Obra de poetas negros é revisitada pelo projeto Black Poetry


Sob o signo do ‘spoken word’, Sesc Pompeia recebe Brian Jackson,
Juçara Marçal, Mano Brown, Black Alien e grande elenco.


No mês da Consciência Negra, o Sesc Pompeia recebe o projeto Black Poetry, criado e dirigido pelo agitador cultural Eduardo Beu, dos Trovadores do Miocárdio. 

O espetáculo, que une poesia e música, foca na linguagem spoken word (recurso usado em performances artísticas em que letras de música, poemas e histórias são faladas ao invés de cantadas) para celebrar a obra, a influência e as urgências poéticas de escritores negros: a sinestesia simbolista de Cruz e Souza; a poesia engajada de Gil Scott-Heron; a militância pan-africanista de Alfred Panou; o Harlem Renaissance de Langston Hughes; e os pensamentos humanistas do escritor e ensaísta James Baldwin, homenageado na data de 30 anos de sua morte (1°/12/1987). Os números ao vivo se intercalam com trechos de vídeos dos Panteras Negras, entre outros.

Os poemas, enquanto declamados, terão sonorização com tons de jazz, soul e ritmos afro-brasileiros improvisados, a cargo de um combo liderado pelo norte-americano Brian Jackson (teclados e flauta), além de Thiago França (saxofones), do Metá Metá, e dois terços da banda Hurtmold: Maurício Takara (bateria), Marcos Gerez (baixo), Guilherme Granado (synth, escaleta) e Rogerio Martins (percussão). As vozes escolhidas para apresentar esse material são da cantora Juçara Marçal, Rodrigo Carneiro (vocalista da banda Mickey Junkies), do MC Rodrigo Brandão e do ator Caio Juliano.

Black Poetry conta ainda com participações especiais de Mano Brown (30/11) e Black Alien (1º/12). Ambas as sessões acontecem no Teatro do Sesc Pompeia, sempre a partir das 21h.

História
Fundador do coletivo de literatura e música Trovadores do Miocárido, Eduardo Beu criou a proposta há um ano, quando decidiu explorar outras estéticas literárias. Desenvolveu, então, a performance Black Poetry: Negritudes Poéticas & Outras Consciências. “A motivação foi resgatar e celebrar os grandes poetas e escritores negros do século XX (brasileiros, anglo-africanos, franceses e de outras afro-etnias), trazendo para um espetáculo cênico, com recursos musicais e audiovisuais, declamações de poemas ritmadas com músicas do mesmo zeitgeist”, explica Beu.

Em 2016, no dia 21 de novembro, o projeto foi convidado a integrar uma série de espetáculos que compuseram a programação em comemoração ao Dia da Consciência Negra do Sesc Rio Preto, no interior de São Paulo. Neste ano, fez parte da programação da Virada Cultural de São Paulo, em maio. Fizeram também várias de apresentações n’A Balsa, espaço no centro da cidade, onde o trabalho estreou.

Sobre Brian Jackson
Foto - Keyboard
Tecladista, flautista, cantor, compositor e produtor norte-americano, Brian Jackson ficou conhecido por suas colaborações com Gil Scott-Heron nos anos 1970. Morto em 2011, Gil foi um cantor e poeta reconhecido como o precursor do hip hop e, talvez, o maior nome do spoken word de todos os tempos. Juntos, Gil e Brian gravaram dez discos lendários, a maioria deles assinados em dupla. Além disso, Brian já tocou em discos e shows de Kool & The Gang, Airto Moreira e Roy Ayers.


Sobre Juçara Marçal

Foto - José de Holanda
Carioca de Duque de Caxias (RJ), Juçara é cantora, pesquisadora musical, compositora e professora. Depois de se mudar para São Paulo (SP), passou a integrar, a partir de 1991, o quinteto vocal feminino Vésper, voltado para a interpretação de música brasileira a cappella. Em 1998, entrou para o grupo A Barca, que pesquisa a cultura popular brasileira com base nas ideias de Mário de Andrade (1893-1945). Nos anos 2000, Juçara explorou a cultura afro-brasileira com o compositor e guitarrista Kiko Dinucci (1977). Juntos, eles gravaram o disco “Padê” (2007) e, aliados ao saxofonista Thiago França (1980), formaram o Metá Metá. Em 2014, Juçara Marçal lançou o primeiro disco solo, “Encarnado”, que foi eleito um dos 10 melhores daquele ano pelo jornal O Globo, além de vencer o Prêmio Multishow na categoria Música Compartilhada. Além da carreira artística, Juçara Marçal é mestre em Letras pela Universidade de São Paulo, com pesquisa sobre as memórias de Pedro Nava, tendo atuado como professora universitária de português e canto até 2015.


Sobre Rodrigo Brandão
Foto - Ivan Shupikov
O vulgo Gorila Urbano empunha microfones e se expressa publicamente por meio de rimas autorais há mais de uma década. Conhecido como linha de frente dos grupos Ekundayo, Mamelo Sound System e Zulumbi, no momento está voltado a um par de trabalhos bem variados: integra o BROOKZILL!, grupo que conta com o DJ Prince Paul (produtor do De La Soul) e a MC Ladybug Mecca (Digable Planets), enquanto se dedica a sessões de improviso livre, voltado ao spoken word, junto a uma lista de músicos paulistanos, como os grupos Hurtmold e Metá Metá. Seu universo particular é pautado pela profundidade lírica e as relações espirituais entre o Brasil urbano e a África ancestral.

