Livro conta a história dos jingles no Brasil


Reprodução capa


Pesquisa inédita revela processo de criação de 190 peças de propaganda  e acompanha um CD com mais de 150 jingles que fizeram história 

Você já se pegou cantando “Pipoca na panela, começa a arrebentar...” ou “O tempo passa, o tempo voa...”? Então certamente irá se interessar por Jingle é a alma do negócio, livro recém-lançado pela editora Panda Books que revela o processo de criação de 190 músicas eternizadas na história da publicidade brasileira. O autor, Fábio Barbosa Dias, é publicitário e iniciou sua carreira em 1993 criando jingles. Depois de se tornar professor universitário, teve a ideia de levar o tema ao público leitor. Foram anos de pesquisa e uma série de 37 entrevistas, até a realização desta edição histórica que homenageia o segmento mais artístico da propaganda no Brasil.


Para entender como o talento dos jinglistas consegue transformar a música em uma poderosa ferramenta de comunicação publicitária, o autor traça um panorama abrangente e aprofundado sobre a história e as histórias das músicas de propaganda e de seus criadores. Primeiro, explica com detalhes o processo de criação de um jingle, que envolve agências de propagandas, músicos e produtoras de áudio. Então, volta à Idade Média para contar os primórdios da história dessas peças de propaganda, passando pelo período colonial no Brasil, quando vendedores ambulantes já compunham musiquinhas para anunciar seus produtos nas ruas, até chegar ao auge do gênero, entre os anos 1970 e 1990.

Um extenso capítulo é dedicado a breves biografias de grandes jinglistas brasileiros, como Maugeri Neto, que criou a marcha “A taça do mundo é nossa” em homenagem à Seleção Brasileira de 1958, e José Luiz “Zelão” Nammur, autor de cerca de seis mil jingles ao longo de sua carreira. No decorrer da leitura, descobre-se que compositores populares como Luiz Carlos Sá e Zé Rodrix também eram jinglistas. O primeiro foi responsável pelo jingle da Caixa Econômica Federal que eternizou o slogan “Vem pra Caixa você também” e o segundo, pela clássica peça de outra instituição financeira: “Quem disse que não dá...?”. (Nem precisa dizer que é na Fininvest que dá, né?).

O autor esmiúça os mais importantes jingles dos últimos setenta anos, trazendo histórias, curiosidades e os contextos em que foram criados. “O tempo passa”, da Bamerindus, de autoria de Walter Santos, surgiu nos anos 1970 e foi reutilizado em 1990, após o confisco das poupanças promovido pelo governo Collor. Já o cativante jingle de “Cremo-cremo-cremo-cremogema”, ícone da propaganda brasileira criado nos anos 1980, não passava de uma adaptação de um jingle norte-americano feito para uma marca de Donuts. Outro jingle que pegou na mesma época foi o de Danoninho. A ideia de usar a peça para piano “O bife” para compor a melodia é uma referência a um antigo slogan da marca – “Aquele que vale por um bifinho” –, que havia sido vetado por mexer com questões nutricionais das crianças. 

Mas sucesso mesmo fez “Pipoca com Guaraná”, lançado para divulgar o Guaraná Antarctica entre o público jovem nos anos 1990. O estouro foi tão grande que o jingle chegou até a ganhar uma versão para o Carnaval que entrou no repertório de bandas e trios elétricos. 

Não consegue mais tirar essas músicas da cabeça, né? Washington Olivetto, na orelha do livro, escreve que a fabricação de chicletes de ouvido é fundamental na indústria da propaganda. O publicitário Sérgio Campanelli também tem sua máxima: “Quando você tiver qualquer dúvida sobre o que dizer em sua campanha, cante”. Fábio Barbosa Dias vai além, e defende a tese de que os jingles são mais do que puro marketing. Dá como exemplo a peça composta para a campanha “Mamíferos” da Parmalat, em 1996, cujas sacadas fonéticas (“O elefante é fã de Parmalat / O búfalo falou que é bom”) mostram quanto a música para a publicidade torna-se arte e se insere como um elemento da cultura popular quando é bem-feita.

Ao longo do texto, o autor ainda revela curiosidades como o significado da palavra jingle e a história do primeiro jingle do rádio brasileiro. Cita também nomes importantes da música brasileira, como Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Noel Rosa e até Heitor Villa-Lobos, que foram autores de peças para produtos. Fascinante do começo ao fim, o livro não é só para ser lido, mas também ouvido: inclui CD com mais de 150 jingles, indicados no texto com um ícone de um microfone.

Trecho
“Muita gente não se lembra ou sequer sabe que já existiu no Brasil a Fanta Limão, lançada em 1978. Para a campanha de estreia, a agência McCann Erickson solicitou aos irmãos Olavo e Diógenes um jingle nos moldes do que eles tinham feito para a campanha “Coca-Cola dá mais vida”. Os Zirmão, como eram conhecidos, resolveram criar um tema pop, mas com pitadas de ragtime percebidas a partir da harmonia ao piano e vocais típicos dos grupos de doo-wop dos anos 1950, perfeitos para explorar bastante a voz de baixo profundo de Diógenes. O jingle foi um sucesso absoluto, tendo recebido diversos prêmios e contribuindo muito para popularizar o novo sabor do refrigerante – que foi comercializado até 1984, quando deu lugar ao Sprite.”

O livro custa R$ 62,90 e pode ser encontrado nas principias livrarias do país, como a Saraiva, a Cultura, entre outras.

Sobre o autor
Fábio Barbosa Dias nasceu em Santos (SP), é formado em Publicidade e Propaganda pela ESPM de São Paulo e tem mestrado em Comunicação pela Universidade Estadual de Londrina. Iniciou sua carreira em 1993 como criador de jingles em uma importante produtora de áudio, e hoje é professor universitário. 

Ficha técnica
Jingle é a Alma do Negócio
Autor - Fábio Barbosa Dias
Editora - Panda Books
Páginas - 372
Preço - R$ 62,90
Gênero - história, música e propaganda



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