Silvana Garcia encena Strindberg e dá voz à segunda personagem em Senhora X, Senhorita Y

 Ensaio de Senhora X, Senhora Y.   Foto - Manu Costa

O espetáculo é gratuito e estreia dia 06 de setembro na Oficina Oswald de Andrade

Tendo como ponto de partida o texto A mais Forte, de August Strindberg, o espetáculo Senhora X, Senhorita Y estreia dia 06 de setembro, quinta-feira, às 20 horas na Oficina Oswald de Andrade e se debruça sobre alguns dos papéis que a mulher desempenha na sociedade contemporânea.

Com direção geral e dramaturgia de Silvana Garcia e interpretação das atrizes Ana Paula Lopez, Sol Faganello e a performer sonora Camila Couto, que assinam o texto com a encenadora, Senhora X, Senhorita Y é o embate entre duas mulheres, duas atrizes que se enfrentam, se acolhem, se estranham, tendo como enredo as questões que conformam e definem a mulher nos dias de hoje. A peça investiga aspectos muitas vezes contraditórios de inserção social e política feminina, de seus investimentos afetivos e dos agenciamentos simbólicos que a cercam. O foco é a construção do feminino do modo como ele se revela por meio da relação entre mulheres.

Sobre a peça

A ideia de Senhora X, Senhorita Y nasceu de um estudo sobre A mais forte, de Strindberg. Nessa peça, datada de 1889, o autor sueco dispõe frente à frente uma mulher e sua rival, e faz sucederem temas que as dispõem em lados opostos, acentuando o contraste entre a vida de uma e de outra.

Embora seja um monólogo, Strindberg estrutura as falas da Senhora X com maestria tal que podemos “escutar” os argumentos de sua contraparte. Quisemos tornar audível essa contraparte, fazendo falar a Senhorita Y, dando-lhe status de co-protagonista. A partir daí, a sequência de imagens e motivos se sucederam com facilidade.

É o jogo entre as personagens e alguns dos temas de A mais forte que, atualizados, constituem Senhora X, Senhorita Y. Não se trata da peça de Strindberg, mas de uma paráfrase dela. A situação é similar, um possível mesmo cenário, mas, desta vez, as duas figuras debatem, se relacionam, ora são cúmplices, ora se provocam mutuamente, falam delas na intimidade, mas também delas no mundo.

O processo de criação da peça valoriza as criações das atrizes, e partes do texto final ainda preservam improvisos verbais, afiados nos jogos de espelhamento, repetições e precipitações de fala. Nesse sentido, Senhora X, Senhorita Y é um trabalho que exige das atrizes requinte e precisão de desempenho, ao que elas correspondem com a maturidade de intérpretes experientes.

Também a serviço do jogo das atrizes, a trilha propõe a investigação de possibilidades sonoras e performáticas a partir da utilização e ressignificação de objetos socialmente relacionados à mulher, elementos que serão explorados ao vivo em cena para a construção das sonoridades.

Proposta de encenação

A proposta da encenação para Senhora X, Senhorita Y realiza um percurso de retorno à pesquisa iniciada pela diretora Silvana Garcia em seus trabalhos anteriores, realizados com o grupo Lasnoias & Cia.: Lesão cerebral (2007), Há um crocodilo dentro de mim (2009) e Não vejo Moscou da janela do meu quarto (2014).

Esses trabalhos foram constituídos por colagem, a partir da investigação formal e temática de diferentes fontes; a dramaturgia cênica foi estruturada na própria cena e ao longo do processo. A tônica dessas montagens - colagens – em especial das duas primeiras – foi a construção de figuras delineadas com tintas de grotesco cômico, compatíveis com os textos de alto teor de ironia e matéria crítica que caracterizavam seus principais autores – Donald Barthelme, no primeiro, depois Angélica Liddell, Rodrigo Garcia e Abel Neves.

Do terceiro trabalho, Não vejo Moscou da janela do meu quarto, pelo qual a diretora ganhou o prêmio Shell de direção – além do prêmio de Iluminação conquistado por Beto Bruel – "pretendemos preservar a presença de momentos de densidade poética, plasmados não apenas pela palavra, mas também pelo ritmo e deslocamento das atrizes. Em Senhora X, Senhorita Y adotamos a mesma metodologia, levando para a cena a mesma linguagem, agora potencializada pelos elementos que dão consistência dramática a A mais forte".

Sinopse

Senhora X e Senhorita Y encontram-se em uma casa de chá e entram em conflito ao confrontarem suas vidas. Esse encontro se repete, com variações de humor e grotesco, em outros tempos e em outras circunstâncias, revelando novas possibilidades de compreensão do lugar que cada uma ocupa em relação à outra e em relação à sociedade. A dominante é o humor, o rir de si mesmas, o que, no entanto, não impede que venham à tona os aspectos problemáticos da feminidade e do feminismo.

Da competição entre as mulheres à violência doméstica e à orientação de gênero, os temas contemporâneos da experiência de ser mulher atravessam as relações entre as duas atrizes em cena. Não há moldura temporal, nem personagens fixas: no jogo permanente que mantêm entre si, elas estão o tempo todo em movimento, intercambiando papéis, entrando e saindo do jogo, brincando com a plateia, voltando ao texto que deu origem ao espetáculo.

Ficha técnica

Senhora X, Senhorita Y
Direção Geral e Dramaturgia: Silvana Garcia.

Elenco - Ana Paula Lopez, Sol Faganello e Camila Couto.Texto: Silvana Garcia, Ana Paula Lopez e Sol Faganello.

Dramaturgia e Performance Sonora - Camila Couto.
Desenho de Movimento - Ana Paula Lopez.
Direção de Arte - Sol Faganello.
Iluminação - Sarah Salgado. Figurino: Amrita. 
Provocadora de Movimento - Kenia Dias.
Cenotécnico - Zito Rodrigues.
Arte Gráfica - Sol Faganello e Camila Couto.
Fotografia - Maria Fanchin.
Fotografia de Ensaios - Manu Costa.
Captação de Vídeo - Roberto Setton e Philipp Lavra.
Edição de Vídeo - Sol Faganello.
Mídias Digitais - Camila Couto.
Assessoria de Imprensa - ArtePlural.
Direção de Produção - Sol Faganello.
Produção e Realização - Damas.
Apoio Institucional - Oficina Cultural Oswald de Andrade.
Apoio Cultural - Reabilitare Estúdio de Pilates.

Serviço

Senhora X, Senhorita Y 
Comédia.
Estreia dia 06 de setembro, quinta, às 20 horas, na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Temporada até dia 29 de setembro- quintas e sextas-feiras ás 20horas e sábados às 18horas (exceto feriado: dia 7/9 - sexta-feira - 18h) na sala 7 da Oficina Cultural Oswald de Andrade
Endereço - Rua Três Rios, 363, Bom Retiro - São Paulo.
Gratuito.
Ingressos distribuídos com 1 hora de antecedência.
Duração - 70 minutos.
Classificação - 14 anos.


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