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| Foto - Lucca Mezzacappa |
Na sequência da temporada lírica 2026, o Theatro São Pedro, equipamento cultural da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerido pela Santa Marcelina Cultura, irá apresentar a ópera Don Pasquale, do compositor italiano Gaetano Donizetti (1797-1848).
As récitas acontecem nos dias 10, 12, 15, 17 e 18 de julho, a montagem terá direção musical de Ira Levin, à frente da Orquestra do Theatro São Pedro, e concepção e direção cênica de Lívia Sabag. A récita do dia 15 de julho será transmitida online e de forma gratuita pelo canal de YouTube do Theatro São Pedro (clique aqui).
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| Foto - Lucca Mezzacappa |
Escrita no início década de 1840, quando Gaetano Donizetti vivia em Paris, Don Pasquale foi sua última ópera cômica e uma de suas últimas obras. Se em 1839, ao escrever La Fille du Régiment, ele adaptou a peça às exigências do estilo da ópera cômica francesa, em Don Pasquale as raízes são totalmente italianas, com personagens sendo tipos modernizados da commedia dell'arte.
A ação se passa em Roma e a história gira em torno de uma premissa cômica clássica: um jovem casal apaixonado planeja frustrar os planos de um velho rico, que deseja se casar com a moça. Para atingir seu objetivo, eles contarão com a ajuda de um astuto estrategista, espécie de falso amigo do antagonista da história.
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| Foto - Lucca Mezzacappa |
Como se pode imaginar, é o amor jovem que triunfa sobre a hipocrisia da velhice. Resolvido o impasse, todos se reconciliam e vivem felizes para sempre. A tensão, portanto, reside nos meios necessários para se atingir o final presumido - uma fórmula que serviu à comédia desde o teatro romano, e que já havia sido explorada na ópera por outros autores, como Mozart e Rossini. Ainda assim, Don Pasquale resulta numa comédia eficiente e original, que demonstra o talento de Donizetti para o humor centrado nos personagens.
“Don Pasquale, de Donizetti, juntamente com Elisir d'amore, é a maior ópera cômica italiana do século XIX. É uma obra musicalmente mais rica que Elisir, com o mesmo nível de inspiração lírica, mas tecnicamente mais avançada, especialmente em termos de orquestração, o que a torna bastante desafiadora de executar”, destaca o maestro Ira Levin.
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| Foto - Lucca Mezzacappa |
Don Pasquale se insere na fase madura de Donizetti, com estilo marcado por maior profundidade emocional e sofisticação. O libreto de Don Pasquale foi escrito por Giovanni Ruffini (1807-1881), poeta e patriota genovês que vivia exilado em Paris. Donizetti, contudo, fez tantas alterações no texto que Ruffini se recusou assiná-lo.
A orquestração da obra pode ser considerada leve para os padrões modernos, mas certamente não o era para o público que a ouviu pela primeira vez, em meados do século XIX. Isso porque os recitativos são todos acompanhados pela orquestra, ao invés de um cravo (prática mais comum em óperas cômicas do período). Como resultado, há uma passagem mais sutil dos diálogos para as árias e outras partes cantadas.
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| Foto - Lucca Mezzacappa |
Tal como em sucessos anteriores, em Don Pasquale convivem a beleza lírica e o virtuosismo vocal, muitas vezes exigindo que os cantores executem passagens complexas de coloratura com profundidade emocional. Ao mesmo tempo, as trocas de farpas entre Pasquale e seus antagonistas são equilibradas por momentos tocantes em que Donizetti humaniza o personagem título e nos permite sentir empatia por ele.
Da mesma forma que outras de suas óperas (e tal qual faziam outros compositores, a exemplo de Rossini), Don Pasquale foi composta muito rapidamente. Donizetti escolheu o elenco a dedo entre os cantores mais famosos da época, com os quais já havia trabalhado. O compositor conhecia suas habilidades vocais e dramáticas e confiava neles para lidar com o desafiador material vocal que o trabalho representa para os intérpretes.
