Theatro Municipal comemora centenário de Debussy com Pelléas et Mélisande

Ópera Pelléas et Mélisande. Foto - Fabiana Stig

Ópera dirigida por Iacov Hillel terá Orquestra Sinfônica Municipal, sob regência de Alessandro Sangiorgi, e participação do Coro Lírico, além dos solistas Rosana Lamosa, Yunpeng Wang e Stephen Bronk


O Theatro Municipal de São Paulo, instituição da Secretaria Municipal de Cultura, retorna com sua a temporada lírica, trazendo Pelléas et Mélisande, obra de Claude Debussy, em 12 de outubro, às 20h, com direção novamente de Iacov Hillel. A ópera é uma remontagem da produção de 2012 e marca o centenário de morte do compositor francês. O maestro Alessandro Sangiorgi rege a Orquestra Sinfônica Municipal, com a participação do Coral Lírico, em apresentações que seguem até 21 de outubro. Nesta última data, a produção conta com audiodescrição.

Ópera Pelléas et Mélisande. Foto - Fabiana Stig
“Nossa intenção ao trazer este título remontado de 2012 é dar ao público a oportunidade de relembrar esta obra inovadora de Debussy e também dar sequência a uma temporada lírica diversa no Theatro Municipal de São Paulo”, afirma o Secretário de Cultura, André Sturm.

A trama de Pelléas et Mélisande trata de amor, ciúme e remorso a partir de um triângulo amoroso. A história se divide em cinco atos. Golaud se perde numa floresta durante uma caçada e encontra Mélisande, que também está perdida. Ambos se casam. Golaud tem um meio-irmão, Pelléas, a quem assassina ao desconfiar que há entre ele e Mélisande sentimentos pouco fraternais.

O papel de Golaud será interpretado pelo baixo-barítono americano Stephen Bronk. Quem interpretará Mélisande será novamente a soprano Rosana Lamosa, que foi protagonista desta ópera em 2012. No papel de Pelléas, estará o barítono chinês Yunpeng Wang. Também serão solistas Mauro Chantal, como Rei Arkel, avô de Golaud, e a mezzo-soprano Lidia Schäffer, como Geneviève, mãe de Golaud.

Ópera Pelléas et Mélisande. Foto - Fabiana Stig
O cenário foi concebido por um dos grandes cenógrafos brasileiros, Hélio Eichbauer, que morreu em julho deste ano, deixando um legado de trabalhos renomados no teatro, no cinema e na música. O figurino foi assinado por Marisa Rebollo e tem referências dos trajes na época medieval, inspirados no movimento pré-rafaelita do século 19.

A produção é minimalista. Por exemplo, a sala do palácio é representada apenas pelo trono. Entre os recursos utilizados para a composição cenográfica, está a projeção de alguns detalhes de telas do pintor impressionista francês Claude Monet. Outro elemento essencial é o palco giratório, que foi construído especialmente para a montagem de 2012. O recurso permite a sensação de passagem de tempo, com os locais das ações se sucedendo, e foi utilizado pela última vez este ano na ópera O Cavaleiro da Rosa, de Richard Strauss, com direção de Pablo Maritano e regência de Roberto Minczuk.
Pelléas et Mélisande

A ópera estreou em Paris em 1902. Claude Debussy levou cerca de dez anos para compor a obra, única do gênero escrita por ele. A história se baseia na peça homônima de Maurice Maeterlinck e foi apresentada pela primeira vez em 1893.

“É uma peça simbolista no sentido de que os personagens não se resumem ao que você está vendo, mas são carregados de simbolismo. O Rei Arkel representa o tempo, Geneviève, além de mãe, simboliza a terra fértil. É uma produção misteriosa, ameaçadora. No primeiro ato, a gente não sabe de onde veio Mélisande, que chora ao lado de uma fonte, você se questiona se é uma ninfa, uma princesa que perdeu uma coroa?”, afirma o diretor Iacov Hillel.

A ópera marca o retorno do maestro convidado Alessandro Sangiorgi ao palco do Theatro Municipal. O regente foi assistente e maestro residente da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo até 1993. “Recebi com imensa alegria o convite do maestro Roberto Minczuk para reger Pelléas et Mélisande e o reencontro com a inesquecível Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo.


A música de Debussy enfatiza dois aspectos: acordes sombrios nos acompanham nos bosques onde Golaud caça e na escuridão do castelo onde nunca se vê o céu. Em contraste, cores brilhantes e iridescentes nos acolhem no florescer da amizade e no amor entre os jovens [Pelléas e Mélisande]”, afirma Sangiorgi.

A encenação conta também com um solo infantil no terceiro ato. Para interpretar Yniold, filho de Golaud, duas crianças foram escolhidas. Benjamin Garcia, de 11 anos, é aluno regular da Escola de Música do Theatro Municipal de São Paulo, e Miguel Azevedo Marques, de 12 anos, participa desde 2016 do Coro Infantil da Osesp, sob regência de Teruo Yoshida.

Os ingressos variam de R$ 20,00 a R$ 120,00. A récita da estreia é patrocinada pelo Banco Santander. Já a de domingo, 14 de outubro, tem o patrocínio do Bradesco.

Encerrando a temporada de óperas, o Theatro Municipal encenará, entre 16 e 25 de novembro, Turandot, de Giacomo Puccini. A obra será dirigida por André Heller-Lopes e contará com a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, Coro Lírico e Coral Paulistano, com os maestros Roberto Minczuk, Mário Zaccaro e a maestrina Naomi Munakata, respectivamente, na regência.

Ficha técnica

Pelléas et Mélisande, de Claude Debussy
Direção cênica e Iluminação - Iacov Hillel
Regência - Alessandro Sangiorgi
Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo
Coro Lírico
Cenário - Hélio Eichbauer
Figurino - Marisa Rebollo
Elenco
Pelléas - Yunpeng Wang
Mélisande - Rosana Lamosa
Golaud - Stephen Bronk
Arkel - Mauro Chantal
Geneviève - Lidia Schaffer
Médico - Andrey Mira 
Yniold - Benjamim Garcia e Miguel de Azevedo Marques

Serviço

Pelléas et Mélisande, de Claude Debussy
Local - Theatro Municipal de São Paulo - Sala de Espetáculos
Endereço - Praça Ramos de Azevedo, s/nº - Centro - São Paulo
Datas e Horários
Sexta-feira - 12 de outubro - 20h
Quarta-feira - 17 de outubro - 20h
Sexta-feira - 19 de outubro -  20h
Domingo - 14 de outubro - 18h
Domingo - 21 de outubro - 18h.
Duração - 180 minutos com um intervalo
Ingressos - R$ 120,00, R$ 80,00 e R$ 20,00 (meia-entrada para aposentados, maiores de 60 anos, professores da rede pública e estudantes)
Vendas na bilheteria do Theatro Municipal de São Paulo ou pelo site (Clique Aqui).
Classificação indicativa - 12 anos

Horário da bilheteria
De segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, sábados e domingos, das 10h às 17h. Nos espetáculos à noite, a bilheteria permanece aberta até o início do evento; em dias de espetáculos pela manhã, o espaço abre ao público duas horas antes do início da apresentação. Apenas venda e retirada de ingressos para os eventos do Theatro Municipal de São Paulo.

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