Sobre Rodrigo Carneiro

Foto - Johnny Macedo

Jornalista e crooner atuante em diversos projetos que envolvem literatura e música. Como jornalista, cobriu matérias culturais para as principais redações de São Paulo (Estado de São Paulo, Jornal da Tarde, Revista Bravo). É membro fundador e vocalista do grupo de punk-rock Mickey Junkies e já participou de diversos espetáculos de poesia falada dedicados a Leonard Cohen, William Burroughs e Nick Cave. No momento, é um dos integrantes do grupo de spoken word Trovadores do Miocárdio.

Sobre Caio Juliano

Foto - Johnny Macedo
Ator e músico gaúcho que atua e compõe trilhas musicais para diversos espetáculos. Em 2015, atuou no longa metragem "Elis", dirigido por Hugo Prata, e no curta-metragem "Dá Licença de Contar", de Pedro Serrano. Em 2016, atuou nos longas "A Sombra do Pai", de Gabriela Amaral Almeida, e "Amazon Obhijan", filme indiano falado em inglês do diretor Kamaleshwar Mukherjee. No Canal Futura, interpretou o escritor Luiz Gama para a série "Canal da História".

Sobre Thiago França

Foto - Fernando Eduardo
Mineiro de Belo Horizonte (MG), Thiago França é um arranjador, compositor e instrumentista criado ao redor de choros, sambas, valsas, serestas e música caipira. Iniciou seus estudos de saxofone aos 11 anos de idade, começou a compor aos 16 e acabou se graduando em Música Popular pela Unicamp, em Campinas (SP). Fundou, ao lado de Kiko Dinucci e Juçara Marçal, o trio Metá Metá e, em 2009, criou o projeto solo Sambanzo, misturando composições de sua autoria com temas recolhidos da umbanda e candomblé, com fortes influências do free jazz, afrobeat e música latina. Nesse mesmo ano, lançou seu primeiro CD, “Na Gafieira”. Em 2016, lançou o disco “O último carnaval de nossas vidas”, gravado com o coletivo A Espetacular Charanga do França.

Sobre Eduardo Beu

Foto - Johnny Macedo
Jornalista, DJ e agitador cultural, é o diretor e criador do projeto Black Poetry. Esteve à frente, como curador e criador, de diversos eventos culturais envolvendo literatura, artes visuais e música em São Paulo. Entre os destaques, foi curador do "Contracultura: Vida Louca Vida Intensa", realizado em 2008 pelo Sesc Pompeia. Em 2010, foi o criador dos videocenários do Les Provocateurs, projeto musical de Edgard Scandurra, que celebra a obra de Serge Gainsbourg. Em 2012, criou o espetáculo de performance literária "Trovadores do Miocárdio: Músicas de Amor Diluídas em Poesia", com Fausto Fawcett, Xico Sá, Mário Bortolotto, Junio Barreto, entre outros.
Clique e acesse o site oficial dos Trovadores do Miocárdio

Sobre Mano Brown (participação no dia 30/11)

Foto - Divulgação
O paulistano Pedro Paulo Soares Pereira, mais conhecido como Mano Brown, é rapper e vocalista dos Racionais MC's, grupo ainda composto por Ice Blue (Paulo Eduardo Salvador), Edi Rock (Edivaldo Pereira Alves) e KL Jay (Kleber Geraldo Lelis Simões). Em 2008, a revista Rolling Stone publicou uma lista com os 100 maiores artistas da música brasileira, seleção na qual Mano Brown ficou com o 28° lugar. Além dos Racionais, Brown também trabalha, atualmente, no projeto solo Boogie Naipe, diferente do rap, com influências do soul e funk americanos dos anos 1980, ao lado do músico Lino Krizz.


Sobre Black Alien (participação no dia 1º/12)

Foto - Bruno Cons
Gustavo de Almeida Ribeiro, mais conhecido como Black Alien, é um rapper, cantor e compositor de São Gonçalo (RJ) que começou suas atividades no início dos anos 1990. Logo de cara, já colecionou parcerias com artistas como Os Paralamas do Sucesso, Charlie Brown Jr., Fernanda Abreu, Raimundos, Banda Black Rio, Marcelinho da Lua, Sabotage, entre outros. Integrou o Planet Hemp, grupo do qual também fazia parte Marcelo D2, e fundou o grupo Reggae B, em parceria com o baixista Bi Ribeiro, dos Paralamas. Em 2004, lançou o seu primeiro álbum solo, "Babylon by Gus Vol.1 – O Ano do Macaco", com título criado em referência ao disco “Babylon by Bus”, de Bob Marley. Atualmente, após um hiato de quase nove anos, Black Alien está gravando o seu segundo disco, "Babylon By Gus Vol.2 - No Princípio Era o Verbo". 

Serviço
Black Poetry
Data - Dias 30 de novembro e 1º de dezembro, quinta e sexta – 21h
Local - Teatro do SESC Pompeia
Endereço - R. Clélia, 93 - Pompeia, São Paulo - SP

Mais informações ligue (11) 3871-7700

Em Tempo: O Teatro do Sesc Pompeia possui lugares marcados e galerias superiores não numeradas. Por motivo de segurança, não é permitida a permanência de menores de 12 anos nas galerias, mesmo que acompanhados dos pais ou responsáveis. Abertura da casa às 20h30.

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