Max Havelaar: o livro que matou o colonialismo


“Max Havelaar”, obra-prima de Multatuli, o mais importante escritor holandês de todos os tempos

Inédito no país, o clássico “Max Havelaar”, de Multatuli, começa a chegar às livrarias pela editora Âyiné. É a obra-prima do autor considerado pela Sociedade Holandesa de Literatura como o mais importante escritor holandês de todos os tempos. Lançado em 1860, o livro caiu como uma bomba na sociedade da época: além da força literária, era uma denúncia avassaladora das atrocidades do colonialismo, e teve grande impacto na vida pública do país. Traduzido para dezenas de línguas, o livro chega ao Brasil em sua primeira tradução direta para o português, de Daniel Dago.

Multatuli é o pseudônimo de Eduard Douwes Dekker, uma junção de duas palavras latinas que significam “sofri muito”. Nascido em Amsterdã em 1820, Dekker ocupou cargos administrativos em Java, parte das antigas Índias Orientais Holandesas, atual Indonésia. Chegou ao alto cargo de assistente-residente (função semelhante à de vice-governador) do distrito de Lebak, onde acumulou divergências com seus superiores. Anos após voltar para a Holanda, publica “Max Havelaar”.

A história é narrada por um corretor de café que lê os manuscritos de um conhecido seu, Max Havelaar, que foi assistente-residente nas colônias holandesas do Oriente. O que se segue são relatos de um sistema político corrompido e do massacre praticado pelos colonizadores na região, em que aldeias inteiras foram extintas. A maneira de fazê-lo, porém, é surpreendentemente inovadora e moderna: além da voz do narrador e dos manuscritos do alter ego de Maltatuli, as páginas de “Max Havelaar” têm dramaturgia, poesia, listas, contos, parábola, correspondência e até documentos oficiais verdadeiros.

Sem falar nas palavras em indonésio e malaio. No último capítulo, o próprio Multatuli toma a pena, chegando a dirigir-se diretamente ao Rei da Holanda. Em resposta a possíveis críticas ao estilo de seu livro, responde: “Bem, bem, está bem! Mas... O Javanês é maltartado!".

Tamanha força narrativa teve impacto efetivo na política colonial do país, fazendo de “Max Havelaar” “o livro que matou o colonialismo”, segundo o escritor indonésio Pramoedya Ananta Toer.

Em um texto que abre a edição preparada pela Âyiné, publicado originalmente em 1957, o crítico Otto Maria Carpeaux afirma que o grande romance de Multatuli “é atual demais para ser um clássico de estante”. Foi lido e citado por intelectuais de diversas áreas, como Freud, Lênin, Mahler, D. H. Lawrence e Herman Hesse. Pelo estilo e importância, é comparado a “Dom Quixote” e “Tristan Shandy” em seu país. No ano que vem, a Holanda celebra os 130 anos do nascimento do autor.

Sobre o autor

Multatuli, pseudônimo de Eduard Douwes Dekker (1820-1827), foi poeta, escritor e assistente-residente nas Índias Orientais Holandesas, atual Indonésia. Indignado com a brutalidade colonial, pediu demissão do governo em 1856. Depois disso, viveu muitos anos na pobreza, vagando pela Europa. Em 1860 lança “Max Havelaar”, de grande impacto literário e social. Em 2002, a Sociedade Holandesa de Literatura proclamou Multatuli como o mais importante escritor holandês de todos os tempos.

Ficha técnica
Max Havelaar
Autor - Multatuli
Tradução e notas - Daniel Dago (do holandês)
Capa - Julia Geiser
Editora Âyiné - Coleção Das Andere 
Páginas - 586
Preço - R$ 84,90

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