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| Foto - Lucca Mezzacappa |
Don Pasquale estreou no Théâtre Italien, em Paris, dia 03 de janeiro de 1843 e foi um triunfo pessoal e financeiro para Donizetti, que lucrou com os direitos autorais de apresentações, com vendas da partitura vocal e com arranjos das melodias da ópera. A estreia foi um sucesso estrondoso e, antes do final do ano, Don Pasquale já podia ser vista nos grandes teatros de ópera da Europa. Dois anos depois, cruzava o Atlântico e era apresentada nos EUA e, em 1853, teve sua estreia brasileira no Teatro Provisório, do Rio de Janeiro.
Ficha técnica
Don Pasquale de Gaetano Donizetti (1797-1848)
Orquestra do Theatro São Pedro
Direção Musical - lIra Levin
Concepção e Direção Cênica - Livia Sabag
Elenco - Rodrigo Esteves (Don Pasquale), Raquel Paulin (Norina), Guilherme Moreira (Ernesto), Santiago Villalba (Dr. Malatesta), Gustavo Lassen (Notário), e Chica Portugal (Francesca)
Cenografia - Daniela Gogoni
Iluminação e Cenógrafa Associada - Valéria Lovato
Figurino - Fabio Namatame
Visagismo - Tiça Camargo
Regente Coral - Bruno Costa
Preparador Vocal - Fabio Bezuti
Assistência de Direção Musical e Preparador Vocal - Mateus Araújo
Direção de Movimento e Assistência de Direção Cênica - Menelick de Carvalho
Direção de Palco - Ronaldo Zero
Serviço
Don Pasquale
Récitas - 10, 12, 15, 17 e 18 de julho
Horário - quarta, sexta-feira e sábado, às 20h e domingo, às 17h
Duração - 150 minutos
Local - Theatro São Pedro
Endereço - Rua Barra Funda, 171 - Barra Funda - São Paulo
Capacidade - 636 lugares
Ingressos - de R$ 41,00 a R$ 124,00
Venda de ingressos online aqui
Classificação - 12 anos
Sobre o Theatro São Pedro
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| Foto - Íris Zanetti |
Com mais de 100 anos, o Theatro São Pedro, instituição do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, gerido pela Santa Marcelina Cultura, tem uma das histórias mais ricas e surpreendentes da música nacional. Inaugurado em uma época de florescimento cultural, o teatro se insere tanto na tradição dos teatros de ópera criados na virada do século XIX para o XX quanto na proliferação de casas de espetáculo por bairros de São Paulo. Ele é o único remanescente dessa época em que a cultura estava espalhada pelas ruas da cidade, promovendo concertos, galas, vesperais, óperas e operetas.
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| Foto - Íris Zanetti |
Nesses mais de 100 anos, o Theatro São Pedro passou por diversas fases e reinvenções. Já foi cinema, teatro, e, sem corpos estáveis, recebia companhias itinerantes que montavam óperas e operetas. Entre idas e vindas, o teatro foi palco de resistência política e cultural, e recebeu grandes nomes da nossa música, como Eleazar de Carvalho, Isaac Karabtchevsky, Caio Pagano e Gilberto Tinetti, além de ter abrigado concertos da Osesp.
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| Orquestra do Theatro São Pedro. Foto - Íris Zanetti |
Após passar por uma restauração, foi reaberto em 1998 com a montagem de La Cenerentola, de Gioacchino Rossini. Gradativamente, a ópera passou a ocupar lugar de destaque na programação do São Pedro, e em 2010, com a criação da Orquestra do Theatro São Pedro, essa vocação foi reafirmada. Ao longo dos anos, suas temporadas líricas apostaram na diversidade, com títulos conhecidos do repertório tradicional, obras pouco executadas, além de óperas de compositores brasileiros, tornando o Theatro São Pedro uma referência na cena lírica do país. Para mais informações clique aqui.







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