Juiz federal estreia na literatura com contos sobre heróis históricos

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Em narrativas em primeira pessoa, contos resgatam o encanto de atos heroicos, generosos e desprovidos de interesses pessoais

Quem vê o jovem desportista, competidor de triatlo, não imagina que ali se encontra um juiz federal e professor universitário com mais de 20 anos de carreira. José Eduardo Leonel, 47, reconhece que costuma causar estranheza nas pessoas que se espantam com sua energia arrebatadora. “Perdi a crença na humanidade cedo demais para escapar ao cinismo. Mesmo assim, travo uma batalha diária para ressuscitar o menino de dez anos crente nas possibilidades de honradez e honestidade que a raça então exibia.”

É justamente esse espírito inquieto que o inspirou a mergulhar na literatura para homenagear figuras históricas que nos fazem acreditar no ser humano: os heróis. É a esses personagens que ele dedica seu Escravos da insensatez: crônicas da história dos heróis,lançamento da Editora Prismas.

Para José Eduardo Leonel, “a ideia de herói embaralha-se com a de sacrifício”, explica. “Há também a excepcionalidade, pois o herói é necessariamente capaz de fazer coisas que o homem comum não realiza.” O ponto de partida para o autor é herói da perspectiva de Joseph Campbell, ou seja, aquele que se dispõe a fazer algo para a comunidade, com total desinteresse.

Não por acaso começa o livro com “O dono dos corações”, que narra um dos acontecimentos mais belos da história da humanidade: a abertura de sua casaca, por Napoleão Bonaparte, dispondo-se a morrer diante de 7 mil soldados. O narrador em primeira pessoa é um de seus 600 soldados que caminha de encontro ao poderoso exército de Luís XVIII. Por mais teatral que tenha sido o episódio, foi um ato heroico.

No segundo, intitulado “Bragança”, o narrador é integrante da comitiva de Dom Pedro I, em passagem por Lorena e comenta sobre a personalidade heroica do monarca: “Pedro diz, Pedro faz. Ele não ameaça para praticar política. Jamais.”

Em “O manto negro”, descreve o momento em que o ministro Adauto Lúcio Cardoso manifesta sua indignada repulsa frente à aprovação do Supremo Tribunal Federal à Lei da Censura Prévia (Decreto-Lei 1.077), editada pelo Governo Médici em 1971, no auge da ditadura.

No conto seguinte, “Alexandre”, o narrador é o próprio Alexandre III da Macedônia (356 a.C.-323 a.C.), conhecido como Alexandre, o Grande. Rei da Macedônia aos 20 anos, passou a maior parte da vida em campanhas militares invictas, criando um dos maiores impérios do mundo antigo, que se estendeu da Grécia ao Egito e ao Noroeste da Índia.

Os contos seguintes abordam vários personagens e temas, como Rolando que, segundo a lenda, é sobrinho de Carlos Magno, de quem recebeu a espada Durindana, que teria pertencido a Heitor de Tróia, com a qual lutou bravamente contra os mouros na Península Ibérica; o espartano Leônidas, às vésperas de sua derrota frente a Xerxes, que cortou sua cabeça e o empalou; o primeiro encontro entre a poetisa inglesa Elizabeth Barret, autora de poemas românticos, e seu marido, o também poeta Robert Browing; um dos discípulos de Cristo que o acompanha em seus últimos momentos; Androcles, personagem de uma das conhecidas fábulas de Esopo, que se torna amigo de um leão; a poetisa Safo; o encontro do rei Arthur com sua espada Excalibur; o testemunho pessoal sobre a experiência de flanar sobre as ruas de Paris; um tributo ao compositor Rachmaninoff e finalmente uma declaração de amor à própria avó que o inspirou nas letras e na vida.

“Não interessa o que o herói realmente quer, se ele tem um ego enorme ou nenhum, se pensa assim ou assado. Se ele se dispõe a dar a vida pela comunidade, pronto: ele é um herói”, explica Leonel.

Sobre o autor
Juiz federal em Jundiaí, juiz convocado no Tribunal Regional Federal da 3ª. Região por oito anos, professor licenciado de Direito na Faculdade Autônoma de Direito (FADISP), possui doutorado em Direito Penal pela Universidade de São Paulo (2006), sendo mestre em Direito Processual Penal pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2001). Atua na área de direito, com ênfase em direito penal.

Ficha técnica
Escravos da insensatez: crônicas da história dos heróis
Autor - José Eduardo Leonel
Editora Prismas
Número de páginas - 60
Preço - R$ 35,00

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