Edição sobre cinema negro da revista Filme Cultura está com inscrições abertas para textos

Estão abertas até o dia 31 de agosto as inscrições para a seleção de textos que farão parte da edição 64 da revista Filme Cultura, que terá como temática o cinema negro, abordando a representação e a representatividade das pessoas negras no audiovisual nacional.

A revista Filme Cultura é uma publicação dedicada à pesquisa, reflexão e divulgação do cinema brasileiro, abordando de forma aprofundada um tema a cada edição. A publicação é hoje uma realização da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, em parceria com o Centro Técnico Audiovisual (CTAv) e a Cinemateca Brasileira.

Serão aceitos textos inéditos, inscritos por pessoas físicas, homens ou mulheres, que se apresentem como autores do material enviado. Não há limite para o número de textos a serem inscritos por cada pessoa. O texto inscrito pode ser derivado de um anterior, mas deve trazer novos dados ou abordagens. A revista também poderá receber textos de articulistas convidados.

Os textos podem ser inscritos para as seguintes seções: Atualizando (análise acerca de tecnologias e suas implicações no audiovisual); Um filme(crítica cinematográfica de um longa-metragem brasileiro); Lá e cá (relação entre o cinema nacional e o internacional); Outro olhar (relação entre o cinema e as demais áreas ou linguagens); Perfil (relato sobre a trajetória de uma personalidade do cinema nacional); Curtas (relatos sobre a realização de curtas-metragens); Livro (críticas de livros sobre audiovisual); Artigo (abordagem aprofundada sobre a temática da edição); e Entrevista (entrevista com personalidade do cinema ou especialista). Todos os textos partem da temática desta edição: cinema negro.
As inscrições são realizadas pelo Mapas Culturais (Clique Aqui)  e as dúvidas podem ser tiradas pelo e-mail audiovisual@cultura.gov.br.

Cinema Negro


Lançado recentemente, o novo estudo da Agência Nacional do Cinema (Ancine) - “Diversidade de gênero e raça nos lançamentos brasileiros de 2016”, tendo como base os 142 longas-metragens brasileiros lançados comercialmente em salas de exibição no ano de 2016, mostra que são dos homens brancos a direção de 75,4% dos longas. As mulheres brancas assinam a direção de 19,7% dos filmes, enquanto apenas 2,1% foram dirigidos por homens negros. Nenhum dos filmes lançados em 2016 foi dirigido ou roteirizado por uma mulher negra.

A participação nos elencos das obras também mostra a sub-representação da população negra. Apesar de o Brasil ser formado por 50,7% de negros, o percentual de negros no elenco dos 97 filmes brasileiros de ficção lançados em 2016 foi de apenas 13,4%.

Segundo o Boletim Gemaa - Perfil do Cinema Brasileiro 1995 - 2016, que apresenta o perfil de raça e gênero dos filmes brasileiros de maior público lançados no período indicado, a presença de mulheres negras na direção e no roteiro destes filmes é zero! No elenco principal, as mulheres negras aparecem apenas em 4% dos filmes analisados no período. Até hoje, Adélia Sampaio é uma referência, por ter sido a primeira mulher negra a ter dirigido um longa-metragem no Brasil - Amor Maldito, lançado em 1984.

A Revista


A revista Filme Cultura foi lançada em 1966 pelo Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE), posteriormente - Instituto Nacional de Cinema (INC) e Empresa Brasileira de Filmes (Embrafilme). Foram publicadas 48 edições, além de duas revistas especiais, feitas para os festivais de Cannes e Berlim. Em 1988, a revista teve sua atividade suspensa e deixou uma lacuna no segmento das publicações especializadas por quase 20 anos. Em 2007, foi lançada uma edição especial da revista comemorativa dos 70 anos do INCE e dos 22 anos de existência do Centro Técnico Audiovisual (CTAv). A revista voltou a circular periodicamente apenas em 2010 e foi publicada até a edição 61, no final de 2013.

Em 2017, a revista foi retomada, apostando em um novo modelo, mais sustentável: com a realização de um edital de chamada para textos, nos moldes de “call for papers” das revistas acadêmicas, ampliando as possíveis vozes e ampliando o acesso ao ambiente da pesquisa cinematográfica brasileira; com o aprofundamento da segmentação por temática a cada edição, o que traz um panorama mais complexo de setores, públicos e interesses relacionados ao audiovisual nacional; e com a valorização do portal com todo o acervo da revista, para democratizar o acesso a esse conteúdo.