamental – na história dos direitos sociais das mulheres. Seu estilo e sua vida pouco comum para a época (divorciada e financeiramente independente) a tornariam um modelo para todas as gerações posteriores de feministas.

Sobre o autora
Charlotte Perkins Gilman (1860-1935) foi escritora, poetisa e uma ativista do feminismo nos Estados Unidos. Abandonada pelo pai durante a infância, sem que sua mãe tivesse condições de criá-la sozinha, ficou sob a proteção de suas tias paternas, Catharine, Harriet (escritora e autora do clássico A cabana do Pai Tomás) e Isabella (sufragista, defensora do voto feminino). Essa influência acabou sendo determinante do futuro sucesso literário de Charlotte e de seu papel – fundamental – na história dos direitos sociais das mulheres. Seu estilo e sua vida pouco comum para a época (divorciada e financeiramente independente) a tornariam um modelo para todas as gerações posteriores de feministas.

Ficha técnica
Papel de Parede Amarelo
Autora - Charlotte Perkins Gilman
Editora - Via Leitura
Edição - 1ª edição, 2019
Páginas - 94
Preço - R$ 29,90
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