Cineclube Vladimir Herzog debate o “sequestro” das democracias pelo mercado financeiro

“Dedo na ferida” discute o controle dos governos pelo capital financeiro

O Cineclube Vladimir Herzog exibe dia 25 de setembro, às 19h, o longa “Dedo na ferida” (2018), novo documentário de Silvio Tendler, que analisa como o mundo das finanças “sequestrou” as democracias e, hoje, está à frente das tomadas de decisões.

Tendler - também conhecido como “o cineasta dos sonhos interrompidos” por abordar em seus filmes personalidades como Jango, JK e Carlos Marighella -, realiza diversas entrevistas com personalidades artísticas (o cineasta Costa-Gavras), políticas (os ex-ministros Celso Amorim e Yanis Varoufakis) além de professores e economistas (Ladislau Dowbor e Laura Carvalho), e compõe um panorama de como o capital pode influenciar a política, os governos e a nossa vida cotidiana.

Foto - Divulgação
Outro ponto forte do filme é acompanhar o longo trajeto diário de Anderson: do emprego em Copacabana, bairro nobre carioca, até sua casa, localizada em Japeri, região com o pior índice de desenvolvimento humano do Estado do Rio de Janeiro e onde está sediado um destacado grupo de teatro, o Código, que enfrenta enormes dificuldades para sobreviver.

Tendler cumpre o que promete no título: coloca o dedo na ferida ao mostrar a concentração de poder econômico nas mãos de poucos e o lucro crescente dos bancos, num contexto em que a desigualdade social aumenta cada vez mais.

Após a sessão, será realizado um debate sobre o filme e o contexto das eleições, marcadas para o dia 07 de outubro. O convidado para esse debate é Ladislau Dowbor.

Sobre o Diretor  

Silvio Tendler iniciou sua carreira em meados da década de 1960 por meio do Movimento Cineclubista, que ajudou a formar uma geração de cineastas brasileiros em uma época na qual não existiam escolas de cinema no Rio de Janeiro, em uma conjuntura de crescente politização dos movimentos artístico-culturais.

É conhecido como "o cineasta dos vencidos" ou "o cineasta dos sonhos interrompidos" por abordar em seus filmes personalidades como Jango, JK e Carlos Marighella, dentre outros. 
Produziu e dirigiu mais de 70 filmes entre curtas, médias e longas-metragens em formato documental, além de 12 séries.

Em 1976 deu início à realização de seu primeiro longa-metragem, "Os Anos JK - Uma Trajetória Política", produzido pela Terra Filmes, de Hélio Ferraz, concluído em 1980. Em 1977, ministrou o curso pioneiro de Cinema e História na PUC-Rio. Em 1979, passou a integrar o corpo docente do Departamento de Comunicação Social daquela universidade onde leciona por muitos anos.

Em 1981, foi convidado por Paulo Aragão Neto para dirigir o filme "O Mundo Mágico dos Trapalhões", realizado pela Renato Aragão Produções.

Seus filmes "Jango" e "Anos JK", apesar de falarem sobre o golpe militar de 1964 e a democracia, foram lançados ainda em plena ditadura militar, em 1984 e 1980 (já no período da abertura política e após a anistia, no governo Figueiredo), respectivamente. A partir de então, continuou produzindo uma série de documentários que conquistaram diversos prêmios de público e crítica, divulgando a cultura e a história brasileira para o resto do mundo.
Em 1981 fundou a Caliban Produções, produtora direcionada para biografias históricas de cunho social.

Ladislau Dowbor

Filho de Ladislas Dowbor e de Sofia Denartevicz, nasceu na França, durante a Segunda Guerra Mundial, quando seus pais estavam a caminho da América, fugindo da guerra. A partir de 1951, a família se estabelece no Brasil.

Depois de formar-se em Economia Política na Universidade de Lausanne, na Suíça, obteve seu mestrado e doutorado em Ciências Econômicas (1976) na Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia.

Durante o regime militar de 1964, foi militante de esquerda e membro da direção da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Como líder da organização, participou, em março de 1970, do sequestro de Nobuo Okuchi, cônsul do Japão em São Paulo. Foi preso e  torturado até que, nos primeiros dias de 1971, foi incluído no grupo de 40 presos políticos libertados em troca do embaixador suíço Giovanni Bucher, também sequestrado, numa operação comandada por Carlos Lamarca. 

No exílio, Ladislau Dowbor viveu inicialmente na Argélia. Ainda nos anos 1970, foi professor de finanças públicas na Universidade de Coimbra. A convite do ministro Vasco Cabral, tornou-se coordenador técnico do Ministério de Planejamento da Guiné-Bissau (1977-81). Também trabalhou como consultor na Nicarágua, Costa Rica, África do Sul e no Equador.

Anistiado, regressou ao Brasil e entre os anos de 1989 e 1992 foi Secretário de Negócios Extraordinários da Prefeitura de São Paulo (administração de Luiza Erundina), respondendo especialmente pelas áreas de meio ambiente e relações internacionais. Atualmente é professor titular no departamento de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, nas áreas de economia e administração.

Sobre o Cineclube Vladimir Herzog

O Cineclube Vladimir Herzog é uma iniciativa do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP) e do Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (SASP) e visa resgatar um espaço que teve papel importantíssimo na resistência à ditadura e na luta pela redemocratização do país. Filmes como “O Homem que Virou Suco”, de João Batista de Andrade, chegaram a um imenso público a partir das sessões realizadas pelo Cineclube. As sessões são sempre nas últimas terças-feiras de cada mês, seguidas por debates com realizadores dos filmes e/ou convidados. Para mais informações, visite nosso blog e nossa página nas redes sociais.


Serviço

Exibição do documentário “Dedo na ferida” (2018, Silvio Tendler) + Debate sobre o “sequestro” das democracias pelo mercado financeiro
Data e horário - 25 de setembro (terça-feira), às 19h
Endereço - Rua Rêgo Freitas, 530 - Sobreloja - República - São Paulo
Exibição gratuita
Mais informações 11 3229-7989

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