Canto Para o Jardim de Veredas: explorando sonoridades

Foto - Maycon Soldan
Composto por cantos encenados, Canto Para o Jardim de Veredas é o primeiro espetáculo da Cia. Teatro Labirinto


Cinco atrizes e uma percussionista ocupam um cenário composto por um campo de trigo. Sem compromisso com uma narrativa linear ou a contação de alguma história, elas experimentam cantos, recursos, ações vocais, texturas e técnicas que exploram diversas possibilidades de uso da voz. Canto Para o Jardim de Veredas, primeira peça da companhia Teatro Labirinto, estreia dia 29 de agosto, quinta-feira, 20h, na Oficina Cultural Oswald de Andrade. O trabalho tem o apoio do ProAC – Primeiras Obras do Governo do Estado de São Paulo.

Canto Para o Jardim de Veredas é composta por uma série de cantos, a maior parte deles sem letras, explorando mais a sonoridade do que o texto. Segundo as artistas-criadoras, a estrutura do espetáculo foi organizada buscando não uma sequência ficcional, mas uma sequência sensorial no decorrer dos cantos, como muitas vezes se organiza as faixas de um álbum.


Foto - Maycon Soldan

“Começamos a explorar as sonoridades que podíamos criar com nossas vozes a partir de diferentes posições e posturas, buscando unir vocalidade e corporeidade”, conta Giu Castro, diretora da montagem que também está em cena. “No trabalho, o canto é a matéria prima, não um enfeite, uma transição ou um complemento da narrativa - é a sua coluna vertebral. Buscamos o canto como o ato-criador da obra”, ressalta.

O espetáculo inaugura o repertório autoral do Teatro Labirinto, composto por Alice Máximo, Camilla Veles, Carolina Braga, Giu Castro e Sarah Alencar. “A dramaturgia foi dividida entre todas nós e culmina numa experiência de sensações, mais do de uma narrativa”, conta Carolina Braga. Devido a essas características, a companhia decidiu chamar as composições de cantos encenados.

Giu Castro diz que um dos elementos que iniciou o processo de criação da peça foi a ideia de ambientá-la no campo de trigo, metáfora para um jardim de infinitas possibilidades para o uso da voz. O grupo ressalta que o trabalho sonoro levantado durante a criação imprime diversas interpretações sobre os costumes do dia-a-dia e fatos cotidianos.

“Nos ensaios, propunha que cada uma trouxesse algo criado com a voz a partir de algum tema, como o de uma mulher cansada, por exemplo, ou de algum desejo sonoro, vocal. Em seguida, íamos entendendo quais sonoridades levantadas poderiam ser mantidas na peça”, conta Giu.

Foto - Maycon Soldan
O resultado traz uma paisagem sonora que inclui, além de músicas, sons de mastigação, respirações e outras células rítmicas não convencionais. “A construção do jardim de vozes infinitas é como um ato de resposta a um mundo onde muitas vezes tentam controlar as nossas vozes. O desejo é que, com essa peça, as pessoas se inspirem a cantar, usar a voz”, conclui.

Sinopse
Cinco atrizes-cantoras em estado de invenção encenam cantos múltiplos. Cantar, no misterioso espaço entre atuadoras e público, um imenso jardim, onde os corpos vibram, as gargantas salivam, onde se cantam festas, cansaços, guerras, ruídos, pássaros, canções de ninar; onde as vozes abrem e fecham caminhos.

Ficha Técnica
Dramaturgia - Teatro Labirinto
Direção - Giu Castro
Atrizes-cantoras - Alice Máximo, Camilla Veles, Carolina Braga, Giu Castro e Sarah Alencar. Percussionista: Camila Midori.

Serviço

Canto Para o Jardim de Veredas
Temporada - de 29 de agosto a 21 de setembro
Local - Oficina Cultural Oswald de Andrade - Sala 7
Endereço - Rua Três Rios, 363 - Bom Retiro - São Paulo
Capacidade - 40 lugares
Horário - 20h quintas e sextas-feiras e 18h aos sábados
Duração - 70 minutos
Ingressos - Grátis (retirar com 1h de antecedência)
Classificação - recomendado para maiores de 10 anos

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