Criança inquieta: a educação ajuda na saúde e a saúde ajuda a educar

Obra tem um alerta para diagnósticos indevidos e excessiva medicalização das crianças. Brasil ocupa segundo lugar no mercado mundial no consumo de metilfenidato (Ritalina)


No dia 09 de agosto, a partir das 17h, a Doutora em Pedagogia da Educação Esméria Rovai e o pediatra e Mestre em Homeopatia Carlos Brunini lançarão o livro “Criança Inquieta - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade?”, no espaço Cultural Alberico Rodrigues, em São Paulo. Às 19h30 acontecerá um bate papo com os autores.

A novidade da obra - inexistente no mercado literário - é a abordagem: voltada para a educação escolar, traz também a integração das áreas da educação e saúde. “A educação ajuda na saúde e a saúde ajuda a educar. Assim, ambas têm papel importante no combate à medicalização da infância”, explica Esméria.

O livro estimula o debate sobre o TDAH na vida escolar e na relação com a família. O objetivo dele é mostraraos profissionais da educação, da saúde e aos pais a importância de olhar não só para o fator genético, mas também para as influências do meio ambiente na moldagem do comportamento das crianças e dos adolescentes. O assunto é complexo e seria “insensato” admitir uma verdade definitiva: doença neurológica genética.

Nessa tarefa, os professores não devem ser considerados seres isolados, respondendo sozinhos pelo cuidado de preparar e inserir as crianças e jovens como cidadãos no mundo. São eles parte da vasta rede de interconexões com a sociedade. Todos juntos, dando subsídios que deve preparar este profissional para saber identificar e lidar com as diferenças individuais das crianças em sala de aula.


“E mais, saber distinguir casos de crianças inquietas e seus motivos antes de encaminhá-las para tratamento medicamentoso de déficit de atenção e hiperatividade - TDAH. Assim, compor com os profissionais da saúde e os pais uma rede que fortalece o combate de medicalização da vida, começando já na infância”, alerta a educadora.


Com viés humanista, os autores evidenciam que os distúrbios comportamentais das crianças neste tempo de aceleração estão relacionados ao estilo de vida assumido pela sociedade. Apontam para um novo modo de olhar e escutar as crianças nas manifestações de ansiedade, agitação, déficit de atenção e agressividade: estratégias pedagógicas adequadas, modalidades de questionamentos diferenciados para cada quadro e, no caso de atendimento médico, inclui o tratamento pela ciência que dialoga com a saúde integral dos jovens pacientes: a Homeopatia.

Do ponto de vista pedagógico o alerta “fica para o aprisionamento das práticas pedagógicas a padrões que não mais atendem aos interesses das crianças de hoje e que não são atraídas pela a chatice da escola, já que o mundo lá fora, com a presença do mundo virtual, é altamente excitante e sedutor”, ressalta Esméria. Outro fator preocupante é em relação aos tratamentos com medicamentos específicos para TDAH e que depois se descobre que as crianças não são portadoras desse transtorno.

“Não havendo um exame laboratorial que confirme esta patologia, observa-se muitos diagnósticos indevidos e uma excessiva medicalização das crianças que apresentam problemas de aprendizagem, comportamento e disciplina”, afirma Brunini. “E, o pior, podem desenvolver dependência física e psicológica dos remédios”, completa o médico.


Apesar da complexidade em se confirmar o diagnóstico, o Brasil ocupa a segunda posição no mercado mundial no consumo de metilfenidato; 2000000 de caixas vendidas em 2010. Dados do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro mostram um aumento no consumo de 775% entre 2003 e 2012.

Em 2015, as Coordenações Gerais de Saúde da Criança e Aleitamento Materno, Saúde dos Adolescentes e dos Jovens e a Coordenação de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde divulgaram uma recomendação para que Estados e Municípios publicassem protocolos de dispensação de metilfenidato, para prevenir a excessiva medicalização de crianças e adolescentes.

A medida foi tomada diante da tendência de compreensão de dificuldades de aprendizagem como transtornos biológicos a serem medicados, do aumento intenso no consumo de metilfenidato e dos riscos associados ao consumo desse medicamento. Inclusive existe uma medida da 26ª Reunião de Altas Autoridades em Direitos Humanos (RAADH) do Mercosul, que ressalta a importância de garantir o direito de crianças e adolescentes a não serem medicados em demasia.


Na obra também há espaço para desfazer o mito da criança agitada ser portadora de doença neurológica, de baixa autoestima e fadada ao fracasso. “Ao contrário, quando tratadas com estratégias adequadas são portadoras de grande criatividade”, enfatiza Esméria.

A Homeopatia


A Homeopatia propõe uma abordagem integral da criança, valorizando não apenas as queixas clínicas mas seu modo de ser e o contexto no qual está inserida (familiar, social, escolar, cultural). Do ponto de vista homeopático os sintomas podem ser alertas para sofrimentos mais profundos, emocionais ou psicológicos que precisam ser identificados e tratados para se alcançar a cura.

Hahnemann, médico fundador da Homeopatia, destacava, há mais de duzentos anos, a importância da educação, alimentação e cuidados de higiene como promotores de saúde.

“O medicamento homeopático, quando bem selecionado segundo a individualidade do paciente, é capaz de produzir um melhor equilíbrio físico e mental e amenizar seu sofrimento, sem provocar efeitos colaterais e/ou dependência. Se necessário, pode ser associado ao tratamento alopático”, explica Brunini.

O livro estará à venda no Espaço Cultural Alberico Rodrigues e diretamente com os autores.

Sobre os autores


Fundamentação e experiência não faltam para o autor Carlos Brunini. Há mais de 40 anos na área, vive em constante atuação e pesquisa. Brunini é pediatra, professor de fitoterapia, doutor em clínica médica, mestre em homeopatia e acumula 29 livros nestes segmentos.

Esméria Rovai é Doutora em Psicologia da Educação pela PUC/SP. Foi professora de Psicologia da Educacão durante 28 anos na FATEC /SP, de Fundamentos da Comunicação e Expressão por 12 anos na Faculdade de Belas Artes, de São Paulo, e de Comunicação na FMU, por 2 anos. É graduada em Ciência Médica Homeopática com especialização na área e curso de Terapeuta Holístico. 


Tem 3 livros publicados pela Editora Cortez: “Ensino Vocacional uma pedagogia atual” – 2005; “Competência e competências - contribuição crítica ao debate” - 2010 e coautora de “Escola como Desejo e Movimento - novos paradigmas, novos olhares para a educação” - 2015.

Ficha técnica

“Criança Inquieta - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade?”

Autores - Carlos Brunini e Esméria Rovai
Páginas - 207
Livro On Demand

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