![]() |
| Foto - Divulgação |
Quem passou pelo vão livre do MASP na manhã deste domingo encontrou uma imagem difícil de ignorar: 477 cadeiras vazias instaladas em um dos pontos mais simbólicos da capital paulista para lembrar que, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), esse é o número de pessoas que morrem diariamente no Brasil em decorrência de doenças relacionadas ao tabagismo.
A ativação, realizada no Dia Mundial Sem Tabaco, foi promovida pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, por meio do Programa Estadual de Controle do Tabagismo, em parceria com a Kenvue, detentora de marca pioneira em terapias de reposição de nicotina, e o MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand.
Ao longo da manhã, a ação reuniu especialistas, atendimento gratuito ao público e discussões sobre tabagismo, dependência de nicotina, prevenção, acesso ao tratamento e o avanço do uso de cigarros eletrônicos e dispositivos similares entre jovens.
Participaram das conversas com o público os Doutores Drauzio Varella, Marcio Sousa, chefe da Seção de Hipertensão Arterial, Tabagismo e Nefrologia do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia em São Paulo e Sandra Silva Marques, coordenadora do Programa Estadual de Controle do Tabagismo de São Paulo, além de Anna Lacerda, gerente de Assuntos Médicos da Kenvue.
Durante toda a programação, profissionais de saúde ofereceram orientações sobre tratamento para cessação do tabagismo, suporte psicológico e encaminhamento para atendimento no SUS. A ativação também buscou chamar atenção para o cenário mais recente do país. Dados preliminares da Vigitel apontam que, após um período de estabilidade iniciado em 2019, o número de fumantes voltou a crescer em 2024: 11,6% dos adultos se declararam fumantes, ante 9,3% em 2023.
Outro ponto de preocupação é o avanço dos cigarros eletrônicos entre adolescentes: segundo o LENAD, 1 em cada 10 adolescentes já experimentou vape no Brasil, e 76,3% seguem usando após o primeiro contato. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15 milhões de jovens entre 13 e 15 anos já utilizaram cigarros eletrônicos no mundo. A entidade definiu os adolescentes como foco da campanha do Dia Mundial Sem Tabaco deste ano.
“Essa ativação ajuda a transformar um dado duro de saúde pública em um chamado concreto à conscientização e ao cuidado. O objetivo foi ampliar o debate sobre prevenção, cessação e acesso ao tratamento, unindo informação qualificada e serviço à população”, afirmou Anna Lacerda.
Atendimento à população
![]() |
| Foto - Divulgação |
De acordo com dados da SES-SP, por meio da Política Estadual de Controle do Tabaco, o Estado de São Paulo já atendeu mais de 900 mil pessoas, por meio de modelos presencial, híbrido e online. Desse total, 60% dos pacientes são mulheres e 40% homens. A Pasta também disponibiliza o programa Vida sem Nicotina, acessível pelo aplicativo do Poupatempo, voltado a pessoas que desejam parar de fumar ou vaporizar. O serviço atende usuários de cigarros, cigarrilhas, charutos, narguilé, fumo mascado, cigarros eletrônicos e outros dispositivos de liberação de nicotina.
No aplicativo, o usuário pode realizar o Teste de Fagerström, que mede o nível de tabagismo e/ou nicotinismo. Ao final, é possível consultar unidades que oferecem tratamento, conhecer os serviços disponíveis na rede estadual e iniciar o encaminhamento para acompanhamento. O serviço também é indicado para usuários do SUS em qualquer nível de atenção.
Custo para a saúde publica
Além dos impactos à saúde, o tabagismo também representa um alto custo para o sistema público. Estimativas do INCA indicam que, para cada R$ 1,00 de lucro obtido pela indústria do tabaco, o Brasil gasta cerca de R$ 5,00 no tratamento de doenças relacionadas ao fumo. Os custos associados ao tabagismo ultrapassam R$ 150 bilhões por ano no país. Criado pela Organização Mundial da Saúde em 1987, o Dia Mundial Sem Tabaco busca conscientizar a população sobre os riscos do consumo de tabaco e incentivar ações de prevenção e cessação do hábito de fumar.

.png)

0 Comentários