Passeata dos cem mil: 50 anos da manifestação contra a Ditadura



O dia 26 de junho de 1968 ficou marcado na história brasileira como um dos acontecimentos mais significativos na memória do país. Há 50 anos ocorreu nas ruas da Cinelândia (RJ) a Passeata dos Cem Mil. A manifestação popular, uma das mais expressivas da história, foi organizada pelo movimento estudantil, e protestava contra a política educacional adotada pelo governo, que tendia à privatização.

Apesar de ser organizada pelo movimento estudantil, a manifestação contou com a presença de diversos artistas, intelectuais e políticos. A massa era encabeçada por uma enorme faixa que dizia “Abaixo a Ditadura. O Povo no Poder”. O ato durou cerca de três horas, e acabou em frente à Assembleia Legislativa. 

No livro Cravo Vermelho, o autor Virgilio Pedro Rigonatti detalha com maestria a década de 60, pelos olhos de seu alter ego, Pedrina. A narrativa passeia pelo fatos marcantes da história brasileira, como as manifestações estudantis e a luta da população contra a ditadura militar, como a Passeata dos Cem Mil:

“Mais de cem mil participantes desfilaram pelas avenidas cariocas em direção à catedral da Candelária, sendo ovacionados pela população espremida nas calçadas e sob uma forte chuva de papel picado que caia dos prédios. Líderes se revezavam nos discursos pregando o restabelecimento da liberdade de expressão, de reunião, de manifestação; o fim do autoritarismo, das prisões por motivos políticos e da truculência dos órgãos repressores; a reforma do ensino e das instituições; conclamavam a participação ativa da sociedade, especialmente dos jovens...

O clima era de empolgação e de crença na possibilidade de mudar o mundo: bastava a participação e o voluntariado de todos.”

A partir da Passeata dos Cem Mil, as manifestações foram crescendo exponencialmente, e cada vez mais fortemente reprimidas, com prisões e mortes de vários estudantes. O ato final da repreensão chegou ao seu ápice em dezembro daquele ano, com a instituição do Ai-5, o mais duro ato da Ditadura.

Emitido pelo presidente Artur da Costa e Silva, o AI-5 decretou a perda de mandatos de parlamentares contrários aos militares, intervenções ordenadas pelo presidente, que consequentemente resultou na institucionalização da tortura.

Se na época as vítimas de tortura, e suas famílias, não tinham amparo necessário, a partir de 1997 elas passaram a ter. Já que após 29 anos, a ONU instituiu o Dia Internacional de Apoia às Vítimas de Tortura, coincidentemente no dia 26 de junho. A data visa combater as práticas horríveis de tortura, além de oferecer total apoio às vítimas.

Sobre o autor
Nascido em 22 de março de 1948, no bairro de Vila Anastácio, na cidade de São Paulo, Virgilio Pedro Rigonatti começou a escrever aos 60 anos. Desde sempre o contador oral das riquíssimas histórias da família, descobriu um prazer imenso em escrever ao registrar em um blog a trajetória do clã. Após lançar seu primeiro livro, Maria Clara, a Filha do Coronel, pela Editora Gente, romance baseado na vida de sua mãe, decidiu fundar a sua própria editora, a Lereprazer, cujo título de estreia é este Cravo Vermelho. Atualmente, Virgilio prepara o lançamento da sequência de Maria Clara e trabalha em um novo romance.

Ficha Técnica
Cravo Vermelho
Autor - Virgilio Pedro Rigonatti
Editora - Lereprazer
Páginas - 292
Preço - R$44,90

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