Natasha Neri documenta homicídios no Rio de Janeiro


De janeiro a abril de 2018, 464 pessoas foram mortas pelas polícias do Estado do Rio de Janeiro, numa média de 3 a 4 homicídios por dia, em casos classificados como suposta legítima defesa, os chamados "Autos de Resistência".

Auto de Resistência é um documentário sobre homicídios praticados pela polícia contra civis, no Rio de Janeiro, em situações inicialmente classificadas como legítima defesa. O morto é acusado de ser traficante e ter trocado tiros com a polícia, mas a narrativa policial é posta em cheque pelo surgimento de vídeos e pela luta de mães que tentam provar a inocência de seus filhos.

O filme retrata o embate de versões no julgamento de casos nas varas dos Tribunais do Júri, os bastidores das investigações policiais, e a Comissão Parlamentar de Inquérito estadual instaurada para apurar o alto índice de mortes decorrentes da ação da polícia.

Com intervenção militar, a letalidade do Estado continua altíssima, no patamar mais alto da história. O filme traz à tona a forma como o Estado e a sociedade legitimam essas mortes.

Curiosidades


Desde 1997, já são mais de 16 mil mortos pelas polícias do Rio, número maior do que os 11.090 mortos pela polícia dos EUA em 30 anos. Somente em 2017, foram 1330 mortos em decorrência da intervenção policial no RJ, em sua maioria, negros e pobres, moradores de favelas.

Estas ocorrências são apresentadas nas delegacias pelos próprios policiais envolvidos, que costumam alegar ter atirado em legítima defesa, em resposta a uma suposta "resistência de opositor". A maioria dos casos é arquivada, seja por falta de provas, seja pela construção, nos autos, de uma narrativa na qual o morto é classificado como "elemento suspeito", supostamente envolvido com alguma atividade criminosa. Investigam-se os mortos, mas não são esclarecidas as circunstâncias das mortes, prevalecendo a versão apresentada pelos policiais.

O documentário se debruça sobre este tipo específico de homicídio e a forma como o Estado lida com essas mortes, desde o momento em que um indivíduo é baleado por um policial, passando pelas dificuldades no andamento das investigações, até um possível julgamento nas varas de júri do tribunal de justiça. O ponto de partida para abordar o tema são personagens que vivenciam esse cotidiano de mortes. 

Por meio da linguagem do cinema direto, a câmera segue os passos de atores sociais que tem suas vidas impactadas ou atuam em casos de "autos de resistência": as mães de jovens mortos por policiais; um defensor público do Núcleo de Direitos Humanos, que atua como assistente de acusação; um promotor de uma Vara Criminal do Júri; um sobrevivente de tentativa de homicídio praticada por policiais; e advogados de policiais processados.

Não se trata de um documentário centrado em especialistas em segurança pública que analisam o tema com distanciamento. Em vez de talking heads, o filme transporta o espectador para a rotina de personagens que vivenciam esse cotidiano de mortes no Rio. A existência de vídeos das operações e o ativismo de familiares empurram as engrenagens da Justiça, e o veredicto final está nas mãos da sociedade.

Confira o trailer


Ficha Técnica

Direção - Natasha Neri e Lula Carvalho
Argumento e Roteiro - Natasha Neri e Juliana Farias
Produção Executiva - lia Gandelman e Joana Nin
Assistente de direção - Leo Nabuco e Juliana Farias
Direção de Fotografia - Lula Carvalho ASC, ABC - Pedro Von Krüger
Fotografia Adicional - Pablo Baião, Breno Cunha, David Pacheco e Jefferson Vasconcellos
Direção de Produção - Bruno Arthur
Montagem - Marilia Moraes, edt.
Trilha Original - Alberto Continentino
Produção - Knofilme Produções Artísticas
Coprodução - ComDomínio / Canal Curta/ Riofilme

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