O que não dizer a uma vítima de abuso



Pode ser que você esteja tentando encontrar maneiras de ajudar uma amiga, um familiar ou uma pessoa próxima que passou por um caso de abuso. Muitas vezes, na intenção de ajudar, as pessoas acabam dizendo algo que não auxilia em nada.


A palestrante e youtuber Fabiola Melo, com o intuito de evitar que vítimas de abuso, assim como ela, sejam feridas com afirmações que mais machucam do que realmente apoiam, listou em seu novo livro, “A culpa não é sua”, lançado pela Editora Mundo Cristão, sete coisas que não devem ser ditas a uma vítima de abuso.

Então, fique atento para jamais dizer as frases abaixo para alguém que sofreu uma agressão sexual:


“Você tem que esquecer isso!”


Dizer a uma vítima de abuso que ela deveria simplesmente esquecer tudo de ruim que a faz sofrer só a deixará mais frustrada, porque esse é um conselho impossível de seguir.

O que uma vítima de abuso precisa é de cura, não de amnésia. Superar um problema não significa esquecer que ele aconteceu. Essa superação tem a ver com a vítima não se deixar travar pelo que aconteceu.


“As coisas velhas se passaram e tudo se fez novo”


Essa afirmação bíblica é linda e se aplica corretamente no que se refere à conversão de um cristão. Porém, ela não é válida, necessariamente, para um caso de abuso sexual.

Muitas vítimas, mesmo após receberem a cura, ainda precisarão lidar com os efeitos do dano ao qual foram expostas. Negar os fatos retarda o trabalho de recuperação.


“Você tem que perdoar o seu abusador”


O perdão nunca deve ser imposto e cada pessoa tem o seu tempo. Sugerir a uma vítima de abuso que ela deve se apressar em perdoar o seu abusador ou sutilmente aconselhá-la a não denunciar o abuso é semelhante a abusar dela novamente.

A frase que uma vítima mais ouve de seu abusador é: “Não conte a ninguém!”. Qualquer tentativa de silenciar uma vítima é também uma forma de replicar o abuso contra ela.


“A Bíblia diz para amarmos os nossos inimigos”


Se uma vítima não quer reatar o relacionamento com seu abusador, tendo em vista anos de abuso, de maneira alguma ela deve ser constrangida a conviver com o agressor se não apresentar condições de fazê-lo.

Algumas pessoas voltarão a reatar o relacionamento com seus agressores e outras jamais o farão. Usar argumentos bíblicos para forçar alguém a conviver com quem o feriu não é uma boa atitude.


“Ainda bem que foi só isso”


Não é raro uma menina que sofreu abuso sexual ouvir comentários do tipo: “Ele tocou seu seio? Ainda bem que não tocou lá embaixo!”; “Ele tocou lá embaixo? Ainda bem que não a obrigou a tocá-lo também”; “Ele a obrigou a tocá-lo lá embaixo? Ainda bem que não houve relação sexual”; ou “Ele a forçou a ter relação sexual? Ainda bem que não foi alguém da sua família”.

Não sei como esse tipo de afirmação pode fazer alguém se sentir melhor. Entenda que não existe lado pior ou melhor em um abuso. Ainda que para alguém que está de fora uma penetração genital seja muito pior do que carícias forçadas nos seios, para a vítima não é. Não se pode comparar a minha dor com a de outra pessoa e tentar estabelecer qual é a menor das duas.

Uma vítima de abuso não lida com a sua dor comparando-a com a dor de terceiros. Ela só sabe como é sentir a própria dor. Usar expressões como “menos mal”, “ainda bem” ou “olhe pelo lado bom” definitivamente não ajuda em nada. A intenção pode ser a de amenizar a gravidade do abuso sofrido, mas, no final, não ameniza.


“Ele errou, mas não significa que é mau”


Muitas são as justificativas que alguns tentam encontrar para o agressor e seu crime, como: “Ele deve ter sofrido abuso na infância”; “Ele está passando por momentos que deixariam qualquer um fora de si”; “Ele estava atravessando uma crise no casamento e se sentia solitário”; “Ele já fez tantas coisas boas pelas pessoas, como você pode culpá-lo por uma única falha?” ou “Você supera logo, mas ele é importante na igreja e toda a família dele ficaria devastada”.

Chega de acobertar abusadores disfarçados de “boas pessoas” ou de “homens de Deus”. Além de o abuso sexual infringir as leis civis, também fere as leis de Deus. Não é a vítima que precisa silenciar; é o abusador que precisa ser contido.


“Você precisa de uma oração forte o bastante”


O psiquiatra Dan Allender explica que curas rápidas nunca resolvem problemas profundos. Os danos causados pelo abuso não atingem apenas a área espiritual. Então não sugira que determinada pessoa não superou as consequências do abuso porque ainda não recebeu uma oração forte o bastante. Se os âmbitos emocional e psicológico da vítima foram abalados, eles também precisam de cuidados.


Sobre a autora

Fabiola Melo é youtuber, com mais de um 1,7 milhão de seguidores em seu canal, digital influencer, palestrante e escritora. Fabiola criou programas sociais, como o Projeto Oiapoque, que mobilizou seus seguidores e, com eles, arrecadou fundos para a doação de um barco para missionários indígenas. Também participou da criação do projeto Escola Expandindo o Reino, que dá treinamento sobre mudança de mente no Nordeste do Brasil, recebendo jovens de todo o país de forma totalmente gratuita, com o auxílio voluntário de jovens de Chorozinho (CE). Membro da Igreja Poiema, em Taubaté (SP), é casada com Samuel Cavalcante.



Ficha técnica

A culpa não é sua
Autora - Fabiola Melo
Editora Mundo Cristão
Páginas - 144
Preço - R$ 23,92
Clique Aqui para mais informações ou comprar

Nenhum comentário