| Foto - Lina Mintz |
Depois de conquistar o público carioca em uma temporada realizada em maio, no Sesc Copacabana, o Grupo Trampulim leva até Belo Horizonte o espetáculo Casamento, que fica em cartaz entre os dias 30 de julho e 02 de agosto, na Sala João Ceschiatti do Palácio das Artes. 21ª criação do grupo mineiro, a montagem reúne as linguagens da palhaçaria e da improvisação para transformar o casamento em um grande jogo cênico, no qual nenhuma apresentação é igual à outra. O espetáculo integra a 24ª edição do Festival Mundial de Circo.
Em cena, os palhaços Benedita Jacarandá (Adriana Morales) e Sabonete (Tiago Mafra) não conhecem receitas, fórmulas ou métodos para um casamento feliz e duradouro. Em vez disso, mergulham nas contradições da vida a dois, construindo histórias inspiradas nas sugestões da plateia e em situações que surgem em tempo real. Entre memórias, afetos, conflitos e absurdos cotidianos, o espetáculo brinca com os limites entre realidade e ficção, em um território onde nem sempre é possível distinguir se a arte imita a vida ou se é a vida que imita a arte.
A proposta ganha ainda mais força por partir da trajetória de Adriana e Tiago, parceiros na arte e na vida há mais de 25 anos. A relação construída ao longo desse tempo torna-se matéria-prima para um espetáculo autoficcional, em que a intimidade do casal atravessa a cena sem abrir mão do jogo e da imprevisibilidade.
"O casamento não deixa de ser um improviso do dia a dia. A gente vai vivendo, encarando as situações e resolvendo o que aparece. No espetáculo acontece a mesma coisa. A partir da nossa relação verdadeira, vamos improvisando a história de Benedita e Sabonete. Nós somos o próprio material da criação", afirma Tiago.
Encontro de linguagens e participação da plateia
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| Foto - Pri Garcia |
Dirigido pelo artista cênico mexicano José Luis Saldaña, Casamento representa um novo momento da pesquisa desenvolvida pelo Grupo Trampulim ao aproximar duas linguagens que, embora pareçam naturais para o público, exigem técnicas bastante distintas.
"Existe uma ideia de que todo palhaço improvisa, mas a improvisação é um sistema próprio, muito específico, que exige raciocínio rápido, memória e tomada de decisões o tempo todo. O maior desafio foi descobrir como a palhaçaria poderia ser uma aliada desse sistema, fortalecendo as cenas criadas ao vivo", explica Adriana.
Segundo Tiago Mafra o encontro entre essas linguagens coloca o artista diante de um paradoxo. "Na improvisação, muitas vezes você precisa assumir um olhar de diretor, pensando para onde a cena vai e fazendo escolhas o tempo inteiro. Já o palhaço é um ser perdido, errante, levado pelo vento. Habitar esses dois lugares ao mesmo tempo é um grande desafio", reflete o artista.
A participação da plateia é determinante para o espetáculo. São as sugestões do público que definem os caminhos das improvisações e fazem com que cada sessão seja única. "O público colore o espetáculo. As cenas nascem das sugestões que chegam da plateia e, quando as pessoas entram no jogo com criatividade e disposição, surgem situações ainda mais surpreendentes, divertidas e desafiadoras", destaca Adriana Morales.
A experiência no Rio de Janeiro e a volta a BH
A temporada realizada no Sesc Copacabana marcou um momento importante na trajetória da montagem. Além da excelente recepção do público carioca, com crescimento gradual da plateia e sessões esgotadas ao final da temporada, a sequência de apresentações permitiu que o espetáculo amadurecesse artisticamente.
"Foi um processo muito importante para o próprio espetáculo. Uma temporada permite que a gente ajuste pequenas coisas todos os dias. O Casamento cresceu muito no Rio e quem assistir em Belo Horizonte vai encontrar uma montagem muito mais madura do que a que estreou em 2023", afirma Tiago.
Para Adriana, a experiência também reforçou a confiança no trabalho desenvolvido pelo grupo. "Foi o nosso melhor presente de casamento. Estar em uma cidade onde as pessoas não conheciam nosso trabalho e perceber o encantamento do público renovou nossa confiança e nos deu ainda mais vontade de compartilhar esse espetáculo com Belo Horizonte".
Realizada de forma independente, a temporada no Palácio das Artes também representa uma aposta do Grupo Trampulim na formação de público para o teatro. "Queremos incentivar as pessoas a criarem o hábito de ir ao teatro e entender que comprar um ingresso também é uma forma de sustentar a produção artística. É uma temporada feita com muita coragem, resistência e esperança, mas, acima de tudo, com muita vontade de compartilhar um espetáculo que acreditamos estar em seu momento mais maduro", conclui a artista.
Festival Mundial de Circo
Com uma programação de espetáculos, vivência circense, exposição e intervenções artísticas, o 24º Festival Mundial de Circo ocupa praças, parques e ruas de Belo Horizonte entre 31 de julho e 16 de agosto. O evento, que também acontece em teatros e espaços alternativos da cidade, reúne montagens de diversos grupos circense nacionais e internacionais, além de oficinas, intervenções, exibição de filmes e outras atividades. Para mais informações clique aqui.
Sobre o Grupo Trampulim
Criado em 1994 e direcionado à pesquisa sobre o ofício da palhaçaria a partir do improviso, o Grupo Trampulim acumula apresentações no Brasil e exterior, com passagens por Portugal e Canadá, tendo 24 espetáculos no currículo, sendo A Rainha Procura (2024) a mais recente. A trupe completa é composta por Adriana Morales (Benedita Jacarandá), Tiago Mafra (Sabonete), Bela Leite (Batata Doce), Marcos Nascimento (Moy Shoy) e Rafael Protzner (Alfinete) - e seus respectivos arquétipos saltimbancos.
Com 32 anos de existência e cinco espetáculos fixos em seu repertório, além de diversas oficinas de formação e vasta circulação nacional, o grupo já conquistou prêmios expressivos nas áreas de circo, teatro de rua e artes cênicas. Entre suas produções, realizou, em Belo Horizonte, duas edições do festival ÍMPETO - Invasão Mundial de Palhaços e Todos os Outros. Em 2016, o Trampulim também participou do projeto de circulação nacional Palco Giratório, realizado pelo Sesc Nacional, circulando por 31 cidades de onze estados brasileiros. Saiba mais sobre o grupo aqui.
Serviço
Casamento
Data - de 30 de julho a 02 de agosto
Horário - quinta a sábado, às 20h e domingo, às 19h
Duração - 90 minutos
Local - Palácio das Artes - Teatro João Ceschiatti
Endereço - Av. Afonso Pena, 1537 - Centro - Belo Horizonte (MG)
Capacidade - 125 lugares
Ingressos - R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia)
Venda de ingressos online pela Sympla (clique aqui)
Classificação -12 anos

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