Edições Sesc São Paulo lançam a obra Levantes

Capa Livro Levantes
A obra foi organizada pelo filósofo e historiador francês Georges Didi-Huberman

Lançamento das Edições Sesc São Paulo, Levantes traz uma intensa e abrangente reflexão artística, filosófica, histórica, política e estética sobre a temática dos levantes, insurreições que permeiam as sociedades que, por meio de palavras, gestos e ações, reivindicam em grupo condições de vida mais dignas e igualitárias, desafiando formas de submissão a um poder absoluto. Fruto de extensa pesquisa do filósofo e historiador de arte francês Georges Didi-Huberman, a obra também corresponde ao catálogo da exposição homônima em cartaz desde outubro de 2017 e vai até janeiro de 2018 no Sesc Pinheiros, em São Paulo.

Autora do primeiro ensaio da obra, a filósofa norte-americana Judith Butler discorre sobre o caráter primeiro do fenômeno dos levantes, desvendando quem se levanta, por que o faz e quando a ação de levantar-se contra algo ocorre. Com uma prosa densa, Butler evidencia que “quem faz um levante o faz em conjunto e ao constatar um sofrimento inaceitável”. Segundo ela, “para haver um levante, é preciso que laços se estabeleçam entre aqueles que sofrem e resistem no cotidiano, mesmo que eles definitivamente não tenham o poder de derrubar o regime político legal ou econômico que os sujeita”. Desse modo, seu texto abre o livro justamente por esmiuçar os diversos flancos que convergem para um levante, dando ao leitor a chave principal de entrada ao restante da obra.

No artigo “O acontecimento ‘levante’”, o filósofo italiano Antonio Negri se empenha em identificar as características dos momentos que antecedem os levantes, diferenciando e relacionando o que denomina intervalo/pausa e interrupção/ruptura. “Todo coletivo se constitui de indivíduos e do levante de uma quantidade de singularidades, mas o coletivo ‘verdadeiro’ está na passagem que transforma o peso e a ‘insustentabilidade’ da vida na decisão do levantar, no esforço e na alegria desse ato. O levante é sempre uma aventura coletiva, uma palavra que não existe individualizada”. Fazendo uma analogia central com o levantamento de peso, as reflexões de Negri convergem para uma espécie de poesia filosófica que tenta nos transmitir todo o peso envolvido na passagem da inércia indiferente ao impulso coletivo de levantar-se.

“Então tudo se inflama. Tem quem veja nisso apenas o puro caos. No entanto, outros veem surgir formas de um desejo de ser livre, formas de vida em comum [...]. Dizer  manifestamos’ é constatar – mesmo com espanto, mesmo sem compreender – que algo surgiu, algo decisivo."
Georges Didi-Huberman

Já a filósofa e escritora francesa Marie-José Mondzain inicia seu texto analisando a suposta apatia generalizada que nos atinge hoje enquanto sociedade, passando à análise da resistência presente, por exemplo, na criatividade, na arte e na educação.

Na linha de Negri, o grande filósofo francês Jacques Rancière traz à tona a discussão entre ativo e passivo, convergindo as noções de movimento e repouso a partir de referências como Winckelmann, Platão, Eisenstein e o próprio Didi-Huberman.

Nicole Brenez, historiadora e curadora francesa especializada em cinema, volta-se inteiramente à sétima arte ao debruçar-se sobre a eficácia do cinema engajado no decorrer da história, explorando o tema a partir de filmes de diversas nacionalidades e indo desde a invenção dos recursos do diagnóstico visual (1895), passando pela apropriação dos meios de produção (1913), o surgimento das narrativas do cinema proletário (1967), a garantia da livre circulação das imagens (1970), entre outros, até a criação da Ur-Informação (1999-2015), a informação original gerada graças à popularização das ferramentas digitais de produção e distribuição, que muitas vezes precedem a informação oficial.

Aos ensaios reflexivos, seguem-se pequenos textos introdutórios elaborados por Didi-Huberman a fim de introduzir ao leitor o portfólio de imagens das obras que compõem a exposição realizada no Sesc, imagens essas organizadas sob cinco grandes temas – elementos, gestos, palavras, conflitos e desejos –, que caracterizam as nuances que constituem os levantes. Apoiado nos textos, esse amplo aparato imagético ganha força, e essa potencialidade transborda as barreiras do político e/ou filosófico, alçando o levantar-se contra algo ao status de belo.

A obra é encerrada com o precioso artigo “Através dos desejos (fragmentos sobre o que nos subleva)”, no qual Georges Didi-Huberman faz uma ampla reflexão histórica, filosófica e artística sobre o fenômeno dos levantes, discorrendo, a partir de um extensivo referencial teórico e amparado em imagens, sobre os diferentes aspectos das forças que nos sublevam. 

“De Victor Hugo a Eisenstein e além, os levantes serão frequentemente comparados a turbilhões e a grandes ondas que arrebentam, por ser quando os elementos (da história) se desencadeiam.”
Georges Didi-Huberman

Levantes é, assim, um livro que desestabiliza e movimenta os desejos latentes por mudanças, quaisquer que sejam. É uma obra vigorosa, de resistência, para esquivar-se da desesperança.

Ficha técnica
Levantes
Edições Sesc São Paulo
Organizador - Georges Didi-Huberman
Páginas - 420
Preço: R$ 130,00

As publicações das Edições Sesc São Paulo podem ser adquiridas em todas as unidades Sesc SP (capital e interior), nas principais livrarias e também pelo portal www.sescsp.org.br/livraria

Sobre a exposição
Levantes é uma exposição transdisciplinar, proposta pelo filósofo e historiador Georges Didi-Huberman, sob a perspectiva das emoções coletivas. Estão presentes as diferentes formas de representação dos levantes, atos populares, políticos, engajados nas transformações sociais, nas revoltas e/ou revoluções. Os anseios, as forças da natureza, os impulsos e gestos corpóreos, os testemunhos tratando daquilo que nos mobiliza a sublevar, a transformar, são apresentados por meio de instalações, pinturas, fotografias, documentos, vídeos e filmes contemporâneos, demonstrando as múltiplas maneiras de transformar quietude em movimento, submissão em revolta, renúncia em alegria expansiva.

Serviço
Exposição LevantesLocal - SESC Pinheiros - Espaço Expositivo (2º andar)
Endereço - R. Pais Leme, 195 - Pinheiros, São Paulo
Período: de 18 de outubro de 2017 a 28 de janeiro de 2018
Entrada Gratuita

Sobre Georges Didi-Huberman

Autor de dezenas de livros, o filósofo, historiador e crítico de arte Georges Didi-Huberman é professor da École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, e um dos grandes pensadores da atualidade.

Sobre as Edições SESC São Paulo
Pautada pelo conceito de educação permanente e acesso à cultura, as Edições Sesc São Paulo publicam livros em diversas áreas do conhecimento. Em diálogo com a programação do Sesc, apresenta um catálogo variado, voltado à preservação e à difusão de conteúdos sobre os múltiplos aspectos da contemporaneidade. Além dos títulos impressos, que estão disponíveis nas Lojas Sesc, na livraria virtual do Portal do Sesc e nas livrarias físicas e virtuais, as Edições Sesc vêm convertendo seu catálogo em e-books, que podem ser adquiridos em lojas virtuais como Livraria Cultura, Livraria Saraiva e Amazon e em aplicativos do Brasil e do mundo como Google Play e Apple Store.

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